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Pearl Jam: "você pode olhar para o disco 'Dark Matter' e pensar para onde eles vão agora", disse o fotógrafo da banda

  • by Brunelson
  • há 4 dias
  • 9 min de leitura

Atualizado: há 3 dias


Para os fãs de longa data do PEARL JAM, existem aqueles shows dos sonhos que ficarão marcados em suas vidas — e depois existe o que o fotógrafo Geoff Whitman vem fazendo nos últimos 02 anos. 


Como fotógrafo oficial da banda na turnê em divulgação ao seu último álbum de estúdio lançado, "Dark Matter" (12º disco, 2024), Whitman se inseriu em um dos círculos mais fechados do rock, documentando a comunhão noturna entre a banda e o público, enquanto conquistava silenciosamente a confiança necessária para capturar o que acontece além dos holofotes. 


O resultado disso se transformou no livro, "Pearl Jam: React/Respond", um documento visual de 224 páginas que reflete a dimensão e a intensidade emocional de uma banda que continua avançando após 35 anos em atividade ininterrupta.


Com lançamento previsto para 18 de abril de 2026, coincidindo com o Record Store Day, o livro reúne mais de 125 imagens da turnê de 2024/2025 em divulgação ao álbum "Dark Matter", equilibrando a energia da multidão com vislumbres raros e soltos do PEARL JAM em ação. O livro chega junto com um single em vinil de 07 polegadas de edição limitada, contendo versões ao vivo das músicas "React, Respond" e "Won't Tell", ambas lançadas no disco "Dark Matter". Whitman celebrará o lançamento com uma aparição na icônica loja de discos de Seattle, a Easy Street Records.


O que torna a perspectiva de Whitman especialmente fascinante é que ela não foi construída seguindo o caminho tradicional da indústria dos negócios. Fã de longa data desde que viu um show da banda pela 1ª vez em 1991, ele passou anos fotografando shows lá no meio da multidão, antes de gradualmente conquistar seu espaço no círculo íntimo do PEARL JAM. Paralelamente a tudo isso, ele construiu uma carreira sólida no ramo de vinhos — que começou em restaurantes na cidade de Santa Barbara, na California, e evoluiu para o trabalho em adegas e distribuição, que por fim, o levou a um cargo executivo na empresa Lloyd Cellars. Essa vida dupla lhe proporcionou tanto a flexibilidade quanto a perspectiva necessárias para abordar o ramo da fotografia com paciência e precisão.


Whitman foi entrevistado pela revista Spin sobre suas primeiras lembranças do PEARL JAM, sua jornada de carreira e algumas das lições que aprendeu ao longo do caminho.


Confira:



Jornalista: PEARL JAM nem sempre levava um fotógrafo de turnê com eles todas as noites. Como você conseguiu esse trabalho? Qual era sua relação com a música da banda antes disso?


Geoff Whitman: Eu me lembro dos primórdios da minha carreira, sabe... Eu estava entrando no meu 2º ano da faculdade em Boston e tentando me firmar no mundo dos bares e clubes noturnos. Por acaso, consegui um turno em um clube noturno chamado Citi Club, e a banda principal daquela noite era o LEMONHEADS. O grupo BUFFALO TOM também se apresentou naquela noite, sendo que o PEARL JAM foi logo a 1ª ou a 2ª banda a se apresentar naquela noite. Isso foi em julho de 1991, quando talvez só tivéssemos escutado a música "Alive" nas rádios e o álbum de estreia deles, "Ten" (1991), nem tinha sido lançado ainda. O tipo de música que estava rolando no final dos anos 80 com o glam metal não era a minha praia, então, ouvir a canção "Alive" nas rádios, conseguir aquele turno de trabalho e assistir ao meu 1º show do PEARL JAM em Boston, foi uma experiência transformadora. Era como se aqueles caras estivessem falando comigo, sabe? Eles sabiam como era ser um garoto excluído, que ficava sozinho em casa depois da escola e que cresceu ouvindo AC/DC, LED ZEPPELIN, AEROSMITH e BEATLES... De repente, me senti em casa.


Whitman: O vocalista Eddie Vedder foi até o bar depois do show deles. Muita coisa mudou desde então, mas batemos um papo rápido naquela ocasião, coisa que eu já contei essa história para ele e ele achou muito engraçado. Quando saí para fumar um cigarro, o baixista Jeff Ament estava lá fora conversando com uns caras da equipe de roadies. Essa foi a minha apresentação ao PEARL JAM em 1991 e eles são minha banda para todas as horas desde então. Já fotografei uns 70 ou 80 shows do PEARL JAM, além dos shows solo de Eddie, e você pensaria que, enquanto edito as fotos no meu estúdio, eu estaria ouvindo outra coisa, mas em vez disso, estou sempre escutando um álbum deles, seja "Dark Matter", "Vitalogy" (3º disco, 1994) ou "Versus" (2º disco, 1993). Pra mim, acabar trabalhando para eles nessa função é mais do que um sonho realizado. Fico pensando que vou acordar em um leito de hospital e vão me dizer que estive em coma nos últimos 02 anos (risos).


Whitman: Eu era membro do Ten Club e ainda sou (base oficial de fãs do PEARL JAM). Viajei para muitos shows e conheci minha família de estrada do PEARL JAM. Eu era fotógrafo desde criança e pensava que, se houvesse uma maneira de tirar uma foto da minha banda favorita e colocá-la na parede do meu quarto, já seria o suficiente. Então, comecei a pedir credenciais de fotógrafo por volta de 2005 ou 2006 e eventualmente fotografei um show solo de Eddie. Comecei a conhecer a equipe de roadies do PEARL JAM em Seattle, mas certamente não estava pedindo para ser o fotógrafo da turnê deles. Com o tempo, fazer um bom trabalho e ser pontual ajudou a construir minha reputação. Comecei a fotografar muitos outros shows e isso se tornou o que eu queria fazer nesta fase mais avançada da minha vida.


Whitman: Acelerando até à festa de audição do álbum "Dark Matter" em 2024 antes do lançamento oficial do disco no mercado, um dos roadies do PEARL JAM chegou até mim e disse: "Por que você não faz isso de verdade? Você toparia pegar a estrada conosco?" Fiquei boquiaberto, mas respondi que sim, com certeza! Depois, tive que chegar em casa e contar para minha esposa que tinha recebido a proposta. Temos 01 filho de 08 anos de idade e uma filha de 15 anos que é totalmente deficiente. Eu já viajo bastante a trabalho no ramo de vinhos, então, isto seria um grande transtorno para minha esposa. Estamos casados ​​há 20 anos e ela olhou para mim e disse: "Se você está me perguntando se pode fazer isso, vou te dar um tapa, porque é a coisa mais incrível que você vai fazer na vida e é a realização de um sonho". Tudo o que aconteceu depois disso foi simplesmente fantástico.


Whitman: Na prática, esse arranjo começou mais ou menos no início da turnê do álbum "Dark Matter" em 2024. Fotografei a curta turnê da banda de 2023 e me locomovia por conta própria para a maioria dos shows. Eu era o único fotógrafo que podia ficar durante toda a apresentação, mas eu não podia subir ao palco. Foi quase como um teste de audição ao vivo, sabe? Também fotografei alguns shows em 2022 e dirigia meu carro para a maioria dessas cidades, ficando em qualquer hotel onde pudesse usar meus créditos. Tenho a sorte de, na minha carreira no mundo do vinho, ter muita autonomia nas coisas. Além disso, trabalho com pessoas que são grandes fãs de música.



Jornalista: As notas introdutórias do seu livro mencionam como você começou seu ofício no meio da plateia, e com o tempo, as portas atrás do palco se abriram um pouco mais para você.


Whitman: Não existe manual de instruções para ser fotógrafo de turnê. Já fotografei bandas em ascensão, mas não é o caso aqui. Essa é uma equipe de roadies e funcionários com caras que estão juntos em uma banda de rock há mais de 30 anos, e obviamente que essa banda é extremamente entrosada entre eles e seus funcionários. Cheguei, fui apresentado a todos e passei os próximos shows mostrando a todos que estou ali porque amo a música deles.


Whitman: Eu já tinha jantado com Jeff Ament antes quando eles se apresentaram pela 1ª vez em 2013 no Wrigley Field (estádio de baseball em Chicago), mas eu ainda precisava conhecer toda a equipe técnica e os membros da produção - alguns com reputações que os precedem, sabe? A equipe de roadies também é ótima para controlar o acesso, tipo, não é só a segurança e a gerência que te impedem de chegar perto da banda. Tenho mais de 50 anos de idade e também não gostaria de ninguém com uma câmera no meu camarim. Eu tinha um limite que não queria ultrapassar, mas quando voltamos da Austrália para os EUA em 2024, me perguntaram: "Onde você vai durante o dia? Nunca te vejo por aqui" E eu respondi: "É de propósito. Geralmente fico andando pelo estádio procurando ângulos ou pontos de vista únicos, porque gosto de fotografar do meio da multidão".



Jornalista: A turnê do disco "Dark Matter" foi a 1ª vez que o PEARL JAM incorporou visuais no telão ao fundo do palco de forma tão marcante. Como isso influenciou a composição das fotos?


Whitman: O mais perto que eles chegaram disso foi há mais de 10 anos com aquelas grandes esferas que desciam do teto. Dessa vez, fui aos ensaios da banda em Seattle e pude ver toda a produção e bem como todo o material projetado na tela, antes mesmo deles iniciarem a turnê. Eu fiquei na arena Climate Pledge em Seattle, praticamente sozinho, sentado em uma mesa dobrável a 20 fileiras ao fundo, observando tudo. Eu conhecia o trabalho do diretor criativo, Rob Sheridan (que já trabalhou com o NINE INCH NAILS), então, minhas expectativas eram altas. Ver tudo aquilo projetado naquela tela gigante, parecendo com as asas do Batman, foi impressionante. Como você disse, comecei a me perguntar como iria fotografar aquilo, porque algumas partes eram absurdamente brilhantes. Sheridan me deu algumas dicas e honestamente, sem elas eu provavelmente ainda estaria parado no mesmo lugar.



Jornalista: Quais foram alguns dos seus momentos favoritos para fotografar?


Whitman: Durante a música "Do The Evolution" (5º disco, "Yield", 1998), porque você tem a animação atrás da banda no telão e todo mundo fica ótimo sob aquela luz vermelha. Para a canção "Setting Sun" (do álbum "Dark Matter"), enquanto aquele grande anel ficava cada vez mais brilhante no telão, eu estava tentando medir a exposição até Matt Cameron (baterista), para conseguir uma abertura suficientemente fechada para incluir tudo. Tem uma foto no livro que não é exatamente a foto principal, mas está bem no meio daquele grande anel de fogo. É uma foto incrível e claramente poderia não ter sido.



Jornalista: Compare para mim a experiência de fotografar dos bastidores com aqueles momentos em que você teve a oportunidade de passar um tempo com os caras da banda fora do palco?


Whitman: Os bastidores não envolviam muito os corredores ou ficar atrás das cortinas. Era mais sobre fotografar por trás dos equipamentos ou me movimentando ao fundo do palco. Lembro de uma foto que tirei quando recebi a permissão não verbal do técnico de bateria de Matt Cameron para ficar perto da plataforma da bateria durante o show, mas não em cima dela. Na Austrália, havia alguns convidados especiais, como as bandas PIXIES e COSMIC PSYCHOS, e alguns caras dessas bandas também queriam tirar fotos com os caras do PEARL JAM. Foi uma festa (risos). Consegui algumas fotos interessantes deles vindo pelo corredor e sendo escoltados até o palco pela segurança, que tirei fotos com uma câmera Mamiya grande. Parece que você está segurando um canhão! Uma noite, Jeff e Mike McCready (guitarrista) viraram a esquina do corredor antes de subirem ao palco e me perguntaram: "O que é isso? Que legal!" Conforme eles foram ficando mais à vontade comigo, ficou mais claro que eu faria fotos de respeito.



Whitman: Tem uma foto que eu adorei e que não entrou no livro, mas que o PEARL JAM postou depois em rede social como parte de uma pequena sessão de perguntas e respostas comigo. Na arena em Atlanta, havia um pequeno corredor entre a pista e as cadeiras, e eu estava fotografando através das pessoas ali, com o zoom da câmera bem em cima de Eddie e perto do final da música "Do The Evolution". Eu devia estar a uns 45 metros de distância, mas parecia que eu estava bem na frente dele, e ele estava olhando diretamente para a lente da câmera com um olhar bem ameaçador — direto na alma. Tem uma foto panorâmica de trás de Matt Cameron no Fenway Park (estádio de baseball em Boston), com a multidão e o letreiro ao fundo. Eu estava tendo uma experiência extracorpórea completa, porque Boston foi onde eu vi um show do PEARL JAM pela 1ª vez. Essa foi a minha foto estilo Danny Clinch (risos), porque Eddie está com a sua garrafa de vinho e a multidão está toda de pé (Danny Clinch, lendário fotógrafo do rock'n roll e que já acompanhou o PEARL JAM em várias turnês).


Whitman: Aprendi onde eu precisava estar para conseguir uma determinada foto, ou, digamos, se eu não tivesse fotografado muito Mike McCready em certa noite, eu sabia onde ir no meio da multidão para capturar aquelas luzes laterais de palco muito legais. Eu nem subia ao palco até chegar o momento do bis, porque as fotos que eu tiro da perspectiva da plateia me fazem pensar em como seria se eu não estivesse presente naquele show. O que eu gostaria de ver? O que me faria sentir aquilo? Foi isso que tentamos fazer com esse livro, mostrar a perspectiva do fã e todo seu amor.



Jornalista: Para encerrar, você escolheu um bom momento para entrar nesse "circo" do PEARL JAM, porque muita gente achou que o álbum "Dark Matter" foi o melhor disco da banda em muito tempo e era evidente que eles também estavam orgulhosos disso.


Whitman: É difícil não se orgulhar disso como fã e eu digo a você, esses caras atingiram um novo patamar. A maioria das bandas com mais de 30 anos de carreira não consegue fazer isso. Suas composições são insanas e eu não consigo parar de ouvir até hoje. Você pode olhar para o disco "Dark Matter" e pensar: "Para onde eles vão agora?" Acho que, o que todos nós podemos esperar é simplesmente rock'n'roll do caralho, cara!


"Waiting For Stevie" (Disco: "Dark Matter")







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