Deep Purple: a música da banda que o guitarrista Ritchie Blackmore lamentou depois de anos de lança-la
by Brunelson
há 4 dias
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O termo "vendido" no meio musical é um conceito complexo.
É uma expressão usada repetidamente para artistas pop, ou para aqueles que antes eram "alternativos" ou que foram expelidos direto do rock'n roll e que acabaram mudando seu som, com os fãs raízes percebendo isso como uma mudança propositalmente comercial em direção ao público mainstream, ou às vezes até mesmo por uma simples mudança de imagem dos seus integrantes - tudo em busca da fama e dinheiro em 1º lugar.
Porém, o que é raro é a própria banda admitir isso em retrospecto. Ninguém quer admitir que talvez tenha escolhido uma opção artística preguiçosa por uma questão de negócios lucrativos, mas em uma certa época de sua carreira, o guitarrista Ritchie Blackmore do DEEP PURPLE estava disposto a fazer isso.
Sendo assim, a própria ideia de "vender-se" é complicada quando falamos de uma das bandas de rock de maior sucesso comercial do mundo. DEEP PURPLE nunca foi uma banda pequena e underground. E também nunca foi realmente um grupo cult. Seu single do álbum "In Rock" (4º disco, 1970), a clássica música "Black Night", lhe renderia seu 1º hit na carreira da banda, chegando ao 4º lugar no ranking da Billboard e ao 2º lugar no ranking do Reino Unido.
Então, chegando em 1972, eles simplesmente lançariam a canção que foi escolhida como a do riff mais icônico na história do rock, "Smoke on The Water" (6º disco, "Machine Head"), se tornando em uma das músicas de rock mais reconhecidas de todos os tempos, desde aquela criancinha que ainda brinca de carrinho, até à 3ª idade.
DEEP PURPLE é um nome que as pessoas conhecem, não importa se sabem cantar uma música ou não, então, a banda nunca foi realmente o tipo que deixaria fãs fanáticos em polvorosa sobre uma mudança mais comercial em seu som, porque essa base de fãs é ampla desde o começo.
Mas os sentimentos de Blackmore sobre o assunto são mais relacionados ao mérito artístico...
Com o tempo passando, as percepções mudam muito mais do que o sentido dos ventos, e depois de anos do seu lançamento, Blackmore citou uma canção da banda que, embora a essência dela ainda perdure, aos olhos do guitarrista, é o mesmo motivo que a faz vacilar agora.
A música em questão é "Woman From Tokyo", que abre seu 7º álbum de estúdio e single principal do mesmo, "Who Do We Think We Are" (1973), escrita para celebrar a época em que a banda se apresentou pela 1ª vez no Japão em 1972 e que foi um grande marco na carreira do grupo, originando o disco ao vivo "Made in Japan" (1972).
O disco, "Who Do We Think We Are", foi o último lançado pela formação clássica, antes do retorno da banda com a formação clássica na década de 80.
"Ouvi a gravação demo pela 1ª vez desta canção na casa do meu empresário e lhe disse: 'Esta é um sucesso, vamos lança-la'. E ele me respondeu: 'O quê? Você quer gravar isso?', e eu disse: 'Sim, é claro'. Então, a gravamos em, acho que em 02 tentativas, porque o pessoal a odiou", explicou Blackmore na biografia da banda, com outros membros do grupo também tendo problemas imediatos com a canção.
Blackmore gostou dela por um tempo e foi bem-sucedido: "Essa música foi lançada e foi um sucesso, como já sabíamos o tempo todo, o que foi uma maneira de darmos o 1º passo em conquistar um público mais amplo", admitindo o guitarrista que foi uma jogada de negócios.
Hoje em dia, suas reflexões sobre este assunto são sutis. Em resposta ao termo "vendido", Blackmore não aceita isso: "As pessoas dizem: 'Como você pôde fazer isso? Como você consegue se vender? Você é um guitarrista do heavy metal, conhecido por não ser comercial'... Isso é bobagem, eu toco qualquer coisa se tiver uma boa melodia".
O que não quer dizer que ele é todo amores pela música "Woman From Tokyo" e reconhece seu arrependimento da forma como ela envelheceu e parecendo falsa, finalizando: “Canções da banda como 'Woman From Tokyo', quero dizer, eu não suporto mais coisas assim”.
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