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Alice in Chains: "esse riff enorme e idiota surgiu de um erro", disse Jerry Cantrell

  • by Brunelson
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Uma das partes mais difíceis de ser um artista contemporâneo é navegar pela evolução. Para aqueles que têm a sorte de alcançar um avanço, manter o ritmo se torna um dos desafios mais difíceis. 


E embora o guitarrista e compositor desde sempre do ALICE IN CHAINS, Jerry Cantrell, pareça entender isso melhor do que a maioria, ele também sabe que não existe certo ou errado definitivo quando se trata de autenticidade.


No mundo de Cantrell, a música frequentemente prospera nesses momentos de incerteza. Por exemplo, embora alguns poderiam ter sentido a imensa pressão crescente após uma estreia com um álbum como "Facelift" (1990), Cantrell compreendeu o valor de ser autêntico de maneiras que refinassem o som e seus temas, não apenas inspirando-se em seus próprios conflitos internos, mas entendendo que também era um risco significativo a ser assumido.


O álbum resultante disso, "Dirt" (3º trabalho de estúdio, 1992), não foi apenas uma releitura de tudo o que o ALICE IN CHAINS tinha a oferecer, mas também mostrou Cantrell navegando pelos desafios de desnudar sua alma, com a brusca mudança do disco para uma postura mais confrontacional, deixando-o dividido entre apreciar o sucesso e o peso em sua própria mente. Assim como ele disse certa vez em entrevista sobre o álbum "Dirt": "É bom e ruim. É bom artisticamente, mas é ruim, porque se você for tão honesto assim nas letras, terá dificuldade para superar isso".


Dito isso, onde o disco "Facelift" se diferenciava imensamente, era que apresentava um ALICE IN CHAINS sem nada a provar, apesar da pressão e das expectativas frequentemente colocadas na estreia de um artista. Em vez disso, apresenta seu som de uma forma que efetivamente dizia "pegue ou largue", ecoando o mantra lento e pesado característico da banda e ainda distante da cena grunge em ascensão que iria explodir no mainstream em 1991, com músicas como "It Ain't Like That" provando sua angústia febril tanto quanto sua precisão técnica.


Ao longo do álbum "Facelift", a banda prosperou com riffs explosivos e coesão sonora, sem o refinamento que mais tarde definiria o disco "Dirt". Ao mesmo tempo, sua música parecia consideravelmente mais refinada do que a de muitos dos seus colegas grunge, mesmo os mais experientes que já a praticavam há vários anos. Canções como, "Love, Hate, Love", surgiram como obras-primas em seu álbum de estreia, com tanto charme que o próprio Cantrell a chamaria mais tarde de "obra-prima".


Parte desse apelo também se deve à espontaneidade nos bastidores. Com a música "It Ain't Like That", Cantrell relembrou como o riff foi na verdade um "erro" que surgiu quando ele estava brincando com sua guitarra um dia no estúdio. Os outros integrantes da banda viram algo nesse riff e o incentivaram a tocá-lo novamente, plantando as sementes para o que viria a se tornar em um dos maiores hinos do disco de estreia do ALICE IN CHAINS.


“Esse foi um ótimo riff que na verdade foi um erro”, explicou Cantrell nas notas do encarte da coletânea "Music Bank" do grupo. “Eu peguei aquele riff enorme e idiota e os caras da banda adoraram e me disseram para tocar de novo. Eu disse a eles: ‘Mas o que é que eu estava fazendo?’ Então, eles insistiram e eu e Mike Starr (baixista original) transformamos aquilo em algo”.


Cantrell sempre soube espalhar magia por onde passava, mesmo nos momentos mais inesperados, somado à sua capacidade de equilibrar a atemporalidade com a autenticidade, significava que o ALICE IN CHAINS estava sempre destinado a ser uma das maiores bandas de rock da história.


"It Ain't Like That"


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