Pearl Jam: a banda que fez eles quererem retornar aos palcos após a tragédia de Roskilde no ano 2000
by Brunelson
há 4 dias
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Atualizado: há 3 dias
Embora as pessoas de fora muitas vezes imaginem uma turnê como uma experiência brilhante e glamorosa, a realidade costuma ser o oposto.
É trabalhosa, exaustiva e para algumas bandas, até traumática. Um momento pode mudar ou arruinar tudo, fazendo com que um grupo nunca mais queira subir ao palco novamente.
E Eddie Vedder, vocalista do PEARL JAM, assim como todos os seus colegas de banda, sentiram isso.
Era 30 de junho de 2000. PEARL JAM estava se apresentando no Roskilde Festival na Dinamarca, marcando um momento em que sua fama dos anos 90 só crescia e se transformava em algo ainda maior, com seus locais de shows sendo marcados agora em lugares maiores como anfiteatros e arenas. Em turnê do seu álbum mais soturno de todos, "Binaural" (6º disco, 2000), a multidão foi se aglomerando cada vez mais perto do palco, enquanto as pessoas lá dos fundos tentavam se apressar indo cada vez mais para frente, por causa do som instalado pelo festival que não estava chegando com força e boa audição para o público que estava lá atrás.
Do palco, Vedder assistiu toda a cena (foto): "No segundo em que todos foram empurrados para frente, foi um caos. Algumas pessoas gritavam, outras corriam para fora dali ou balançavam a cabeça em conduta de descrença ou de pavor. Então, tinha alguém ali parado e deitado no chão, e eles estavam todos roxos. Soubemos imediatamente que o negócio ali tinha chegado a outro nível", lembrou ele em uma entrevista mais tarde.
Como resultado, 09 fãs morreram pisoteados naquela noite e foi um momento que realmente marcou a história da banda: "Ainda havia 40 mil pessoas lá e todas estavam prontas para o show recomeçar. Começaram a cantar o refrão da nossa música 'Alive': 'I'm still alive' e que seria a nossa próxima canção a tocar. Foi quando meu cérebro acionou um interruptor e eu sabia que nunca mais seria o mesmo".
PEARL JAM cancelou a sua apresentação no festival, assim como todas as datas restantes daquela turnê europeia. Em suma, a banda não quis mais fazer turnê depois disso. Conversas sérias foram travadas sobre se o grupo sequer permaneceria unido ou se os integrantes queriam se aposentar e voltar à vida normal para tentar se recuperar das cenas que presenciaram.
"Eu já tinha esse pensamento em mim, que se alguém perdesse a vida em um dos nossos shows, seria o nosso fim. Eu nunca mais me apresentaria ao vivo, sabe?", disse Vedder. Quando isso aconteceu, ele pensou que nunca mais voltaria aos palcos, mas ele o fez, iniciando uma turnê pelos EUA naquele 2º semestre do ano 2000. A decisão de voltar aos palcos não teve nada a ver com eles, em vez disso, a banda recebeu um leve empurrão e o necessário incentivo de volta aos palcos por meio do grupo que depois eles chamaram para abrir os shows dessa turnê americana.
"O que nos marcou para retornarmos ao palco foi o SONIC YOUTH. Isto selou a nossa decisão de retornar, quero dizer, o poder e a beleza majestosa do som deles e das pessoas que eles são", acrescentou Vedder. Não era só a música deles, era simplesmente a energia que Vedder e o pessoal do PEARL JAM sabiam que eles trariam para aquela turnê e sabendo que eram boas pessoas.
Ele adicionou: “Thurston Moore (vocalista/guitarrista) e Kim Gordon (vocalista/baixista) do SONIC YOUTH eram casados e levaram a filha deles naquela turnê, Coco, que se interessou por mim. Ela ainda era muito criança e não sabia o que tinha acontecido conosco e não havia necessidade de saber, mas de vez em quando ela me trazia um cartão que desenhava com 02 flores e com as carinhas felizes, e me dizia que ela e eu éramos aquelas 02 flores”.
Relembrando esse ato simples e inocente de gentileza de uma criança que significou tanto em um momento de fragilidade para Vedder, foi apenas empoderador e era exatamente o que eles precisavam.
Vedder finalizou: "Tocar ao vivo, encarar multidões e estarmos todos juntos, nos permitiu começar a processar tudo o que tinha acontecido", mas sem o apoio do SONIC YOUTH, talvez o PEARL JAM nunca mais teria retornado aos palcos.
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