• by Brunelson

The Doors: como foi o último show da banda?


Hoje resolvemos mergulhar fundo em nossos arquivos para relembrar um desempenho muito triste na história do rock.

THE DOORS ainda sacudia o público com as suas canções subversivas enquanto Jim Morrison, uma caricatura de si mesmo, fornecia alguns presságios tristes, pois seria a última apresentação que ele faria.

Morrison, que morava em Paris na época do seu falecimento, foi encontrado morto na banheira do seu apartamento pela sua namorada/companheira, Pamela Courson. Morrison tinha 27 anos de idade e a causa oficial da sua morte foi diagnosticada como insuficiência cardíaca, no entanto, devido à lei francesa, nenhuma autópsia foi realizada pois não era exigida na época.

O lançamento do 6º e último álbum de estúdio do THE DOORS com Jim Morrison vivo, "L.A. Woman" (1971), coincidiu com a mudança de Morrison para Paris. O vocalista decidiu tirar uma licença após alguns meses intensos no estúdio de gravação, colocando a sua figura no anonimato que a Europa poderia lhe oferecer, em comparação com a movimentada Costa Oeste dos EUA.

Morrison disse uma vez em entrevista para a Circus Magazine referente a esta mudança geográfica: “Acho que eu estava farto da imagem que havia sido criada ao meu redor, com a qual às vezes cooperava conscientemente, mas na maioria das vezes inconscientemente”.

Ele acrescentou: “Era demais para realmente engolir e então acabei com isso em uma noite gloriosa. Eu acho que, o quê aconteceu foi que eu disse ao público que eles eram um bando de idiotas de merda para serem membros de um público. O que eles estavam fazendo lá? A mensagem básica era perceber que você não está realmente aqui para ouvir um monte de músicas de alguns bons músicos. Você está aqui por outra coisa... Por que não admitir e fazer algo a respeito?”

E qual era a indagação de Morrison? O público estava ali para ver o personagem Jim Morrison sendo desmontado por dentro.

Mas bem na verdade mesmo, THE DOORS estava prestes a sofrer uma grave implosão que culminaria em tragédia.


Tudo começou em 1967 no início de carreira, quando Morrison foi expulso do seu próprio show ao cantar as letras inéditas e edípicas da canção "The End". Foi ainda mais agravado em 1969 quando ele se "expôs" no palco, assim como todos os eventos que ele deixava em seu rastro. Como sintomas, Morrison tinha ficado acima do peso, estava constantemente bêbado e a sua arte estava caindo longe dele.


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No final de 1970, a banda havia retornado ao estúdio para terminar as gravações do seu último álbum, "L.A. Woman", e as sessões intensas levariam Morrison a fazer a sua viagem a Paris no final das gravações. O tempo que passaram gravando esse disco viu a banda trabalhar sem um produtor após uma briga com Paul A. Rothchild.

O grupo criou um estúdio de gravação improvisado em seu espaço de ensaio, um local que foi apelidado de The Doors Workshop, e foi posicionado em um prédio de 02 andares na Santa Monica Boulevard, Los Angeles.

Após as sessões de gravação terem terminado e antes de Morrison partir para Paris, a banda subiu ao palco num show em New Orleans para estrear algumas das canções desse disco e tudo começou bem.


Era 12 de dezembro de 1970 (foto) e Morrison subiu ao palco com o tipo de indiferença vagarosa que só os bêbados possuem e a banda passou por canções como "Roadhouse Blues" e alguns sucessos mais antigos, mas isso acabou parando quando Morrison começou a esquecer as letras.

Diante de um público resmungão, Morrison decide mudar o ritmo da apresentação e tentar contar uma piada que não teve graça nenhuma à plateia. O show desastroso continuou enquanto Morrison tentava cantar letras de outras músicas gritando por cima das canções que o grupo tocava, independentemente da música que fosse.

Claramente bêbado e sem direção, Morrison desabou no palco e se recusou a levantar. A banda estava totalmente enojada com as travessuras que Morrison vinha trazendo nos últimos tempos e o tecladista Ray Manzarek disse mais tarde em sua biografia: "Eu pude ver o espírito de Jim deixar o seu corpo, embora ele ainda estivesse parado ali no palco".


Continua sendo um dos momentos mais surpreendentes na carreira da banda e significou o fim de Jim Morrison como uma força da natureza.

Morrison acabou se levantando e conseguiu reunir entusiasmo suficiente para coagir a multidão a aplaudi-lo e clamar pelo retorno da banda para um bis, mas o glorioso retorno foi curto com Morrison apoiando-se no microfone como uma muleta e permitindo que o grupo começasse a tocar a clássica canção, "Light My Fire".

No entanto, durante o longo solo psicodélico que esta música apresenta, Morrison sentou-se na elevação (palco) da bateria e não conseguiu mais voltar ao microfone para terminar de canta-la. O baterista John Densmore conseguiu instigar Morrison a se levantar, mas apenas o suficiente para o vocalista se erguer e começar a quebrar o pedestal do microfone no chão do palco.


Era uma demonstração do ódio de Jim Morrison pela estrela popular que se tornara e pelo artista que ele deixou para trás.

Morrison iria para Paris em 1971 após completar as gravações do álbum "L.A. Woman" e ansioso para se reconectar ao seu trabalho original como poeta e escritor, tudo para escapar da natureza cáustica do seu vício.

Infelizmente, ele nunca escaparia dessa espiral...

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