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Radiohead: resenha da revista New Music Express sobre o 1º de 04 shows realizado em Londres, 2025

  • by Brunelson
  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura
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Confira a resenha que a revista britânica New Music Express fez sobre o 1º de 04 shows do RADIOHEAD em Londres, no dia 21 de novembro de 2025 na lendária O2 Arena (foto). Esta que foi a 1ª apresentação da banda em sua casa, após 07 anos sem realizar um show.


A revista concedeu nota máxima de 05 estrelas.


Confira:


RADIOHEAD ao vivo em Londres. Uma generosa e visceral seleção de sucessos (por assim dizer).


Ao chegarmos na O2 Arena para o show de abertura de residência do RADIOHEAD em Londres, somos recebidos por uma obra de arte de Stanley Donwood no corredor de acesso e pelas palavras do mantra moderno e sombrio da banda, a faixa "Fitter Happier" (3º disco, "OK Computer", 1997), escrita em um imponente banner pendurado no teto da que era chamada a antiga Millennium Dome. 


Junto com o OASIS, o RADIOHEAD é o outro grande retorno do rock desse ano, vindo com um sabor diferente de expectativa, mas não menos palpável. Trocamos os chapéus de pescador e os brindes com cerveja para o céu de verão, por rastejar pela noite gelada para nos reunirmos na melancolia. 


Essa noite, sou um porco numa gaiola tomando antibióticos.


É difícil acreditar que já se passaram 09 longos anos desde o último álbum do RADIOHEAD, o opulento, porém melancólico, "A Moon Shaped Pool" (9º disco, 2016), e que a banda não faz turnês desde 2018. Desde então, tivemos projetos paralelos – com destaque para a subestimada carreira solo do guitarrista Ed O'Brien como EOB, e Thom Yorke (vocalista) e Jonny Greenwood (guitarrista) quase como RADIOHEAD em tudo, menos no nome, com seu jazz rock irregular com a banda paralela THE SMILE – e uma dose de controvérsia.


A multidão cerca o palco, montado em formato circular bem no meio da O2 Arena para uma experiência muito mais íntima e imersiva do que a maioria dos shows corporativos em enormes arenas permite. Um som pulsante saindo das caixas cria expectativa para o início da apresentação, antes da banda entrar e partir imediatamente para a velha escola com a melancolia desafinada da guitarra na canção "Planet Telex", a música de abertura do álbum "The Bends" (2º disco, 1995). É a primeira de muitas jogadas para agradar o público, vinda de uma banda nem sempre conhecida por elas, enquanto a sala lotada responde em coro e em êxtase, com o refrão: "Tudo está quebrado / Por que vocês não conseguem esquecer?", unida contra a merda que vem de todas as direções da sociedade.


Com uma abordagem mais informal, que levou a banda a ensaiar mais de 70 músicas para essa turnê de retorno – apresentando até aqui 43 delas – este show não se resume à repetição de hits como dos shows do OASIS - o que é um prazer ser surpreendido. O repertório é equilibrado entre os clássicos dos álbuns "OK Computer" e "In Rainbows" (7º disco, 2007), além do antes criticado, mas agora justamente reavaliado, o álbum "Hail to The Thief" (6º disco, 2003).


Ou seja, uma seleção de sucessos no estilo RADIOHEAD, mas obviamente sem a música "Creep", pontuada por ocasionais curiosidades glamourosas para dar um respiro.


Você tem a paranoia política estrondosa da canção "2+2=5", a grandiosa e agridoce música "Lucky", a rave pulsante da canção "15 Step" e o glorioso refrão para cantar junto da música "No Surprises" logo no começo do show. É um capítulo de abertura também salpicado pelo hardcore feliz da canção "Sit Down Stand Up", e da frágil música "Bloom", com a canção "The Gloaming" emendando na música "Kid A", permitindo ao setlist um necessário colapso antes que a coisa fique realmente séria.


A partir daí, não há espaço para uma pausa para ir ao banheiro. Da ternura melancólica da canção "Videotape", passando pela sequência alucinante com as músicas "Weird Fishes", "Idioteque" e "Everything in its Right Place", até para as canções mais intensas do álbum "In Rainbows" e o grandioso encerramento antes do encore break com a música "There There".


Em suma, é tudo o que um fã do RADIOHEAD poderia desejar, e ainda por cima, visualmente deslumbrante.


Em seguida, vem a recompensa com um bis de 07 canções que, no papel, parece que foi feita por um fã aficionado – incluindo o recente sucesso viral da música "Let Down", uma incursão ousada na canção "Just", que segundo relatos da própria banda: "É uma música que escrevemos em uma fazenda congelante em 1994", com o ponto final estrondoso da noite com a canção "Karma Police". 


Que show! Uma energia visceral, um espetáculo de bom gosto e tudo entregue com generosidade de espírito, Yorke em modo rockstar total enquanto que os membros da banda trocam de lugares no palco para atender a cada canto do local. Para uma banda que antes se sentia constrangida pela ideia de "rock de arena", ninguém faz melhor. 


Um novo álbum de estúdio e outra noite como essa, nunca chegam cedo demais em nossas vidas.


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