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Queens of The Stone Age: resenha sobre a música "Burn The Witch"


Quando Josh Homme, vocalista/guitarrista do QUEENS OF THE STONE AGE, gravou a música "Burn The Witch" e que se tornaria o 3º e último single do álbum "Lullabies to Paralyze" (4º disco, 2005), ele tinha alcançado 02 objetivos não relacionados: trabalhar com um dos seus ídolos, Billy Gibbons (vocalista/guitarrista do ZZ TOP), e silenciar os seus críticos.

Homme ficou frustrado com as críticas que recebeu da mídia e de alguns fãs, após a demissão do baixista e membro fundador da banda, Nick Oliveri (chegaram a ser parceiros antes no grupo KYUSS). Oliveri contribuiu fortemente para os 03 álbuns de estúdio que a banda tinha lançado até então: "Queens of The Stone Age" (1º disco, 1998), "Rated R" (2º disco, 2000) e "Songs For The Deaf" (3º disco, 2002).

Homme mais tarde revelou numa entrevista que a demissão de Oliveri foi em grande parte estimulada por agressão física entre o baixista e sua namorada. No entanto, a razão por trás da decisão foi inicialmente e por anos mantida em sigilo, levando muita gente a acreditar que o motivo real era o abuso de drogas.

Este interesse pela mídia canalizou algumas frustrações e irritações por parte de Homme e quando foram gravar o 4º álbum sem o baixista Nick Oliveri, foi na canção "Burn The Witch", uma música pesada e gritante misturada com blues e que se destacaria no disco "Lullabies to Paralyze", que Homme iria armar a sua resposta.

“Eu me senti um pouco perseguido”, admitiu Homme anos depois à revista Spin sobre a demissão de Oliveri. “Porque eu demiti o meu melhor amigo, foi muito difícil e não era nada sobre música. Eu simplesmente não disse nada em público, pensando que as pessoas respeitariam essa decisão, mas em vez disso, senti essas redes sociais me atingindo. Em vez de dizer 'me sinto perseguido', escrevi 'Queime a Bruxa'” ("Burn The Witch").

A inspiração lírica viria dos contos das Bruxas de Salem, uma época infame na história colonial americana em que as pessoas eram executadas por suposto envolvimento em bruxaria. Homme viu paralelos entre essa perseguição e as críticas infundadas que recebeu: “Eu pensei: 'Bom, isso está claro como o dia’”, explicou Homme sobre a mensagem da música, “e é mais interessante do que escrever: ‘Qual é o seu problema?’, mas as pessoas não perceberam”.

Embora os ouvintes possam não ter inicialmente compreendido a mensagem mais profunda por trás da música “Burn The Witch”, um aspecto da canção imediatamente se destacou: o envolvimento de Billy Gibbons.

O frontman do ZZ TOP ofereceu uma dupla "ameaça" à música, entregando os vocais e também uma parte de sua guitarra escaldante.

“Esta foi a música perfeita para tocar com Gibbons”, Homme explicou no comentário do DVD do QUEENS OF THE STONE AGE, "Over The Years and Through The Woods" (2005). Ele continuou: “Não existia nada ainda no 1º dia quando tocamos com ele no estúdio, realmente nada, mas então, na noite seguinte, ele estava lá conosco e pronto pra mandar a ver".

Homme há muito admirava Gibbons e apreciava a oportunidade de trabalhar ao lado do ícone barbudo. Além de gravar a canção "Burn The Witch" (que ganhou um videoclipe), QUEENS OF THE STONE AGE fez um cover de "Precious and Grace" do ZZ TOP junto com Gibbons, a lançando como bônus neste citado DVD.


Gibbons se juntou ao QUEENS OF THE STONE AGE para várias apresentações da música "Burn The Witch", incluindo uma aparição no programa de TV americano, The Tonight Show With Jay Leno, em novembro de 2005. A canção só seria lançada mais tarde como single em 10 de janeiro de 2006.

A música ganhou um pequeno destaque nas rádios, mas se tornou numa das favoritas dos fãs e nos shows, chegando a aparecer em trilhas sonoras de seriados da TV, como "True Blood" e "Peaky Blinders", bem como no filme de terror "Jogos Mortais II".

02 anos depois, o vocalista/guitarrista do ZZ TOP também foi escalado para contribuir no próximo álbum do QUEENS OF THE STONE AGE, "Era Vulgaris" (5º disco, 2007). No entanto, os conflitos de datas e agendas eventualmente se tornaram um empecilho para que a colaboração novamente acontecesse.


“Quando conheci Billy Gibbons, foi para tocarmos juntos no estúdio naquele disco do QUEENS OF THE STONE AGE. Ele estava tocando, atingia a sua nota e a sua barba caía e silenciava as cordas da guitarra, fazendo esse tipo de harmonia... Eu meio que fiquei sentado lá, atordoado e estupefato, tipo, olhamos um para o outro e foi como: 'Ok, este é o primeiro harmônico de barba que existiu", Homme relembrou, rindo. "Até a sua barba também é um guitarrista muito bom".


"Burn The Witch"


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