Queens of The Stone Age: os locutores de rádio nas vinhetas do álbum "Songs For The Deaf"
by Brunelson
1 de mar.
4 min de leitura
Enquanto conquistava a atenção do público com seu ótimo 2º álbum de estúdio, "Rated R" (2000), o disco sucessor do QUEENS OF THE STONE AGE impulsionou a banda ao zênite alternativo.
Em um clima de rock monótono, com tons bege e bufonaria new metal com bandas pós-grunge ao reboque, o 3º álbum do QUEENS OF THE STONE AGE, "Songs For The Deaf" (2002), atingiu o cenário musical como um raio psicodélico, uma tempestade vinda do deserto da California com ataques punk rock lisérgicos e um andar estridente sob o rock alternativo, que facilmente superou qualquer concorrente que orbitava o rock mainstream na época.
Seu impacto ficou tão gravado na mente de qualquer adolescente daquela época, que, até hoje, muitos adultos de 30 e poucos anos ainda se lembram do videoclipe da canção "No One Knows" quando pensam na banda.
Um álbum quase conceitual, "Songs For The Deaf" ilustra a viagem evocativa de Los Angeles ao Deserto de Mojave em um Dodge Challenger velho — o carro nunca é especificado, mas é o que chega mais perto quando você olha a foto do painel do carro que consta internamente no encarte do disco — com a adição inovadora de várias estações de rádio tocando, enquanto nosso misterioso protagonista atinge as estradas da Costa Oeste americana, passando pelas cidades de Banning e Chino Hills ao longo do caminho pelo deserto da California.
"Uma espécie de disco conceitual em que o rádio alterna entre as músicas, como o dial de um rádio", disse o baixista Nick Oliveri para a revista Rolling Stone pouco antes do lançamento do álbum. "E temos radialistas diferentes se pronunciando em cada estação de rádio, sejam anunciando músicas e meio que falando mal de como muitas rádios tocam a mesma coisa repetidamente. Estamos apenas nos arriscando e nos divertindo, sabe? São músicas que não tocam nas rádios, então, acho que deveríamos falar mal dessas rádios mesmo".
Mesmo assim, o álbum "Songs For The Deaf" chegou ao Top 20 no ranking da Billboard e a imprensa mundial de rock anunciou como o melhor disco do ano.
Voltando ao assunto, é um som de uma rádio cheio de estática, oscilando com sujeira e clareza, o que ofereceu a oportunidade perfeita para convidar velhos amigos e alguns de seus heróis para atuarem como radialistas em curtas vinhetas, além de zombar da cultura radiofônica de Los Angeles.
Então, quem são os locutores de rádio no álbum "Songs For The Deaf" que se pronunciam entre uma música e outra?
São vários. O vocalista da antiga banda de Nick Oliveri, DWARVES, chamado Blag Dahlia, inicia a chamada de rádio fictícia como o DJ Kip Kasper para a Rádio Klon-Klone de Los Angeles, seguido pelo vocalista do ELEVEN, futuro ex-membro do QUEENS OF THE STONE AGE e guitarrista do THEM CROOKED VULTURES, Alain Johannes, que canta uma animada ladainha em espanhol como DJ Héctor Bonifacio Echeverría Cervantes de la Cruz Arroyo Rojas. Enquanto nosso protagonista vai dirigindo seu carro para fora da região metropolitana de Los Angeles, o antigo produtor da ex-banda de Josh Homme, KYUSS, chamado Chris Goss, empresta sua presença ao DJ Elastic Ass para a KRDL-Kurdle 109 de Chino Hills.
Outro amigo da banda, DJ C-Minus, da turnê Family Values de 1998, apresenta o programa Kool, e o vocalista do AMEN, Casey Chaos, aparece em um comercial rápido promovendo "tudo death metal, o tempo todo". À medida que a expansão urbana de Los Angeles se distancia cada vez mais no espelho retrovisor do carro do protagonista, Twiggy Ramirez, da banda solo de Marilyn Manson, pontua a mística invasiva do deserto, enquanto o DJ Tom Sherman, do Banning College Radio (discussões sobre a proibição de certas músicas em rádio universitária), e o provocador de filmes-B do THE CRAMPS, Lux Interior, assumem o papel de DJ's na sequência.
Para finalizar, Jesse Hughes, do EAGLES OF DEATH METAL, interpreta um pregador, e outra colega de banda do ELEVEN, esposa de Alain Johannes e futura ex-membro do QUEENS OF THE STONE AGE, Natasha Shneider, interpreta a DJ sinistra da Rádio WOMB. Por fim, o guitarrista Dave Catching, proprietário do estúdio Rancho De La Luna, das famosas Desert Sessions de Josh Homme no meio do deserto, apresenta o WANT, de Wonder Valley.
E assim, as partes constituem o todo, moldando esse clássico álbum de rock que ficou marcado na história e nos instigando mais ainda querer escuta-lo na íntegra.
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