• by Brunelson

Jeff Ament: "criamos uma plataforma para Eddie cantar todas as coisas pra fora", sobre o disco "Ten"


"Não pensávamos que isso iria acontecer conosco”, disse o baixista do PEARL JAM, Jeff Ament, sobre o 30º aniversário do álbum de estreia, "Ten" (1991).


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Confira alguns trechos da matéria e entrevista que Ament havia concedido recentemente à revista britânica Kerrang.


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Jeff Ament já havia dito que não era uma pessoa nostálgica. Por exemplo: quando foi apresentada a ele a ideia de que o PEARL JAM deveria fazer um documentário de longa-metragem sobre a sua ilustre carreira para o 20º aniversário da banda em 2011 - chamado "PJ20" - ele admitiu na entrevista que não curtiu a ideia no primeiro momento.

“Eu fui inflexivelmente contra isso no começo”, ele riu. “Era só porque eu queria seguir em frente, mas gosto de realmente aproveitar aqueles momentos em que algo especial está acontecendo e eu não acho que fiz isso nos primeiros 20 anos - ou não fiz muito. Eu realmente não aceitei fazer mas apreciei o que foi feito. Acho que me sinto muito mais assim dessa forma que falei agora nos últimos 10 anos”.

Embora o baixista admita que já faz um longo tempo desde que realmente se recostou no sofá e ouviu o disco "Ten" em sua totalidade - “Só porque nós sempre tocamos todas aquelas músicas desse álbum nas turnês, então, eu não tenho que voltar lá e reaprender alguma coisa, sabe?” - o mundo da música em geral provavelmente fará tudo para comemorar um dos álbuns mais marcantes do rock e que está fazendo aniversário hoje, em 27 de agosto de 2021 - mesma data de lançamento do álbum "No Code" (4º disco, 1996), que está fazendo 25 anos.


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"Ten" é aquele tipo de disco tão raro que é onipresente com canções que nunca realmente desapareceram do foco desde o seu lançamento.

Uma das poucas estreias preciosas que podem ser consideradas legitimamente perfeitas, o álbum "Ten" vendeu mais de 10 milhões de cópias apenas nos EUA, ao mesmo tempo que se tornou uma parte definidora da descoberta da música alternativa dos anos 90. A história do disco é bem manuseada, não apenas em relação à gravação, mas também como a intensidade do primeiro encontro do grupo com a fama cobrou um grande tributo pessoal dos seus criadores.


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Jeff Ament relembra sobre essa época: “De certa forma, Stone Gossard (guitarrista) e eu tivemos sorte, pois pelo menos já tínhamos passado por uma grande gravadora quando estávamos no MOTHER LOVE BONE. Não que tivéssemos algum verdadeiro sucesso com isso, mas estávamos perto de algumas outras bandas que estavam tendo sucesso e passando por isso. Sabíamos que essa era uma possibilidade de que esse maremoto pudesse atingi-los e você poderia ficar com alguma sobra, eu só não achei que isso fosse acontecer diretamente conosco, quero dizer, meu caralho!"


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Então, a consciência do PEARL JAM das pressões do sucesso lhes deu algum tipo de armadura psicológica para quando a atenção do mundo se voltasse para eles?

“Ainda não estávamos preparados para isso”, refletiu Jeff Ament. “Principalmente do jeito que aconteceu... Toda a coisa de Seattle foi uma época muito louca, mesmo apenas do ponto de vista enérgico. Realmente passou de você ser completamente anônimo em seu pequeno bairro, onde você sempre vê a mesma pessoa no supermercado e a mesma pessoa na lanchonete, para então, de repente, essas mesmas pessoas estão olhando para você de maneira diferente e falando sobre você”.

Em 2021, o disco "Ten" continua a ser uma audição surpreendente, mas mesmo em um álbum que contém a emoção de estourar os sentimentos em músicas como "Alive" e "Black", outro do seu momento mais comovente é indiscutivelmente a canção de encerramento do disco, "Release".


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No livro (e documentário) "PJ20", Eddie Vedder refletiu sobre como essa música - originalmente com 10 minutos de duração - o fazia se direcionar ao seu pai que ele nunca conheceu enquanto crescia.

“Eles começaram a tocar e eu simplesmente comecei a cantar”, escreveu Eddie Vedder no livro. “E então, depois disso, fiquei totalmente arrasado. Eu saí para um pequeno corredor e Jeff veio atrás de mim e disse: ‘Você está bem?’ Eu estava tendo um momento e a maioria das palavras foram criadas naquela primeira tomada... Eu ainda estava pensando em coisas sobre o meu pai e a morte dele”.

Jeff Ament ainda se lembra dessa história do corredor: “Nós tínhamos acabado de nos conhecer, então, acho que todos estavam extremamente sensíveis com a forma como as coisas estavam indo, sabe? Eu só queria ter certeza de que ele estava bem, porque eu não tinha 100% de certeza sobre o quê tinha deixado ele chateado. Quando estávamos trabalhando nessas músicas, você podia ouvir as melodias e a emoção rolando, mas realmente não conseguia ouvir ou entender as palavras que Eddie cantava. Isso não aconteceu até que chegamos ao estúdio para gravar o disco”.

Quanto à sua reação inicial quando finalmente ouviu a letra de Eddie Vedder na música "Release", Ament finalizou: “Estávamos escutando a canção na mesa de som e você pensava: 'Nossa, este é um grande lançamento'. O que quer que tenha acontecido naquele álbum, criamos uma plataforma para Eddie que o fez se sentir confortável o suficiente para colocar todas as suas coisas pra fora e obviamente, muitas pessoas responderam ao que ele estava cantando”.


"Release"


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