Chris Cornell: o compositor que ele disse que "tinha um contraste lírico que eu nunca tinha escutado antes ou depois"
by Brunelson
há 4 minutos
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É impossível para algum artista ter a noção exata do que as pessoas querem ouvir ao longo de sua carreira.
Na verdade, a grande parcela quer as músicas mais conhecidas de uma banda para assistir em um show, mas sempre tem aquela outra parcela mais aficionada que quer escutar os lados-b e canções que são raras de serem tocadas ao vivo.
Uma coisa é capturar o espírito de um álbum específico e fazê-lo ressoar por anos, mas artistas como os BEATLES alcançaram um novo patamar de grandeza ao fazer música que todas as gerações foram capazes de abraçar, independentemente da idade (NIRVANA manda um abraço).
E embora a música do SOUNDGARDEN pertença a esse lugar atemporal, Chris Cornell sempre prestou atenção àqueles com um dote singular que ninguém conseguia reproduzir adequadamente.
Até porque a música do SOUNDGARDEN, apesar de cair nas graças do público mainstream, é um animal diferente e singular, com suas afinações alteradas, compassos estranhos, cheia de contratempos e solos decapitados. A maioria de suas canções não estão em uma afinação convencional, e mesmo quando estão em um idioma que as pessoas conseguem entender, Cornell adiciona um compasso de 5/4 em uma música como "Fell on Black Days" ou garante que a canção seja produzida como se viesse do outro lado do espaço sideral, como em "Black Hole Sun" (ambas lançadas no 4º disco, "Superunknown", 1994).
Mesmo que a sonoridade da banda possa ser uma "bagunça" para qualquer leigo querer entender e digerir, esse era o poder de Cornell, em conseguir amarrar tudo e com seu vocal entregar música que não "mostrasse" essa estranheza e agradasse ao público mainstream.
Por outro lado, o objetivo de Cornell sempre foi fazer as coisas soarem estranhas, e ninguém na cena de Seattle queria fazer música para as massas na esteira comercial do movimento hair metal dos anos 80, então, a melhor opção era encontrar conceitos estranhos para se divertir.
Mas em termos de influência, Cornell sempre retornou ao que Syd Barrett fazia nos primórdios com o PINK FLOYD (vocalista/guitarrista/compositor e membro fundador).
Infelizmente, a versão de Barrett não duraria muito no PINK FLOYD, mas Cornell acreditava que seu trabalho com o grupo certamente se manteria por gerações, afirmando uma vez em entrevista: "As letras de Syd Barrett, principalmente no 1º disco do PINK FLOYD, são assustadoras e sombrias, mas suas letras eram uma espécie de circo caleidoscópicas e cartunísticas, com um contraste que eu nunca tinha escutado antes ou depois. Se alguém me dissesse que era uma banda novinha em folha surgindo, sem dúvida nenhuma eu iria vê-los em um show e acharia ótimo".
Mas esse tipo de contraste era tanto a bênção quanto a maldição da identidade artística de Barrett. Observar o tipo de shows caleidoscópicos que o PINK FLOYD fazia naquela época era uma das experiências mais poderosas que qualquer banda de rock poderia ter, mas depois de muitos anos, o colapso mental de Barrett ocasionando na sua dispensa da banda, deixou pessoas como Cornell com apenas os 02 primeiros álbuns do PINK FLOYD e seu trabalho solo para se ter lembranças da sua arte.
Portanto, embora álbuns clássicos do PINK FLOYD como "The Dark Side of The Moon" (8º disco, 1973) e "Animals" (10º disco, 1977) tenham conquistado seu lugar na história da música em geral, é importante que ninguém se esqueça de suas origens, que era o tipo de mundo que Barrett criou nos primeiros discos da banda junto com sua performance de palco que sempre serão únicos.
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