Metallica: o vocalista grunge que James Hetfield disse que lhe inspirou nos anos 80 e 90
by Brunelson
há 14 minutos
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Houve um momento estranho no início dos anos 90 em que o grunge e o metal pareciam duas forças opostas. Porém, foi nesse ponto que o vocalista/guitarrista do METALLICA, James Hetfield, resolveu abraçar a onda.
Culturalmente, o apelo do grunge é óbvio. Gêneros e subculturas como o punk rock e o hard rock podem ter oferecido uma válvula de escape mais acelerada, mais imponente e abertamente agressiva, como uma verdadeira festa de rua repleta de vozes raivosas que só queriam ser ouvidas. Mas o grunge surgiu com uma resignação mais derrotada, mas não menos indignado, só que muito mais desiludido com a perspectiva de tempos melhores e percebendo que o mundo que tinham nos prometido quando éramos crianças, não era bem assim...
Sua popularidade também significou um declínio em outros espaços. O glam metal dos anos 80, por exemplo, sofreu com a ascensão do grunge, com mais pessoas se identificando com a maneira como o grunge abordava todos os temas característicos do punk rock, como opressão, capitalismo, consumismo e preconceito, mas com uma perspectiva aparentemente mais autêntica.
NIRVANA foi o líder óbvio regendo o grunge ao público mainstream no começo dos anos 90, mas o SOUNDGARDEN também teve um papel fundamental em moldá-lo em um movimento mais influente.
E para alguém como Hetfield, os vocais eram um grande diferencial da coisa toda. Pense em qualquer banda grunge de destaque – NIRVANA, SOUNDGARDEN, PEARL JAM, ALICE IN CHAINS, SCREAMING TREES, MUDHONEY, MELVINS e tantas outras – todas elas contavam com vocalistas impecáveis (fossem técnicos ou não), cujas vozes quase se destacavam como ferramentas poderosas e totalmente singulares umas das outras, carregando a essência emocional das músicas antes mesmo de você ter a chance de se aprofundar nas letras.
Quando lhe perguntaram quem eram os maiores cantores de todos os tempos, Hetfield listou todos os nomes de sempre, como Freddie Mercury (QUEEN), Robert Plant (LED ZEPPELIN) e Ozzy Osbourne (BLACK SABBATH), além do próprio vocalista do SOUNDGARDEN, Chris Cornell. De modo geral, o SOUNDGARDEN teve um impacto significativo no som do METALLICA. Particularmente durante a criação de discos como o "Black Album" (5º disco, 1991), o SOUNDGARDEN foi um ponto de referência fundamental que tanto Hetfield quanto o guitarrista Kirk Hammett usaram como principais inspirações - vide o maior clássico da banda e lançado nesse mesmo disco, a canção "Enter Sandman".
Hetfield disse certa vez que a banda e a maneira como Cornell cantava, ensinaram a eles os elementos fundamentais da dinâmica de uma música e como moldar os vocais para se encaixarem nos arranjos e vice-versa: "O que aprendemos sobre uma maneira diferente de compor com o SOUNDGARDEN, foi que você toca um riff durante toda a música e o vocalista simplesmente improvisa uma outra coisa fora do riff por toda parte para a mesma funcionar", explicou ele uma vez em entrevista para Q Magazine.
Ele continuou: “Na verdade, você precisa de um cantor realmente bom como Chris Cornell para fazer isso, o que nos intrigou muito, sabe? A música, ‘King Nothing’ (6º disco, "Load", 1996), faz sentido nesse contexto. Foi uma das primeiras músicas logo após o 'Black Album' e foi uma referência a canção ‘Enter Sandman’”.
Foi isso também que acabou por tornar o METALLICA em uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, sua capacidade de pegar emoções complexas, muitas vezes pesadas, para torná-las acessíveis de uma forma que raramente é polida, como um livro aberto que apresenta todas as diferentes facetas da sua própria vida.
E se você consegue refletir isto em sua performance vocal, é aí que reside o verdadeiro dom e integridade de um artista - o que é realidade mesmo que vem de uma cultura, e não uma coisa artificial, um produto.
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