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  • by Brunelson

Beastie Boys: qual a faixa da banda comparada a Beethoven?


Quando o BEASTIE BOYS entrou em cena pela 1ª vez em 1986 com o estouro que foi o seu álbum de estreia, "Licensed to I'll", foi incrivelmente fácil não levar a sério nada do que eles diziam.

Vindo dos primórdios do hip-hop, ouvir um bando de garotos brancos tentando fazer batidas no mesmo nível de grupos de rap consagrados como o RUN-DMC, poderia ter sido visto como uma paródia do que o gênero deveria ser. Embora o trio inicialmente tenha hesitado em adotar o estilo de "os novos queridinhos de New York" pelo qual se tornaram conhecidos, eles passaram o resto de suas carreiras se afastando o máximo possível do seu estilo original.

Durante o resto da década de 90, a banda passaria falando sobre temas muito mais complexos do que as letras de suas músicas da década anterior, sendo que essa faísca já vinha querendo acender logo em seu 2º álbum de estúdio, "Paul’s Boutique" (1989, foto).

Mas voltando às questões musicais e ao contrário dos samplers tradicionais de hip-hop que se usavam apenas uma única vez para toda uma música, o trio criou uma experiência quase psicodélica em todo o álbum "Paul's Boutique", com cada canção utilizando vários samplers para contar uma história através da música. Enquanto o grupo criou uma textura sonora enorme em cada canção desse disco, os movimentos engenhosos foram guardados para a faixa final do álbum.

Pegando pedaços de músicas e cortando-os em pequenos fragmentos, a canção "B-Boy Bouillabaisse" foi uma das composições mais inovadoras que o gênero já tinha visto, onde eles criaram um medley de sons diferentes todos juntos como se fosse um ensopado musical. Porém, ao falarem sobre a montagem dessa faixa, a banda pensou que, o que eles estavam fazendo estava mais próximo da música clássica do que do hip-hop e rap.

Falando sobre a forma como cada peça foi costurada nessa faixa, o vocalista/baixista do BEASTIE BOYS, Adam Yauch (MCA), comentou uma vez em entrevista que o produto final poderia ter sido criado por Beethoven: “Imagine se o meu amigo Beethoven tivesse uma porra de um sampler”. Embora muitos fãs de música clássica possam não ver muitas correlações entre esse gigante clássico e um bando de garotos de New York cantando rap, os resultados estão provavelmente mais próximos do que Beethoven teria feito na era moderna.

Como ele sempre foi conhecido por ir além com as suas composições, é fácil ver como músicos clássicos como Beethoven poderiam ficar fascinados por samplers, convidando a novas maneiras de reinventar seu som fora da harmonia tradicional. Mesmo que o BEASTIE BOYS estivesse à beira de algo grande e maior do que já eram nos anos 80, ficar restrito somente à sonoridade hip-hop não seria um caminho que eles iriam trilhar nos anos 90.

O álbum "Paul’s Boutique" continua sendo uma visão impressionante do que o rap é capaz quando vai além da sua estrutura de batida tradicional. Os BEASTIE BOYS podem ter criado algo estranho para a época, mas a reinvenção massiva de samplers tradicionais como esse é algo que o hip-hop nunca mais verá em sua história.


"B-Boy Bouillabaisse"








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