Jimi Hendrix: resenha do álbum “Valleys of Neptune”

February 8, 2018

 

Em 2010, foi lançado um novo álbum póstumo de JIMI HENDRIX, “Valleys of Neptune”. E no encarte do livrinho que acompanha esse disco, consta uma resenha do produtor musical, John McDermott. Assim como o fiel engenheiro de som de Jimi, Eddie Kramer, John também participava dos processos de produção das gravações enquanto Jimi ainda era vivo.

 

Sem muito rodeio, a resenha por si só desmistifica a história por trás de cada música presente aqui nesse álbum (e sim, inéditas músicas e versões também), além de fazer cair por terra alguns álbuns póstumos "não oficiais" que foram lançados somente com o intuito de faturar um valor em cima, com produções precárias, gravações toscas e até complementos musicais de canções inacabadas de Jimi, feitas por músicos que ele nunca havia tocado junto, muito menos em tê-los conhecido...

 

Então, segue a resenha traduzida na íntegra logo abaixo:

  

 

"Eu tinha planos que eram inacreditáveis, mas em seguida, querendo ser um guitarrista, as coisas pareciam inacreditáveis de uma só vez". Jimi Hendrix

 

O álbum póstumo de JIMI HENDRIX, "Valleys of Neptune" (2010), ilustra a extraordinária evolução criativa de Jimi em 1969 (que foi o ano mais tumultuado da sua vida e da sua célebre carreira). Este álbum, que nos apresenta 12 músicas e versões nunca antes lançadas, inclui também as últimas gravações originais de estúdio feitas por JIMI HENDRIX, mostrando como a banda se esforçou para criar uma sequência digna para o seu 3º álbum de estúdio, "Electric Ladyland" (1968), bem como os primeiros esforços de Jimi em traçar um novo rumo para a sua banda, com o seu baterista membro original do grupo, Mitch Mitchell, e com o seu novo baixista, Billy Cox.

 

11 das 12 músicas desse álbum foram gravadas em meio ao arrebol do disco "Electric Ladyland", o alastrado álbum duplo no estilo best-seller, cujas extensas sessões de gravação (foram documentadas 1.968 tomadas) fez com que um dos seus empresários/produtor, Chas Chandler, abandonasse este projeto e irremediavelmente alterasse a relação entre Jimi e o seu baixista membro original da banda, Noel Redding. Destemido, Jimi pressionou para frente à gravação deste álbum seguro no seu duplo papel como artista, e agora, produtor. O álbum "Electric Ladyland" mesmo assim foi um sucesso comercial e de crítica validando como sempre a visão criativa de Jimi. "Cada nota tocada neste álbum significa alguma coisa", ressaltou Jimi em uma entrevista realizada logo após o seu lançamento.

 

Em Janeiro/1969, a turnê europeia que estava promovendo o seu 3º álbum expôs ainda mais a desarmonia crescente que estava sendo criada dentro da banda, especialmente entre Jimi e Noel Redding, cuja relação havia se deteriorada ainda mais nos meses seguintes. Jimi retornou a Londres em Fevereiro/1969 e as sessões com a sua banda foram agendadas no Olympic Studio, que era uma instalação independente onde Jimi havia gravado a maior parte dos seus 03 primeiros álbuns de estúdio.

 

O álbum "Valleys of Neptune" inclui 03 músicas da banda que foram gravadas no dia 16 de Fevereiro/1969 no Olympic Studio. São elas, "Lover Man", "Sunshine of Your Love" e "Crying Blue Rain". Nesta noite, Jimi convidou o percussionista Rocki Dzidzornu (talvez, melhor conhecido pelas suas contribuições para a música do ROLLING STONES, "Sympathy for The Devil") para também participar e tocar na temperamental música, "Crying Blue Rain".

 

A canção "Lover Man" tinha raízes ainda mais profundas. Jimi havia modelado a sua composição tendo como base a clássica música de BB KING, "Rock Me Baby". Uma versão mais acelerada da canção "Rock Me Baby" era uma das favoritas e fazia parte do repertório na fase inicial da banda de Jimi, mas em 1968, a música começou a evoluir para a própria versão de Jimi, agora tocada de uma forma completa com novas e originais letras para ela. Jimi tinha Mitch Mitchell, e Noel Redding ainda estava na banda, sendo que eles adotaram um andamento mais lento nessa gravação comparada com a versão que eles tocavam no início da banda ou em versões já gravadas. O grupo juntou-se mais uma vez com o percussionista Rocki Dzidzornu que tocou o instrumento conga nesta gravação. A banda gravou 03 sessões incompletas desta canção, o que levou ao 4º e último esforço e que rendeu a gravação máster que está caracterizada aqui neste álbum.

 

Aproveitando o impulso da sua banda, Jimi havia decidido que o próximo single a ser lançado seria o cover da música "Sunshine of Your Love", da banda CREAM. Cada membro da sua banda admiravam o CREAM e todos do grupo de Jimi tinham amizade com os membros do CREAM, sendo que a canção "Sunshine of Your Love" era uma das canções favoritas de toda a banda de Jimi. Para esta gravação, o grupo utilizou um arranjo instrumental único que Jimi havia inventado para as suas performances ao vivo quando a música era tocada. Sua inicial tentativa de grava-la quase se desfez rapidamente, mas uma 2ª inspirada tentativa garantiu a sua versão máster.

 

Na noite seguinte, Jimi mudou de marcha completamente e dirigiu a sua banda através de uma sessão exclusiva no mesmo Olympic Studio. A banda foi programada para executar o 1º de 02 concertos na famosa casa de shows em Londres, Royal Albert Hall, no dia 18 de Fevereiro/1969 (que seria no dia seguinte). Este show era para ser filmado e gravado para um proposto filme teatral. Em preparação, Jimi liderou a sua banda através de novas gravações de algumas músicas já conhecidas, para as quais ele havia feito novos arranjos elaborados para leva-las a um estágio agora de: “recém-estendidas”. 06 músicas foram tocadas e gravadas nesse estúdio de forma ao vivo, sem nenhuma gravação adicional em cima das mesmas ou inclusão de novas camadas sonoras. 02 dessas gravações, que foram as músicas "Spanish Castle Magic" e "Hear My Train a Comin'", haviam sido lançadas pela 1ª vez como parte do box set, "Jimi Hendrix Experience", (2000). Uma sessão enérgica da música "Fire" e um remake soberbo para a canção "Red House", fizeram as suas estreias muito bem recebidas aqui no álbum “Valleys of Neptune” como parte dessa coleção.

 

Em Abril/1969, a banda se reuniu em New York antes de iniciar uma grande escala por todo os EUA que seria ainda a etapa da turnê americana do 3º álbum de estúdio. Esta turnê americana iria começar em North Carolina no dia 11 de Abril/1969, enquanto que Jimi era firme em seus esforços para continuar gravando músicas em estúdios e para desenvolver os seus novos materiais. Para tentar melhorar a atmosfera criativa, as sessões foram agendadas no Olmstead Studio, uma instalação nova para a banda e localizado no topo de um edifício no centro de Manhattan. Apesar do seu novo ambiente, os velhos problemas entre Jimi e do seu baixista, Noel Redding, imediatamente subiram à superfície.

 

Para Jimi, estúdios de gravação tinham assumido o papel principal para o seu desenvolvimento em um novo material. Dentro desse ambiente criativo (escondido bem longe das exigências aparentemente incessantes para que ele fizesse mais aparições públicas), Jimi iria refinar os seus padrões férteis de ritmo em algumas das suas canções já conhecidas. Ele já não tinha mais tempo/oportunidade para se sentar de frente com o seu antigo empresário/produtor, Chas Chandler, da mesma forma que eles compartilhavam quando Jimi ainda morava no seu apartamento em Londres, uma vez que eles trabalhavam juntos em novas músicas antes das sessões de gravação em algum estúdio ou até mesmo no início de carreira, antes de Chad ter apresentado Jimi para Mitch Mitchell e Noel Redding. Esta mudança fundamental na estratégia de se trabalhar em novos materiais e registros nos estúdios confundiu a cabeça de Noel. O baixista não compartilhava da mesma filosofia de Jimi, reclamando muito sobre as excessivas e demoradas sessões de gravações que eram tomadas por Jimi. Além disso, ainda era de conhecimento privado que, se Noel não produzisse as partes de baixo desejadas por Jimi, o guitarrista iria simplesmente substituí-lo.

 

Depois de 04 dias difíceis, o experimento no Olmstead Studio foi abandonado e a banda mudou-se para o estúdio Record Plant. No dia 07 de Abril/1969, a banda se reagrupou saindo do seu marasmo criativo para realizar 03 novas gravações, que foram as músicas "Hear My Train a Comin’”, "Lullaby for The Summer" e um remake da canção "Stone Free", todas também presentes aqui neste álbum.

 

A formação de bolhas da canção "Hear My Train a Comin'" foi uma conquista significativa, sendo uma composição original de blues equivalente à canção "Red House" e sendo também uma das canções mais cativantes que Jimi criou em todo o saldo da sua carreira. As raízes dessa música estão fincadas no passado da história musical americana, sendo que em 1967, Jimi já havia executado essa canção através de uma bela rendição formal, se apresentando no programa da rádio inglesa BBC. Uma versão mais célebre surgiu depois da morte de Jimi, quando as filmagens do seu improviso capturou uma performance acústica em um violão de 12 cordas durante uma sessão de fotos em Dezembro/1967, Londres. Esta ocasião foi memoravelmente apresentada como parte do filme/documentário oficial sobre JIMI HENDRIX, lançado em 1973.

 

Esta gravação do dia 07 de Abril/1969 também foi registrada no estúdio em forma ao vivo e foi capturada em uma única tomada. Emoldurada pela liderança evocativa devido ao trabalho da sua ardente guitarra e pelo vocal de Jimi, essa gravação da música “Hear My Train a Comin’”, efetivamente, faz uma cópia fiel a versão enérgica e queimante que a banda apresentava nos shows.

 

Apesar da sua óbvia promessa, "Hear My Train a Comin '" estava entre as dezenas de gravações inéditas de estúdio de Jimi no momento da sua morte em Setembro/1970. Lamentavelmente mais tarde em 1975, essa gravação foi editada e regravada com “overdubs” por músicos que Jimi nunca havia conhecido e foi incluída no controverso álbum póstumo, "Midnight Lightning". Este álbum, assim como o outro homólogo disco lançado em 1974, “Crash Landing”, há muito tempo que foram excluídos do catálogo oficial de JIMI HENDRIX. A gravação original pela banda foi restaurada e faz a sua estreia inédita aqui como parte desse álbum.

 

A falta da recuperação e restauração das fitas máster de Jimi tem sido uma busca constante para nós. Uma de suas descobertas mais recentes inclui essa versão de "Lullaby for The Summer". Esta promissora versão original havia sido cortada da sua fita original máster, sendo que em 1974, ela havia sido compilada por um produtor musical ganancioso que montou esse projeto fadado à doença chamado “Crash Landing”. Foi só recentemente que essa gravação original havia sido encontrada em um carretel de trabalhos originais de Jimi.

 

Jimi havia criado a canção "Lullaby for The Summer" sobre um padrão de ritmo/condução que acabaria por evoluir em outra música de Jimi, "Ezy Ryder". Jimi havia trabalhado no distinto riff dessa canção por mais de 02 anos, convencido das suas brilhantes perspectivas como quadro para uma nova canção. Jimi habilmente integrou o som de 02 guitarras para essa gravação protegendo a parte “chumbada” do som por meio de um pedal de distorção para guitarra, Octavia (esse pedal havia sido criado por um amigo de Jimi que também era engenheiro elétrico, Roger Mayer. Na época, ele foi criado especificamente e somente para Jimi, criando uma sonoridade e tons únicos). Jimi iria usar esse pedal de distorção em numerosas gravações ao longo da sua carreira, talvez mais notavelmente conhecidas nas músicas: "Purple Haze" e "Machine Gun".

 

Uma semana depois, a banda voltou para o Record Plant Studio durante um curto hiato entre as datas dos shows, para que Jimi revisitasse as gravações da música “Stone Free” que a banda havia feito no dia 07 de Abril/1969, também nesse mesmo estúdio. A banda concluiu com êxito a inclusão de novas camadas sonoras para a guitarra e para os vocais de Jimi, que teve ainda a inclusão dos backing vocals de Roger Chapman (vocalista da banda FAMILY) e de Andy Fairweather (vocalista da banda AMEN CORNER) para essa gravação máster de “Stone Free”.

 

Depois do seu trabalho em "Stone Free", Jimi gravou uma série de tomadas para a canção "Ships Passing Through The Night". Assim como havia sido com a música "Lullaby for The Summer", esta gravação original de "Ships Passing Through The Night" havia sido inexplicavelmente excluída para a elaboração daquele disco “não oficial” caça-níqueis que havia sido lançado postumamente em 1974, sendo deixada de lado separada do carretel de trabalhos originais de JIMI HENDRIX até recentemente. Esquecida por mais de 04 décadas, nós recuperamos esta joia perdida e agora ela faz a sua estreia inédita no álbum “Valleys of Neptune” como parte dessa coleção.

 

A música "Ships Passing Through The Night" prenunciava o desenvolvimento embrionário da canção "Night Bird Flying", que seria um dos exemplos mais brilhantes referente a nova direção musical que Jimi estava adotando para a sua banda. Para essa gravação, Jimi alimentou uma de suas partes primárias da guitarra através de um alto-falante da marca Leslie, que é um amplificador usado para órgãos e que criou um efeito de “roda” em cima do pano de fundo construído por Mitch Mitchell e Noel Redding.

 

Apesar de não ser de conhecimento das pessoas até aquele momento, esta seria a última sessão de gravação de músicas originais pela antiga banda de JIMI HENDRIX. Apesar de Noel Redding ter continuado a fazer aparições em shows como membro da banda até o mês de Junho/1969, Jimi já havia decidido (privadamente) um novo plano em andamento para a banda.

 

Frustrado, o guitarrista então estendeu a mão para Billy Cox, esperando que o seu velho companheiro compatriota do exército e remanescente integrante de bandas de apoio, pudesse ajuda-lo nesse momento difícil na sua vida e carreira.

 

Por incrível que pareça, Billy Cox ainda não tinha ouvido falar da fama que JIMI HENDRIX já havia construído, desde que Jimi havia indo embora de Nashville (onde tocavam juntos em bandas de apoio) em direção a New York - o que já fazia 04 anos a partir desse acontecimento. Não sendo possível localizar o seu amigo diretamente, Jimi telefonou para o programa de TV da cidade de Nashville, chamado Wright’s TV Shop, porque a sua sede ficava perto do antigo lugar onde Billy e Jimi costumavam tocar com a sua banda de apoio, e pediu para o Sr. Wright tentar encontrar Billy para que ele fosse o seu novo baixista na banda.

 

Na ausência de Jimi, Billy tinha sido ativo em Nashville como baixista de sessões de gravação e como integrante de bandas de apoio. Completamente inconsciente do sucesso internacional de Jimi como um artista de rock, uma velha amiga em comum convidou Billy para se encontrar com Jimi nos bastidores pós-show que a banda de Jimi havia realizado no Auditório Ellis, em Memphis no dia 18 de Abril/1969, sendo que Jimi havia perguntado a Billy (de forma privada ainda) se ele queria ir para New York para ajudar a desenvolver um novo material do guitarrista..., o seu velho amigo concordou.

 

Billy Cox chegou na cidade de New York no dia 21 de Abril/1969, e depois de uma curta “jam session” no Record Plant Studio, ele foi escoltado por Jimi até o bar Scene Club - que era uma casa noturna subterrânea mais parecendo uma entrada de um porão, mas que era um local muito apreciado por Jimi.

 

Por acaso nessa mesma noite, Jimi havia sido apresentado aos membros da banda CHERRY PEOPLE, que eram de Maryland e que também estavam no Scene Club. Jimi havia convidado os seus novos amigos para que todos eles voltassem ao Record Plant Studio ainda naquela mesma noite, sendo que alguns integrantes do CHERRY PEOPLE como Rocky Isaac, tocou bateria, Chris Grimes manipulou o pandeiro e Al Marks se atribuiu das maracas. Este conjunto totalmente improvisado gerou várias tomadas de gravação da música de Jimi, "Room Full of Mirrors", sendo que o seu progresso foi de tal maneira gratificante que Jimi os convidou novamente para uma 2ª sessão somente 03 dias depois.

 

No dia 24 de Abril/1969, Jimi voltou a sua atenção para a música "Bleeding Heart". Esta canção foi originalmente escrita e gravada por um dos artistas favoritos de Jimi, o lendário guitarrista de slide, ELMORE JAMES. A banda já havia realizado uma interpretação excepcional desse clássico blues em seu arranjo original de 12 compassos, naquele 2º show realizado no Royal Albert Hall no dia 24 de Fevereiro/1969, Londres. No entanto, quando havia começado aquelas sessões da banda no Olmstead Studio em Abril/1969, Jimi já tinha começado a mexer com a estrutura da canção, alterando o seu arranjo para acomodar estadias mais longas e proporcionar um ritmo mais rápido para ela ("para dar mais emoção", disse Jimi em uma destas sessões que foram gravadas em estúdio).

 

Para esta sessão o grupo realizou uma série de promissoras gravações em fita, incluindo a gravação máster de “Bleeding Heart” que pode ser ouvida aqui nesse álbum também, com a confiança cantada por Jimi e pontuada pelo seu inspirado trabalho na guitarra. "Vamos ouvir isso!" riu Jimi após a sessão ter sido concluída.

 

Ao longo do mês de Maio/1969, Jimi continuava a perseguir uma série de intrigantes alianças criativas experimentando sonoridades diferentes com megafones, cítara elétrica, teclados e percussões adicionais. As sessões iniciais de Jimi com Billy Cox e Mitch Mitchell foram harmoniosas e produtivas, uma transformação bem-vinda à tensão que estava ao redor da banda quando eles se reuniam para trabalhar em estúdio, apreensão esta que vinha se alastrando desde a gravação do 3º álbum de estúdio...

 

Com Billy Cox no reboque, Jimi tinha a intenção de fazer uma outra gravação adicional para a música "Stone Free". Esta canção havia sido a 1ª música original de Jimi que ele tinha apresentado a Chas Chandler, depois que o ex-baixista do THE ANIMALS (o próprio Chas) havia descoberto Jimi e o havia levado para Londres naquele mês de Setembro/1966. Aclamada agora como uma das canções de assinatura de Jimi, "Stone Free" havia sido realmente tratada como uma criança órfã durante a fase inicial da carreira de JIMI HENDRIX. Lançada internacionalmente no mês de Dezembro/1966 como lado-b do 1º single de Jimi, "Hey Joe", a música “Stone Free” nunca havia sido lançada nos EUA já que a gravadora de Jimi, Reprise Records, não tinha incluído essa canção no 1º álbum de estúdio de JIMI HENDRIX, lançado no mês de Agosto/1967, o incrível e supremo "Are You Experienced".

 

A banda original de Jimi havia criado uma outra versão dessa música ao longo de 03 sessões no Record Plant Studio, naqueles mês de Abril/1969. Esta versão, postumamente lançada em 2000 como parte do box set, "Jimi Hendrix Experience", apresentou um arranjo mais sofisticado do que a da gravação original realizada em Novembro/1966. A gravação máster de 1966 havia sido editada muito rapidamente sob a direção do produtor Chas Chandler.

 

As finanças de Chas eram tão precárias na fase inicial da banda, que ele foi obrigado a vender as suas próprias guitarras e baixos para financiar a carreira de Jimi. Como resultado, Jimi tinha sentido que muitas das suas primeiras gravações haviam sido realizadas de uma forma “apressada” e não estavam plenamente realizadas. Por volta de 1969, Jimi havia restabelecido a canção “Stone Free” para o repertório dos shows da banda, habilmente expandindo a sua disposição em abranger a habilidade de improvisação..., que foi de tirar o fôlego!

 

Apesar da evidente considerável promessa para esta nova versão de “Stone Free”, gravada lá no mês de Abril/1969, Jimi ainda não estava satisfeito com o resultado final. Foi aí que, juntamente com Billy Cox e Mitch Mitchell, Jimi havia elegido novamente essa canção para obter uma abordagem diferente para ela. No dia 17 de Maio/1969, depois de voltar de um show realizado no início daquela noite no Civic Center, Baltimore, Jimi agendou uma sessão logo na manhã seguinte no Record Plant Studio. Os esforços iniciais da banda soaram mais como um ensaio, com Jimi guiando Billy Cox por toda parte. Uma vez que o guitarrista tinha estabelecido à ranhura desejada, ele retirou-se da sala do estúdio e foi para a sala de controle, onde ele e o seu fiel engenheiro de som, Eddie Kramer, ofereciam frequentes instruções a Billy Cox e Mitch Mitchell através dos microfones de áudio. Billy e Mitch gravaram um número de tentativas consideráveis antes de Jimi reconhecer que o exercício deles estava por completo.

 

O trio então focou em garantir uma linha de som nova, despojada e básica para “Stone Free”. Jimi era exuberante e o seu ritmo fluido de tocar guitarra espelhou por todo o destaque que essa música nos apresenta. Jimi também teve o cuidado de criar o distinto e prolongado final da canção, especificamente orientando Billy Cox e Mitch Mitchell através da sua visão criativa e musical. Estas novas “peças” foram sobrepostas à guitarra de Jimi, ao seu vocal e bem como aos backing vocals - todos daquela gravação máster realizada lá naquele dia 14 de Abril/1969. Esta mescla também faz o seu lançamento inédito aqui nesse álbum.

 

A música que leva o mesmo nome do disco, "Valleys of Neptune", começou a tomar forma durante aquelas sessões de Fevereiro/1969 no Olympic Studios. Jimi já havia gravado demos individuais separadas no piano e na guitarra, e ele estava ansioso para desenvolver esta excepcional canção para o seu pleno potencial.

 

Jimi continuou a refinar essa música durante todo o verão. Em Setembro/1969, sessões nos estúdios Hit Factory e no Record Plant, começaram a desenvolver um processo mais sério sobre essa canção, mas nenhuma daquelas tentativas haviam confirmado a visão musical que Jimi enxergava para ela. Mais tarde naquele mesmo mês, uma sessão com apenas Mitch Mitchell e com o percussionista Juma Sultan, produziu a sua versão mais promissora da música “Valleys of Neptune” até a data presente! Um rascunho dessa gravação de demonstração prolongada já havia sido incluída em um outro projeto “não oficial” de Jimi, o disco póstumo de vida curta lançado em 1990, “Lifelines”.

 

O retrabalho sobre a música “Valleys of Neptune” recomeçou novamente no dia 15 de Maio/1970, em uma sessão espirituosa no Record Plant Studio. Era evidente que o desenvolvimento final dessa canção havia acontecido entre o ínterim entre essas 02 gravações, com Jimi, Mitch e Billy assumindo o comando dos arranjos desde o início até o seu final, quando ela era treinada nos shows. Tome 05 tomadas desta sessão no Record Plant Studio, combinado com a percussão de Juma Sultan e com o vocal de Jimi daquela gravação realizada em Setembro/1969... O resultado desse trabalho também foi incluído aqui nesse álbum.

 

Ainda sobre a música "Valleys of Neptune", Jimi continuou explorando novos caminhos para o seu desenvolvimento no recém-inaugurado estúdio de sua propriedade, Electric Lady Studios, em Junho/1970, New York, mas uma gravação máster final não foi alcançada antes da sua prematura morte que viria acontecer apenas 03 meses depois.

 

A música "Mr. Bad Luck" é a mais antiga dessas 12 gravações do álbum "Valleys of Neptune" anteriormente nunca lançadas. A canção foi uma das poucas composições originais que Jimi apresentava nas suas performances realizadas em pequenas casas noturnas no bairro Greenwich Village, New York, quando ele ainda era um guitarrista pouco conhecido liderando a sua banda, JIMMY JAMES & THE BLUE FLAMES, em 1966.

 

Somente 01 ano mais tarde, no dia 05 de Maio/1967, que Jimi resolveu trazer a luz do dia essa música, novamente realizando a gravação máster dela com a sua banda original, durante as sessões de gravação para o que se tornaria o 2º álbum de estúdio de JIMI HENDRIX, "Axis: Bold as Love". Quando os trabalhos recomeçaram no mês de Outubro/1967 para a finalização desse álbum, Jimi não havia retornado para essa música e portanto, a gravação havia sido colocada de lado. Agora, ela também faz a sua estreia inédita aqui no disco “Valleys of Neptune”.

 

No mês de Outubro/1968, Jimi reviveu a música "Mr. Bad Luck", nomeando-a agora como "Look Over Yonder". Uma inteiramente nova versão foi gravada pela sua banda no TTG Studio em Hollywood, no dia 22 de Outubro/1968. Este esforço resultou no lançamento pela 1ª vez da música no filme caseiro de “alta velocidade”, "Rainbow Bridge", em 1971 (que consta com a participação alucinada de Jimi, assim como a apresentação editada de um show da sua banda ao ar livre), e mais recentemente, essa mesma música foi lançada também no álbum póstumo, "South Saturn Delta".

 

Assim como havia acontecido com a música "Valleys of Neptune", uma versão alternativa da canção "Mr. Bad Luck" já havia sido apresentada como parte de um programa de rádio e que mais tarde havia sido compilada para aquele falso álbum póstumo, "Lifelines" (1990)... Eu já falei que esse disco foi retirado do mercado em 1992 e que nunca mais foi relançado?

 

Sob a direção inicial do produtor Chas Chandler, para Mitch Mitchell e Noel Redding foi dada a oportunidade de atualizar as suas partes originais de bateria e baixo para a gravação máster da música "Mr. Bad Luck", que também está caracterizada aqui no álbum “Valleys of Neptune” em uma sessão no mês de Junho/1987, no Air Studio, Londres. Chas também deu a Mitch e Noel a oportunidade de adicionar e substituir as suas partes originais de bateria e baixo para as músicas: "Crying Blue Rain" e "Lover Man".

 

É notável considerar que JIMI HENDRIX autorizou somente o lançamento de 04 álbuns (que seriam os seus 03 discos de estúdio, mais o seu 4º álbum de “estúdio” ao vivo, “Band of Gypsys”) e alguns singles durante a sua vida. De onde, então, toda essa música vem? Elas foram desenhadas a partir da paixão de Jimi em criar e explorar novos caminhos musicais e nós somos afortunados, porque ele preservou grande parte da sua obra para a posteridade. O seu amor por gravar canções aleatórias em estúdios criou uma profunda reserva de músicas, além de vários shows que promovem a apreciação e a compreensão do seu grande legado..., e que continua a inspirar pessoas em todo o mundo.

 

 

por: John McDermott

 

2010

 

Track-list:

 

1- Stone Free

2- Valleys of Neptune

3- Bleeding Heart

4- Hear My Train a Comin'

5- Mr. Bad Luck

6- Sunshine of Your Love

7- Lover Man

8- Ships Passing Through The Night

9- Fire

10- Red House

11- Lullaby for The Summer

12- Crying Blue Rain

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

  • Facebook Social Icon
Mais Recentes

Grunge: Top 50 melhores álbuns pela Revista Rolling Stone - nº 38

November 12, 2019

1/5
Please reload

Destaques
Please reload

2016 by RockInTheHead