top of page

Pearl Jam: como o álbum “No Code” matou o grunge?

  • Foto do escritor: by Brunelson
    by Brunelson
  • 18 de set. de 2016
  • 6 min de leitura

* Fonte: Site Alternative Nation (02/09/2016)


PEARL JAM está comemorando o 20º aniversário do seu 4º álbum de estúdio, “No Code” (1996), com uma série de reedições em vinil. “No Code”, junto com o seu 5º álbum de estúdio, “Yield” (1998), e os 05 singles que se originaram a partir desses 02 discos, também terão as suas versões relançadas somente em vinil.


Já se passaram 20 anos, mas os fãs do PEARL JAM não se esqueceram de quando a lendária banda de Seattle degolou a cabeça do grunge com o lançamento do seu disco "anti-grunge”, “No Code”.


A banda, como figura de proa do grunge naquele momento, foram os líderes da revolução onde começarem a dizer a palavra: “não". Em 26 de Agosto/1996, o lançamento de “No Code” não era apenas uma liberação emocional, mas também uma liberação do termo grunge. Como a banda mais relevante do mundo naquele momento, eles colocaram o seu grunge em uma guilhotina e deixaram a lâmina cair em queda livre... PEARL JAM havia saído de cena como os reis do grunge.



"Ele tem suportado muitas coisas / Lá vai ele / Com as suas roupas perfeitamente desarrumadas" (letra da música “Off He Goes”, de “No Code”).



Os fãs que experimentaram o single de transição, "I Got Id" / "Long Road" (1995) - estas 02 canções não entraram em nenhum álbum de estúdio, um single clássico do grunge, diga-se de passagem - compreenderam a formação dessas novas músicas onde viram o caminho que a banda havia escolhido para continuar explorando por novos horizontes.


Talvez, PEARL JAM poderia fornecer outro clássico grunge mesmo assim? Respondendo para o mainstream, a resposta seria: não! Mais uma vez, PEARL JAM nos conduziu para a estrada menos percorrida de todas, neste caso, com a calma e tranquila colaboração de Neil Young para a canção lado-B, "Long Road" - teria sido interessante se um repórter tivesse entrevistado a banda nesta época pós “Ten” (1º álbum de estúdio, 1991).


O repórter teria dito: “Hey, caras, que tal alguns videoclipes para as músicas do 2º disco, “Versus” (1993)?


A banda responderia: “Não... Não estamos mais nessa de videoclipes. A MTV exagerou sobre o conceito relevando somente o visual, onde o principal teria que ser somente sobre o áudio e mensagem passada. A música não deve ser restrita somente a um nome, sabe?”


Continuando com o repórter fictício: “Hey, caras, onde está o lançamento em CD do 3º disco de vocês, “Vitalogy” (1994), assim como todas as outras bandas fazem?”


A banda responderia: “Não... Nós perdemos o vinil para o CD, por isso que vamos lançá-lo em vinil primeiro para que em seguida o álbum seja lançado em CD. E vamos ter a certeza de que o seu CD virá em uma embalagem de livro, no estilo do vinil”.


Repórter fictício: “Hey, caras, vocês vão voltar a trabalhar com a Ticketmaster (única empresa responsável pela venda de ingressos) para a turnê do disco “No Code” (1996), certo?”


A banda responderia: “Não... Isso não faz a gente se sentir bem”.


Líderes da revolução "não há problema em dizer não", PEARL JAM abordou revelações filosóficas em “No Code” - um álbum que passa a ideia de como eles preferem curar as feridas da década de 90 com músicas suaves e experimentais, do que se aprofundar em mais sujos e escuros abismos nos seus acessos de raiva.



"Vejo isto acontecendo e a mensagem que envia" (letra da música “Habit”, de “No Code”).



"Eu acho que todos nós concordamos que o álbum ‘No Code’ foi meio insano, que já não era mais sobre a música somente", disse o vocalista Eddie Vedder em uma entrevista para a revista Spin em 1997.


Os fãs do grunge haviam sido gravemente feridos pela morte de rockstars como Bradley Nowell (vocalista/guitarrista do SUBLIME) e Shannon Hoon (vocalista do BLIND MELON) - juntamente com a maior figura do grunge, Kurt Cobain. O rock alternativo nunca foi sobre festas e felicidade, mas em 1996, o sentido daquele humor sutil encontrado em bandas como o RED HOT CHILI PEPPERS e NIRVANA, passaram muito longe de nós - onde apenas a ressaca permaneceu. Muitas bandas de rock estavam aparecendo em todos os lugares, mas a melancolia e a desgraça soavam agora uma coisa menos sincera...


"Eu aprendi o que significa a expressão da frase de artes marciais, ‘Jeet Kune Do’", disse Vedder para a revista Spin em 1997. "Você sabe, quando alguém vem até você com um monte de energia e você apenas usa esta energia para deixar que ela lhe acerte ou para deixa-la entrar em você... Não vá até lá para lutar contra essas coisas que são muito maiores do que você, apenas se desvie de toda essa energia ou deixe que a coisa da 'viagem' caia sobre si mesmo, entendeu?”


Com uma base gigante de fãs, PEARL JAM espera que nós aprendamos com as tragédias recentes e que possamos desfrutar de novas perspectivas sobre a vida - vendo quem realmente nós somos e nos abraçarmos de vez.



"Venha para enviar, não para menosprezar / Visto em tudo, não em todos" (letra da música “Who You Are”, de “No Code”).



O álbum “No Code” revela mais cor e textura no leque da banda – com a abertura de algumas canções que não irão explodir o seu alto-falante em fúria, mas que irá fazer você se deitar no sofá para meditar.


A banda está ousando e correndo risco em busca da verdade e da auto sabedoria, em canções como a marcha desfilante e edificante da música "Who You Are" - com as suas linhas de baixo por Jeff Ament no estilo “escalando a montanha do Himalaia” e com a unidade vocal de toda a banda em seu refrão - ou a reflexiva canção "In My Tree", cujo órgão (teclados) místico de inspiração oriental faz você realmente subir nesta pacífica casa na árvore de Eddie Vedder.


A inspiração e influência de Neil Young na música "Smile" realmente nos faz sorrir (em oposição à letra desta canção), com um som brilhoso iluminando a terra por um sujeito apreciador da memória – apesar do “torto coração que incha por inteiro” (citando uma parte da letra desta música).


O trabalho de Vedder e Ament com Nusrat Fateh Ali Khan para a trilha sonora do filme "Dead Man Walking" – que teve mais uma canção, “Dead Man”, que também ficou de fora de “No Code” – foi uma grande influência musical para o disco.


"Cantando com Nusrat era muito pesado", disse Vedder. "Havia definitivamente um elemento espiritual ali... Eu vi uma vez ele aquecer a sua voz e me lembro de ter saído da sala realmente espantado! Quero dizer... Deus, que incrível poder e energia eu senti naquela sala, sabe?"


"E nós aprendemos muito com Neil Young também", disse Mike McCready (guitarrista) nesta mesma entrevista para a revista Spin em 1997.



"Eu estou com os meus olhos arregalados e bem abertos / Foi quando eu tive um vislumbre da minha inocência" (letra da música “In My Tree”, de “No Code”).



Como fãs, devemos nos abrir para a comunicação, assim como a mensagem da música "I’m Open" nos encoraja a abraçar o amor e quando Eddie Vedder canta: "Salve, salve os sortudos / Eu me refiro àqueles que estão no amor”, durante uma das raras músicas quebraceiras no disco, a emocionante "Hail Hail". Em entrevista à revista Spin, Vedder brincou: "Eu não quero ser conhecido como um cara que só se lamenta, está bem?"


A canção “Present Tense" se manifesta como o coração do álbum, com letras inspiradoras como: "Inclinando-se para pegar os raios de sol / Uma lição a ser aplicada" e "Você é o único que não consegue perdoar a si mesmo / Faz muito mais sentido viver no tempo presente".



"Se eu soubesse naquele tempo o que eu sei agora" (letra da música “Red Mosquito”, de “No Code”).



Como estimulação, Eddie se abastece de Deus na reflexiva canção "Sometimes" e compartilha uma lembrança sobre a guerra espiritual que nos cerca na bela canção "Red Mosquito". Stone Gossard (guitarrista) que nos desculpe pelo nosso amor pela mais recente música grunge da banda, a corporativa "Mankind" – canção de autoria e cantada pelo próprio Stone, onde as letras dizem: "Se isto apenas não foi advertido, uma simulação / Um padrão para toda a humanidade / O que faz o mundo inteiro fingir?"


Mesmo as canções gravadas na época e que também não entraram no álbum, como as músicas "Black, Red, Yellow" e "Don’t Gimme No Lip", foram mais como um retorno nostálgico ao rock’n roll dos anos 50 e 60, do que os verdadeiros ataques brutos que nós conhecemos.


"Eu acho que nós estamos constantemente tentando encontrar um equilíbrio", disse Jeff Ament para a revista Spin em 1997.


Ao ouvir a tranquilidade e a serenidade de “No Code”, encontramos o PEARL JAM - o cabeça do grunge na década de 90 depois do NIRVANA - em uma guilhotina. Eles brilharam somente com uma lanterna e deram um espelho para a cena grunge - que estava se tornando um reflexo embaçado do passado se entrincheirando na profunda escuridão.


"Fazendo o álbum ‘No Code’”, concluiu Vedder para a revista Spin, "foi tudo sobre ganhar novas perspectivas".


No dia 02 de Setembro/2016, PEARL JAM relançou os seguintes materiais (somente em vinil):


· Álbum “No Code”

· Álbum “Yield”

· Single “Who You Are" / "Habit” (de “No Code”)

· Single “Hail Hail" / "Black, Red, Yellow” (de “No Code”)

· Single “Off He Goes" / "Dead Man” (de “No Code”)

· Single “Given to Fly" / "Pilate" / "Leatherman” (de “Yield”)

· Single “Wishlist" / "Brain of J.” (de “Yield”)


E no dia 17 de Outubro/2014, na cidade de Moline/EUA, PEARL JAM realizou o que pode ser o único show de toda uma geração: incluiu no seu setlist a apresentação na íntegra e na mesma ordem do álbum, as músicas de “No Code”. Este show tem por aí nas internet..

Pearl Jam No Code

Comentários

Não foi possível carregar comentários
Parece que houve um problema técnico. Tente reconectar ou atualizar a página.
Mais Recentes
Destaques
bottom of page