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Scott Weiland: 10 histórias que você não conhecia sobre o vocalista original do Stone Temple Pilots


Com a recente notícia de que virá um filme sobre a vida de um dos maiores frontman na história do rock, Scott Weiland do STONE TEMPLE PILOTS, o mesmo será baseado na biografia oficial de Weiland lançado em 2011, "Not Dead & Not For Sale" (foto).


* Scott Weiland: autorizado e confirmado filme biográfico sobre o saudoso vocalista

Scott Weiland sempre será conhecido como um camaleão, que possuía o raro talento de infundir a sua essência individualista em diversos estilos. Ele era o David Bowie da era grunge, mas também cantava country, blues e até mesmo bossa nova.

Com essa breve introdução, separamos 10 histórias extraídas desse livro que você provavelmente não conheça sobre a vida e carreira do saudoso Scott Weiland, vocalista original do STONE TEMPLE PILOTS:

1) Traumas de infância

A infância e adolescência de Scott Weiland foram marcadas por traumas intensos.


Aos 12 anos de idade, Scott foi estuprado por um aluno do último ano do ensino médio. Weiland suprimiu essa ocorrência até que foi desenterrada durante uma de suas muitas visitas à clínicas de reabilitação.


Outra lembrança comovente ocorreu quando Sharon, a mãe de Scott, admitiu que era alcoólatra. Uma noite, Dave, o padrasto de Scott, levou toda a família para assistir a um jogo de basquete no camarote de luxo de sua empresa. Dave encontrou uma garrafa de vodka na bolsa de Sharon que ela havia pegado do open bar. A família se uniu a ela com amor, lágrimas e apoio.

Para fins de esclarecimento, os pais de Scott Weiland se separaram quando ele tinha 02 anos de idade.

2) A necessidade de mentir

Em 1982, o saudável Scott Weiland era jogador de futebol americano cujos hobbies incluíam surfe, vôlei, softball e luta livre.


Logo depois, Scott acabou conhecendo o baixista Robert DeLeo, que por sua vez decidiu chamar o baterista Eric Kretz e posteriormente o seu irmão, o guitarrista Dean DeLeo. A base do que iria se tornar no STONE TEMPLE PILOTS estava formada, mas só se tornou conhecido como tal em 1º de abril de 1992. A banda inicialmente era chamada MIGHTY JOE YOUNG e flertou com o apelido de SHIRLEY TEMPLE'S PUSSY.

Quando ainda morava na casa do seu padrasto, Scott Weiland já fumava maconha e foi quando lhe apresentaram à cocaína pela primeira vez. Atormentado por sua namorada ter feito um aborto e sendo pego transando com ela no próprio quarto pelo seu padrasto - além de ter caído com cocaína e maconha na sua casa - Scott foi morar sozinho. Depois de alguns dias e sofrendo a sua 1ª overdose, Scott passou os 03 meses seguintes em um hospital psiquiátrico - até aprender a necessidade de mentir para logo ganhar alta.

"Basta dizer o que eles querem que você diga". Em uma de suas músicas em carreira solo, Scott cantou sobre o seu método para logo ser liberado das clínicas de reabilitação: “Você sabe que eu menti / Mas se isso te deixa feliz / Vou lhe dizer o que você quer ouvir”.

3) Canções natalinas na prisão

Em 1999, Scott Weiland sofreu uma sentença reduzida de 05 meses e meio em uma clínica de reabilitação na prisão.


Ele teve a sorte de ser colocado lá, ao contrário da maioria da população que iria direto para a prisão de Los Angeles. Em uma dessas noites, Weiland encenou um show de canções natalinas em suas instalações.


Scott chamou mais 03 pacientes que havia conhecido na clínica e formaram um grupo vocal. Cerca de 80 pacientes e funcionários penitenciários supostamente se reuniram para ouvir o quarteto.


Weiland disse uma vez em entrevista à revista Esquire: “Foi legal mostrar aos malditos delegados e policiais que tínhamos algo de bom em nós... Eles meio que ficaram chocados em nos ver cantando de uma forma tão doce e harmoniosa, sabe? Foi uma ótima maneira passivo-agressiva de dizer 'foda-se'”.

Muitas letras de Weiland retratam o seu relacionamento com a lei, períodos em clínicas de reabilitação e estadias de vida sóbria. A música “Seven Caged Tigers” foi escrita durante a estada semelhante de Scott em 1995 na prisão por porte de drogas. Esta canção foi lançada no 3º álbum de estúdio do STONE TEMPLE PILOTS, "Tiny Music... Songs From The Vatican Gift Shop" (1996).


"Seven Caged Tigers"


4) Milagre de Natal

Em 2002, a avó de Scott Weiland - a quem ele chamava de Grammy - obteve uma recuperação milagrosa.


Ela contraiu uma infecção cerebral (encefalite) que aniquilou a sua memória. De acordo com os médicos, quase não havia esperança de recuperação.

A avó de Scott foi liberada de sua casa de repouso para passar a véspera de Natal com a sua família. Na manhã de Natal, quando ela encontrou toda a família reunida ao redor da árvore de Natal, ficou imediatamente claro que ela havia milagrosamente se recuperado da doença!

Como viciado em drogas e pai de família que era, a fé no improvável era exatamente o que Scott Weiland precisava. Esse milagre de Natal atingiu um ponto alto na vida do vocalista, um dos raros momentos em que Weiland teve a sensação de unidade e conexão que muitas vezes ansiava.

5) Sobre os nascimentos dos filhos Noah e Lucy

Scott Weiland estava extremamente orgulhoso dos seus 02 filhos, Noah Mercer Weiland e Lucy Olivia Weiland, que nasceram respectivamente em 2000 e 2002. Scott até escreveu a música “A Song For Sleeping” para Noah (5º disco do STONE TEMPLE PILOTS, "Shangri La Dee Da", 2001).

Uma parte da letra desta canção diz: "Há tanto que eu poderia te ensinar / Se você apenas tiver tempo". A paz é aparente na voz de Scott Weiland na canção “A Song For Sleeping”, mas não era essa áurea quando a mãe de Noah, grávida de 08 meses do seu filho, correu um risco extremo quando deu um soco na cara de um homem por ter chamado Scott de “bicha”.

Já sobre a sua filha caçula, Scott perdeu o nascimento de Lucy por 30 segundos, devido ao atraso de sua clínica de reabilitação em dispensá-lo. Weiland saiu literalmente correndo do hospital onde estava para o hospital onde a sua filha iria nascer.


"A Song For Sleeping"


6) Sobre o seu 1º casamento

Antes de Scott Weiland se casar com Mary - a mãe dos seus 02 filhos - ele já havia passado pelo seu 1º casamento com Jannina Casteneda, a quem ele a pegou lhe traindo em sua própria cama de casal.


* Stone Temple Pilots: a pesada carta aberta da ex-esposa de Scott Weiland (mãe dos seus filhos)


O uso de drogas de Scott durante o dia do seu casamento com Jannina encontrou paralelo nas letras da música "Trippin' on a Hole in a Paper Heart" (3º disco).

Após o divórcio, Jannina e Scott permaneceriam amigos, visto que depois da separação ela não era mais aquela "Sour Girl”, canção esta lançada no 4º álbum de estúdio do STONE TEMPLE PILOTS, "Nº 4" (1999).


"Trippin' on a Hole in a Paper Heart"


"Sour Girl"


7) O primeiro beijo na heroína

De acordo com a linha do tempo em seu livro de memórias, Scott Weiland usou heroína pela primeira vez em 1994 na cidade de New York, mas o ano real parece ter sido mesmo em 1993.

STONE TEMPLE PILOTS estava em turnê junto com o BUTTHOLE SURFERS. Os músicos estavam hospedados no The Royalton Hotel. Scott Weiland e Mary haviam se reunido mais cedo naquele dia. Após o show que aconteceria, os dois concordaram em passar a noite juntos. Scott iria encontrar Mary com o vestido vintage escarlate que ela tinha acabado de comprar.


Scott e o STONE TEMPLE PILOTS se vestiram como membros do KISS com maquiagem completa para aquele show. Weiland cheirou heroína antes de sua apresentação e preferindo ficar sozinho com a sua chapação recém-descoberta, Scott optou por não se encontrar com Mary naquela noite. Weiland já havia fumado heroína anteriormente, mas o livro enquadra esse evento como o momento crucial em sua virada para o vício.

Logo, Scott começaria a deslanchar desenfreadamente. Weiland comparou a heroína ao "útero", citando o seu abraço maternal que removia a sua ansiedade autoconsciente. Ele se tornou um viciado junto com Mary, a quem arrastou para baixo. O casal começou a faltar aos compromissos, desperdiçou dinheiro e ganhou a desconfiança dos seus amigos.



8) A trip com Courtney Love e quando ele e o seu cachorro viram esqueletos vivos

Scott Weiland detalha uma desintoxicação durante uma noite em que as coisas deram errado, onde foi internado na clínica de reabilitação chamada Exodus.


Não foi coincidência que o seu amigo e vocalista do BUTTHOLE SURFERS, Gibby Haynes - além de Kurt Cobain - já tivessem sido registrados nessa mesma clínica. Somente 04 dias depois, Scott soube que Cobain havia cometido suicídio.


Weiland também relata a outra coincidência de encontrar Courtney Love depois de pular do carro em movimento onde Jannina estava dirigindo (sua 1ª esposa), logo após ele ter saído da prisão. Weiland e Love usaram heroína juntos num quarto de hotel...


* Courtney Love: falando sobre Scott Weiland na rádio

A heroína era claramente a substância escolhida por Weiland, mas Scott narrou o início do uso de cocaína como uma "experiência sexual", porém, a sua visão sobre a cocaína relatada no livro é antipática.


De acordo com Scott, a cocaína é "má". Um dos momentos mais bizarros é quando Weiland relembra ter visto esqueletos como um efeito colateral sob uso excessivo de cocaína. Weiland afirmou que essas figuras se manifestaram em um fenômeno objetivo que foi testemunhado tanto por ele quanto pelo seu cachorro, Otis.

Weiland falou sobre esta e outra experiência sob efeito de cocaína: “A minha crença é que a cocaína que eu estava ingerindo ativou uma força paranormal. Essa força uma vez assumiu a forma de um mini tornado, onde um turbilhão de tremenda energia que veio atrás de mim se espatifou contra a lateral de uma casa, causando danos tangíveis”.

No final do livro, Weiland afirmou que havia desistido de beber, explicando que o álcool geralmente era o culpado que prejudicava o seu raciocínio e o fazia voltar às drogas. A relação ambígua de Weiland com o álcool relatado no livro pode ser percebida como um presságio.

9) A traição dos membros da banda

Os membros do STONE TEMPLE PILOTS experimentaram picos altos na carreira um com o outro e passaram uma quantidade incrível de tempo em ambientes fechados conforme o seu trabalho exigia.

Por exemplo, o disco "Shangri La Dee Da" foi gravado numa mansão na praia de Malibu, para onde a banda e os seus cônjuges se mudaram temporariamente para facilitar o processo criativo. O grupo tinha um clima de família, sem contar os irmãos DeLeo. Dean tinha desempenhado um papel patriarcal para Robert e quando a banda foi formada, Dean ajudou a dar o pontapé inicial com o seu conhecimento adquirido em empregos administrativos.

Às vezes, cada um dos membros da banda abusavam de substâncias e gostavam de festejar juntos. Ao longo de sua vida, Weiland ansiava pela fraternidade, porque havia sido muito afetado pelo divórcio dos seus pais e pelo sentimento de rejeição. É por isso que a descrição de Weiland sobre a "traição da banda" com ele em 2003 é uma das passagens mais dolorosas do livro:

"Os caras da banda... Eles sabiam que eu estava sofrendo. Eles me diziam: 'Nós somos os seus irmãos. Basta nos dizer o que está acontecendo. Não queremos ouvir sobre isso nos jornais. Queremos que você venha até nós primeiro'. Fraternidade, solidariedade e dinheiro em jogo. Tínhamos 01 milhão de dólares para receber com 01 show em Anchorage (Alaska) e 02 no Havaí. Depois de tocarmos no programa de auditório da TV americana, Tonight Show with Jay Leno, juntei a minha coragem e conversei com Dean, Robert e Eric, de homem para homem, e disse: 'Ok, pessoal. Vou ser sincero com vocês... Eu estava realmente só me drogando, mas eu tenho remédios suficientes para passar por estes shows, ok? E vou até trazer uma pessoa sóbria para ficar comigo, às minhas custas, para me certificar de que eu permaneça sóbrio'".

Resumindo, STONE TEMPLE PILOTS cancelaram os próximos shows, criticaram Scott Weiland abertamente na mídia e fizeram os advogados do grupo exigirem que Scott os compensasse pelo 01 milhão de dólares em perdas.


Como já sabemos, a banda se separou em 2003 e retornaria somente em 2008. Momento triste, considerando que o STONE TEMPLE PILOTS havia dedicado o álbum "Shangri La Dee Da" ao falecido vocalista do MOTHER LOVE BONE, Andrew Wood (vide o nome do disco), o qual já tinha inspirado o guitarrista Jerry Cantrell a compor a música "Would" do ALICE IN CHAINS também em homenagem.

Após se reunirem em 2008 com Weiland passando por uma situação semelhante com o VELVET REVOLVER, ele seria demitido do grupo em 2013 e substituído pelo seu amigo e vocalista do LINKIN PARK, Chester Bennington. Com Bennington pedindo para sair amigavelmente da banda em novembro de 2015, logo em dezembro aconteceria o falecimento de Scott Weiland e em novembro de 2016 o grupo chamaria Jeff Gutt para ser o novo vocalista (apresentado oficialmente somente 01 ano depois em 2017), onde a banda já possui 02 álbuns lançados com Jeff Gutt nos vocais.

10) Perda de 02 irmãos e diagnóstico de câncer em seus pais

O pai de Scott Weiland, Kent Kline, teve dois filhos com a sua 2ª esposa, Seth e Matthew. Ele também adotou o filho de sua 2ª esposa, Craig.


Scott e Craig tornaram-se amigos íntimos de infância. Um dia, Craig foi atropelado por um carro enquanto andava de bicicleta na Califórnia. Como a letra da canção “Big Bang Baby” retrata (3º disco), Craig sofria de um "buraco no cérebro". Ele faleceria no dia seguinte, com o pai do jovem Scott lhe dando a notícia por telefone. Após a morte de Craig, o pai de Scott se tornou ainda mais emocionalmente inacessível para ele.

Em sua própria família, Scott cresceu com Michael Weiland, o seu meio-irmão mais novo. Dave, o padrasto de Scott, sempre tratou Michael, o seu filho biológico, com mais clemência do que com Scott quando se tratava do uso de drogas. Scott apresentou a Michael o álcool, cocaína e a heroína. Michael lutava contra o vício, mas tinha o seu emprego para se manter de pé. Michael, pai de 02 filhos, faleceu repentinamente em 2007. A cardiomiopatia foi posteriormente apontada como a causa oficial da morte.

Embora o relacionamento com o seu pai fosse distante, Kent ligou para Scott no Dia dos Pais em 2015 para dizer que ele tinha câncer de próstata. A mãe de Scott, Sharon, também estava sofrendo de câncer e com essa notícia do seu pai, Scott desabou ainda mais em seu mundo moribundo.

Essa notícia pode ter sido um dos pregos finais no caixão de Scott Weiland, que iria falecer em dezembro de 2015.


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"Big Bang Baby"


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