• by Brunelson

R.E.M: resenha do álbum "Automatic for The People"


No início dos anos 90, os EUA eram ricos em talentos do rock.


Enquanto o NIRVANA havia começado a sua jornada em direção ao sol e o PEARL JAM era igualmente imponente em todo o mundo, uma banda se destacava como inspiração lírica para os vocalistas Kurt Cobain e Eddie Vedder.


Esta banda se chama R.E.M.


O lançamento do seu 8º álbum de estúdio, "Automatic for The People" (1992), fornece um lembrete cristalino do seu talento e de como uma voz como a de Michael Stipe era nos anos 90. O fato de que hoje ainda se mantém como uma peça sincera, honesta e vulnerável de musicalidade, é um testemunho da habilidade desta grande banda.


Formada em 1980 com Bill Berry (baterista), Peter Buck (guitarrista), Mike Mills (baixista) e Michael Stipe (vocalista) se reunindo na Universidade da Geórgia, a banda logo se tornou um dos primeiros grupos do rock alternativo, proporcionando uma visão única do gênero que iria dominar o rock na década seguinte.

R.E.M. era uma proposta totalmente diferente de tudo o que veio antes deles, usando as suas letras obscuras, um som de guitarra icônico e vocais exclusivos de Stipe para criarem o seu próprio nicho. No disco "Automatic for The People", eles forneceram uma destilação deste som que é uma dose potente do rock alternativo.


Ser o sucessor do álbum "Out of Time" (7º disco, 1991) sempre seria uma coisa difícil. Havia sido o álbum de maior sucesso da banda, alcançando o 1º lugar nas paradas principais no mundo inteiro e consolidando o R.E.M. como uma das maiores bandas do planeta - senão a maior, estendendo o tapete vermelho para o grunge que viria logo a seguir.

Com o álbum "Automatic for The People", eles provaram que não foi um registro por acaso e entregaram um disco que consegue fazer a coisa mais difícil para qualquer banda de rock em busca de onipresença - um ato de equilíbrio.

Longo ainda seriam os dias do R.E.M. e longo tempo já havia passado desde a sua fundação, onde este álbum os viu transcender sem esforço de uma nova banda brilhante para um ato consumado de profissionais e, ousamos dizer, ícones de sua era.

Enquanto o NIRVANA e as contrapartes do grunge faziam o "possível" para reduzir a popularidade de bandas que soavam parecido como o R.E.M., eles simplesmente lançaram outro álbum perfeito para manter toda a galera do grunge em seus devidos e relevantes lugares.

À medida que o mundo ao redor deles ficava mais distorcido em um grau mais confuso, R.E.M. permaneceu fiel ao seu som e forneceu algumas músicas perfeitamente melódicas e captadas ao lado de alguns dos momentos mais tocantes e vulneráveis do álbum. Isso significava que a banda foi capaz de deixar os garotos do grunge se divertirem livremente ao sol, pois Stipe e a sua banda não estavam preocupados em combinar/associar o seu som a eles.

Em vez disso, o grupo se permitiu caminhar graciosamente para uma nova era para o R.E.M. - a meia-idade musical.


Nesse disco, R.E.M. prova que a vida ainda pode seguir adiante, mesmo depois da adolescência e enquanto eles fazem algumas referências vagas ao grunge na abertura do álbum com a canção "Drive", com Stipe continuando com a sua bela poesia em questão.


Para o cantor, as coisas estavam difíceis e ele precisava se posicionar.

Embora não haja uma grande quantidade de canções estritamente políticas no álbum ("Ignoreland" provavelmente é a única), Stipe usou o disco para protestar contra os 12 anos anteriores de governo republicano e sua falta de cuidado geral com os males da sociedade.

Com certeza, esta questão não é algo que você poderia cobrar de Stipe e da sua banda.

Na música "Sweetness Follows", o grupo analisa longamente a disfunção de uma família enquanto na canção "Try Not to Breathe" abre o diálogo para a eutanásia.


Claro, há a maior música do álbum, "Everybody Hurts", que mais uma vez tentou conectar o seu público um ao outro em uma tentativa de espalhar amor e carinho. Em uma melodia igualmente grande, a canção "Man on The Moon", sem saber, fornece um prenúncio para a geração de "fake news" de nossa atualidade.

O equilíbrio entre joias populosas e mantras pessoais tornam o álbum uma pérola brilhante na coroa esplêndida do R.E.M. O disco oferece o ponto de vista de uma sociedade inteira, adequado para uma das bandas mais democráticas que você já viu. Ao todo, é um dos álbuns mais pertinentes de sua época, principalmente porque ainda parece tão vital até hoje.

Diz a todos nós para abrirmos as nossas mentes, confiarmos em nossos corações e encararmos a vida com o conhecimento de sua fragilidade inata. O mundo pode ter parecido um lugar assustador naquela época, mas agora podemos ter certeza de que é mesmo.

Se você precisa de um momento de reflexão, analise tudo o que vem a seguir no álbum "Automatic for The People" da banda R.E.M.

Track-list:

1. Drive 2. Try Not to Breathe 3. The Sidewinder Sleeps Tonite 4. Everybody Hurts 5. New Orleans Instrumental No. 1 6. Sweetness Follows 7. Monty Got a Raw Deal 8. Ignoreland 9. Star Me Kitten 10. Man on The Moon 11. Nightswimming 12. Find The River


Confira o videoclipe da música "Everybody Hurts":


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