Eddie Vedder: o show que ele considerou o verdadeiro fim do grunge
by Brunelson
há 7 minutos
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A era do grunge nunca deveria ter se desenvolvido da maneira que se desenvolveu.
A cena de Seattle sempre se sentiu confortável em estar relativamente isolada, então, quando eram vistos como o próximo grande movimento do rock and roll, a última coisa que a maioria daquelas bandas queriam eram jogar o jogo corporativo como se fossem o GUNS N' ROSES por exemplo.
E embora o PEARL JAM sempre tenha se orgulhado de suas raízes levando afinco essa conduta, o vocalista Eddie Vedder sabia que havia momentos em que a cena que eles conheciam e amavam iria dar seus últimos suspiros.
É verdade que nenhum dos membros do PEARL JAM aderiu à ideologia "grunge". Esse era o tipo de gênero usado por um bando de jornalistas em busca de lucrar com uma tendência, e, ao analisar o que cada banda tinha a oferecer, é fácil entender por que era um pouco estranho colocá-las na mesma sacola.
NIRVANA não soava como o ALICE IN CHAINS, que por ventura, não soava como o SOUNDGARDEN, e que nenhuma dessas bandas tinha nada a ver com o PEARL JAM, então, por que colocá-los todos na mesma categoria?
Porém, de todas as bandas de Seattle, o PEARL JAM parecia ser a mais preparada para o horário nobre. Vedder não se sentia nem um pouco confortável em ser um dos maiores nomes da música, mas ouvindo seus riffs poderosos e sua voz potente, eles tinham todas as marcas registradas que as pessoas copiariam por anos, fossem grupos como CREED ou NICKELBACK se esforçando ao máximo para cantar ou soar como eles, ou seu visual característico sendo exibido por pessoas famosas na TV.
Ao longo de todos os álbuns de estúdio que gravaram na década de 90, alguns artistas de Seattle sempre souberam como colocar o PEARL JAM em seu devido lugar. O guitarrista Stone Gossard já disse sobre como Kurt Cobain os mantinha em bom comportamento na maior parte do tempo, evitando que seu som se tornasse comercial e polido demais. E até mesmo Mark Arm, frontman do MUDHONEY, manteve seus valores tradicionais sobre o que queria fazer e que abriu os olhos do PEARL JAM.
Mas assim que Cobain faleceu, todos ficaram sem fôlego.
Muitos apontam aquele triste 08 de abril de 1994 como o momento em que tudo desabou, mas não é como se tudo tivesse desmoronado em torno de uma pessoa. PEARL JAM tinha muitos outros álbuns excelentes para fazer, como Vitalogy (3º disco, 1994), "No Code" (4º disco, 1996) e "Yield" (5º disco, 1998), e o SOUNDGARDEN estava prestes a lançar o clássico álbum "Superunknown" (4º disco, 1994), mas assim que o gênero chegou aos anos 2000, Vedder sabia que quando assistiu a um show do MELVINS, era o suficiente para soar o toque de finados para o gênero.
O frontman do MELVINS, Buzz Osborne, praticamente fundou o gênero em meados da década de 80 antes que alguém se importasse, mas ao relembrar aquela época em que o grunge explodiu no mundo inteiro no começo dos anos 90, Vedder sentiu que aquele show do MELVINS que ele assistiu no começo dos anos 2000, foi quando as coisas ficaram bem difíceis, dizendo uma vez em entrevista: "Fui ver um show que o MELVINS fez em Seattle, onde eles tocaram a música 'Smells Like Teen Spirit' do NIRVANA com o ator Leif Garrett cantando, e Krist Novoselic (baixista do NIRVANA) subiu ao palco e tirou algumas fotos. Acho que aquilo marcou o fim, sabe? É oficial. Acabou. Coloque uma lápide ali".
Não é que Vedder não tenha razão. A ideia do grunge nos anos 2000 havia se tornado mais uma moda do que um gênero musical propriamente dito, e ao analisar algumas das coisas hediondas que surgiram da cena pós-grunge com bandas como PUDDLE OF MUDD e STAIND, provavelmente era melhor que o grunge fosse tirado de sua miséria do que ter que continuar como uma casca cansada de si mesmo.
E também não é como se o PEARL JAM, ALICE IN CHAINS, SOUNDGARDEN, MELVINS e o MUDHONEY não tivesse deixado de fazer boa música depois do fim dos anos 90. No caso do PEARL JAM, álbuns como "Binaural" (6º disco, 2000), "Riot Act" (7º disco, 2002), "Pearl Jam" (8º disco, 2006) e chegando até seu último álbum de estúdio, "Dark Matter" (12º disco, 2024), todos tiveram bons momentos ao longo de sua trajetória, os tornando mais como uma banda tradicional de rock and roll, em vez de terem a sombra do grunge pairando sobre eles.
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