Ramones: resenha do álbum "Subterranean Jungle"

December 21, 2017

 

A biografia dos RAMONES, “Hey Ho Let’s Go: A História dos Ramones”, escrita pelo jornalista musical inglês, Everett True, foi lançada originalmente em 2002.

 

Este jornalista era da revista Melody Maker e foi a mesma pessoa que "descobriu" o grunge em 1989 e mostrou à imprensa britânica, antes ainda do gênero explodir no mainstream em 1991.

 

Portanto, segue logo abaixo um trecho desse livro onde é destacado o 7º álbum de estúdio dos RAMONES, “Subterranean Jungle”, e que havia sido lançado em 1983:

 

 

 

Em Outubro/1982, os RAMONES começaram a gravar o seu 7º álbum de estúdio, “Subterranean Jungle”, no Kingdom Sound Studio em Long Island, New York.

 

Tanto Johnny quanto Joey (respectivamente, guitarrista e vocalista) falaram sobre deixar os RAMONES..., mas nunca o fizeram. A Sire Records (gravadora da banda) ainda estava determinada a trazer produtores de fora – e a uma sugestão dos RAMONES, perguntaram a Kenny Laguna, empresário e produtor de Joan Jett (ex-vocalista/guitarrista da banda THE RUNAWAYS, que nessa fase pós-RUNAWAYS estava descolando alguns ótimos clássicos do rock), se ele assumiria a produção da banda. Laguna era mais um arranjador e sugeriu para que o grupo usasse o seu co-produtor, Ritchie Cordell – responsável por alguns hits favoritos que os RAMONES apreciavam dos anos 60.

 

Cordell sugeriu Glen Kolotkin como co-produtor – Kolotkin tinha produzido o sucesso contracultural da banda CHAMBERS BROTHERS da música “Time Has Come Today”, e também havia gravado com Jonathan Richman (vocalista/guitarrista da banda THE MODERN LOVERS). Com Ed Stasium momentaneamente fora do esquema (engenheiro de som dos RAMONES), Johnny trouxe o guitarrista do HEARTBREAKERS, Walter Lure, para complementar a banda no estúdio.

 

“Ed Stasium, Daniel Rey (produtor musical e grande amigo dos 'bro') e Walter Lure sempre tocaram juntos com Johnny no estúdio, tanto para acentuar alguns elementos como para trazer certos acordes harmônicos”, Marky explica (baterista). “Johnny nunca tocou guitarra solo no estúdio. Walter era um amigo, Daniel era amigo e se o produtor pudesse tocar guitarra, ele tocaria também. Funcionava assim quando gravávamos em qualquer estúdio”.

 

Enquanto isso, Dee Dee (baixista) ainda estava tendo problemas para dominar conceitos básicos: “Eu sigo pelos pontos e trastes, então Johnny tem que me dizer onde tocar”, revelou. "Não sei nem o nome das cordas”.

 

Em um artigo da revista Rolling Stone da época, Cordell conta que os RAMONES ficaram descontentes com os 02 álbuns anteriores (5º disco, “End of The Century” (1980) e o 6º disco, “Pleasant Dreams” (1981)) e o "atacaram" assim que ele havia entrado no estúdio. “Estava tão aborrecido depois de 15 minutos que tentei sair dali e entrar num armário. Eles não confiaram em mim durante 01 semana inteira, mas a partir daí eles se tornaram muito abertos a sugestões”.

 

"Subterranean Jungle” é um álbum frustrante. Em alguns pontos é horrivelmente super-produzido – Phil Spector teve a sua Muralha de Som (produtor do 5º disco), Gouldman teve a sua visão das harmonias pop dos anos 60 (produtor do 6º disco), mas Cordell parecia estar visando um som mais hard rock que teria funcionado bem com Joan Jett, mas não com uma banda cujos impulsos agressivos eram as últimas coisas com que precisava mexer. Também é desorientador que o disco comece com 02 versões cover – uma versão razoavelmente bem interpretada da música “Little Bit O’Soul” da banda THE MUSIC EXPLOSION, e da canção “I Need Your Love” dos BOYFRIENDS, mas com pouca força e um estilo vocal que soava estranhamente como gritaria e não como um familiar e sincero abraço. 

 

02 covers? Logo no começo? Os RAMONES não haviam se incomodado em colocar 01 cover sequer no álbum antecessor, “Pleasant Dreams” - lembrando que os "bro" estavam incluindo pelo menos 01 cover em cada álbum lançado.

 

O fato de que as músicas de Joey tenham sido creditadas a “Joe” Ramone, era uma indicação da atitude geral: alguns anos antes, alguém teria reagido frente à tamanha idiotice. Agora, ninguém parecia ligar. A Warner Bros. (que comprou a gravadora dos RAMONES) nem sequer se incomodou em lançar 01 single do disco nos EUA.

 

Talvez a voz de Joey tenha enfraquecido depois de tantos anos de estrada. Dee Dee cantou 01 verso inteiro de sua perturbada música, “Outsider”, e a totalidade de sua (francamente mais ridícula do que assustadora) canção, “Time Bomb”. Ouvir o baixista cantar era estranho... Não eram os RAMONES que conhecíamos e amávamos, mas uma estranha besta alienígena que pela 1ª vez em sua carreira parecia estar respondendo diretamente à pressão dos seus pares – mas pares 10 anos mais novos que os RAMONES: os garotos do hardcore.

 

A canção “Psycho Therapy”, uma música da velha escola dos RAMONES feita em parceria por Johnny e Dee Dee, era o começo de um longo período de mediocridade no estúdio – infelizmente, Johnny a adorou: “Queria fazer uma música hardcore para mostrar aos hardcores que podemos tocar tão rápido quanto eles”, Johnny disse à revista Rolling Stone. “Ninguém toca mais rápido do que nós”.

 

Velocidade era a habilidade de Johnny e a sua marca. Era a coisa que ele sentia que podia fazer melhor do que qualquer um. Não foi à toa que ele se sentiu trapaceado pela nova safra de bandas hardcore (todas influenciadas pelos RAMONES) – como o SUICIDAL TENDENCIES, MINUTEMEN e o CIRCLE JERKS - premiados por sua agressividade e rapidez. Ainda que essas bandas e o próprio Johnny tenham se esquecido de uma verdade vital sobre os RAMONES: essa não era a única coisa que faziam. Dee Dee e Joey eram também 02 extraordinários compositores do rock’n roll.

 

“Um dia eu estava caminhando do consultório do meu psiquiatra para casa”, Dee Dee contou à revista Melody Maker, “e lembrei de que ‘psycho therapy’ tinha sido um dos termos usados por ele. Fui ensaiar porque estava tudo tão bem naquele dia e comecei a cantar a frase. Foi estranho porque eu estava brigado com Johnny e decidi que queria voltar à amizade. Então lhe disse: ‘Quer escrever uma música comigo?’ Nos sentamos e a escrevemos bem ao estilo dos RAMONES”.

 

A canção “My My Kind of Girl”, 01 das 03 músicas de Joey neste álbum, foi outra preciosidade ao estilo clássico dos grupos femininos, com backing vocals não creditados da cantora pop britânica dos anos 60, Petula Clark. Joey canta: “Quando eu vi você na rua 8ª / Você podia tornar a minha vida completa, baby”. O cantor é tão claro em amor quanto na ideia do amor em si..., de derreter o coração.

 

“O que Joey mais queria na vida era ter as músicas dos RAMONES usadas em filmes e comerciais”, explica Janis Schacht (relações-públicas da Sire Records). “Por isso que ele usava referências a lugares como o Burger King. Ele queria muito que a música ‘My My Kind of Girl’ fosse usada em uma propaganda do Burger King”.

 

Há outras grandes canções presentes – Joey voltou ao repertório das imagens turbulentas alimentadas pelo seu remédio chamado Thorazine (antipsicótico) de canções como, “We’re a Happy Family” (lançada no 3º disco), e no fechamento desse álbum com a música “Everytime I Eat Vegetables I Always Think of You” (quase uma música em um título – nos velhos tempos teria sido). 

 

Há também a linda e desinibida canção, “In The Park”, um ode de Dee Dee a uma juventude (parcialmente) inocente que ele nunca teve. Outra de Dee Dee com o seu hino roqueiro é a música “Somebody Like Me”, com os seus versos nonsense: “Eu sou apenas um cara que gosta de fazer rock’n roll / Sou apenas um cara que gosta de ficar bêbado / Sou apenas um cara que gosta de se vestir como punk / Passar bem e viver a minha vida”.

 

Estranhamente, o 3º e último cover é excelente! Uma forte versão da música já citada, “Time Has Come Today” (lançada como single no Reino Unido), com um vocal virtuoso de Joey e guitarras sólidas, somente estragado marginalmente pela produção. “Eu fiz algumas demos para ‘Subterranean Jungle’’, disse Ed Stasium. “Aquelas músicas são boas. Na versão final da canção ‘Time Has Come Today’, porém, o técnico de gravação cometeu algum erro maluco com a guitarra de Johnny e se você a escuta em mono, ela desaparece. Ausência de guitarras em uma música dos RAMONES é algo bastante embaraçoso”.

 

Joey, como era de se esperar, era indiferente quanto ao hardcore: “Para mim soa tudo a mesma coisa”, ele disse à revista Rolling Stone em 1987. “Não ouvi nada que tivesse feito a terra tremer ou que me deixasse de quatro”.

 

“Não entendo como alguém em uma banda punk pode ser um liberal”, Johnny reclamara alguns anos antes. “Punks não devem se interessar por política ou ser de direita (???), ou então serão apenas hippies vestidos de punks”.

 

“Eu tenho orgulho da política de Johnny”, disse Dee Dee. “Ele é um bom americano... Quando os policiais nos perturbavam o tempo todo, ele dizia que estavam sendo apenas bons policiais. Ele apenas não gostava de ver americanos fazendo merda”.

 

A luta pelo poder, dentro e ao redor da banda, continuava em pé até o final dos shows e além. De fato, depois de Joey (e agora Dee Dee) as picuinhas haviam se fortalecido. Há uma suspeita de que no começo dos anos 80, Joey tinha a mão forte – a sua busca pela perfeição musical ecoando as necessidades da gravadora. Mas então, as coisas mudaram e o sucesso falhou em materializar-se. Assim, Johnny decidiu que era hora de tomar para si o controle artístico.

 

Marky nunca disse uma palavra e Dee Dee estava completamente em outro mundo durante a gravação desse álbum...

 

Não é de admirar que o público dos RAMONES tenha abraçado o NIRVANA tão afetuosamente quando o grupo apareceu (e outras bandas grunge de grau mais baixo, no bom sentido).

 

A propósito, com o NIRVANA finalmente surgia outra banda capaz de unir a sensibilidade do punk rock com um puro coração pop.

 

A capa de “Subterranean Jungle” ao menos mostrou a banda usando as suas jaquetas de couro novamente, parados na 6ª Avenida de Coney Island, New York. A pose dos músicos é estranha... Joey está sentado ao fundo, Dee Dee usa uma camisa branca brilhante demais para ser real e dá para se esquecer de Marky, olhando através de uma janela ao lado – e o grafite no trem foi obviamente acrescentado depois. A foto inteira cheira a inautenticidade, uma visão maquiada e simpática do punk mediada pela MTV, que pouco tem a ver com a imagem original dos RAMONES.

 

“Os RAMONES tinham o conceito de serem fotografados em um vagão de metrô e queriam que eu fosse à garagem dos trens no fim da linha”, disse o fotógrafo, George Dubose. “Fotografei diferentes fundos e então Johnny me pediu para dizer a Marky para olhar pela janela - ele havia sido despedido do grupo, mas ainda não sabia. Quando começamos a trabalhar na capa, o vagão estava limpinho – a maioria dos grafites foram acrescentados depois. Mais tarde, soubemos que os RAMONES não estavam contentes com a capa, porque ela parecia muito artificial”.

 

Os RAMONES tocaram "apenas" por volta de 70 shows em 1982, refletindo a sua desarmonia interna. A data final da banda no ano foi em 27 de Novembro/1982, em Long Island. Também era o último show de Marky com a banda, até o seu retorno em definitivo em 1987.

 

“Comprei uma garrafa de vodca e levei para o estúdio”, disse Marky, “só o Walter Lure sabia. Escondi no lixo e Dee Dee achou e me dedurou. Ele também não era nenhum santo, sabe? Ele estava cheirando cocaína, fumando maconha e todas aquelas drogas dele. Nunca teria feito isso com ele. Esqueci disso porque obviamente ainda somos amigos... A única música em que eu não estou nesse disco é na canção ‘Time Has Come Today’. Fico feliz porque não gosto daquele álbum. De fato, esse é o disco que mais odeio – odeio a produção, odeio o produtor..., foi a única pessoa que não me deixava tocar na minha própria bateria! Ele queria que eu usasse essa porcaria de bateria moderna que soa como uma máquina e sabe, eu não ligava mais a essas alturas porque estava bebendo muito. Depois disso eu recebi um telefonema: ‘Não queremos mais você na banda’”.

 

 

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Qual era o seu drinque preferido?

 

“Dependia da hora do dia. De manhã, champanhe. À tarde, martínis. À noite, não importava mais, porque estaria tão bêbado que tomaria vodca pura, 100%. Eu não ligava para mistura”.

 

Teve algum momento em que se deu conta de que a bebida estava saindo do controle em sua vida?

 

“Houve alguns poucos... Eu estava guiando pela Avenida Flatbush (no Brooklyn, New York) no meu Cadillac 1960 em um calor de 30ºC, parei num bar e tomei 04 martínis duplos. Voltei para o carro e comecei a dirigir, quando de repente eu apaguei. O peso da minha perna comprimiu o acelerador e eu fui direto através da vitrine de uma loja de móveis. Era 15:00hs da tarde, as pessoas estavam fazendo compras e havia crianças em um ponto de ônibus recém-saídas da escola e indo para casa. As janelas do carro eram elétricas e não dava para abrir pelo lado de fora. Os policiais estavam com as armas engatilhadas e diziam: ‘Saia já ou então vamos fazê-lo sair!’ Levaram-me para a cadeia por ‘dirigir sob influência de bebida alcoólica’. Poderia ter matado 10 crianças no ponto de ônibus. Poderia ter matado pessoas que estavam na loja de móveis..., fiquei na cadeia 01 noite inteira e não gostei nem um pouco. Apesar disso, eu não aprendi a lição.

 

Outra vez, estávamos eu na direção do carro com 02 roadies, um na frente e outro atrás – e bebi 01 garrafa de vinho tinto. Tive poucos carros e esse era um Cadillac Coupe de Ville 68. Senti alguma coisa quente dentro do carro... Achei que o roadie tinha deixado cair o cigarro, porque o assento estava todo ferrado com buracos e o tecido já estava muito precário. Estacionei, saí do carro e ele de repente ficou em chamas! Se eu tivesse permanecido no carro uns minutos a mais, teríamos morrido queimados. Os policiais vieram, os bombeiros vieram – e fui autuado por ‘dirigir sob influência de bebida alcoólica’ outra vez. Eu nem sequer tinha carteira de motorista, cara... Eu não tinha nada, sabe? Estava trapaceando. O mesmo juiz, a mesma merda, os mesmos acidentes...

 

A próxima coisa que me lembro foi quando disse: ‘Vou parar por mim mesmo!’. No 3º dia que estava sem beber, eu me sentia muito mal, sabe? Fui para a casa dos meus pais, olhei no quintal dos fundos e vi uma imagem se formando e era uma porra de um dinossauro olhando diretamente para mim. Virei às costas, esfreguei os olhos e olhei outra vez, e a coisa estava mais perto de mim! Era os sintomas da abstinência... Então, saí correndo da casa dos meus pais, voltei ao meu apartamento, que era logo ali, dobrando a esquina, e me enfiei debaixo das cobertas na cama. Durante toda a noite via insetos, cobras e animais voadores malucos. Eu tinha um cachorro – não o coloquei para fora – e ele cagou por todo o apartamento. Lembro de pisar em fezes... Eu estava suando sob os cobertores, gritando, mas querendo que ninguém me ouvisse.

 

No dia seguinte, me inscrevi em um centro de reabilitação. É onde se ouvem os gritos, berros, gemidos e tudo. Eles começam a lhe dar remédios para tomar e é onde você começa a ver coisas. Elas vem do nada, cara... Você fica sentado em uma cadeira, quase vivendo, quase existindo... E mal pode esperar para cair fora, mas se o fizer, vai direto procurar a bebida.

 

O pessoal da banda queriam que eu fosse às reuniões do A.A. É onde se encontram pessoas com os mesmos problemas, mas no começo eu não queria que ninguém soubesse dos meus segredos”.

 

Sim, eu entendo...

 

“Eu não sabia quem eram aquelas pessoas. Eu disse: ‘Oi, sou Marky, acho que sou alcoólatra’. Então, um cara me disse: ‘Bem, por que você está aqui?’ Eu respondi: ‘Por que estou aqui? Não é que eu queira ficar sóbrio, estou aqui porque não quero machucar as outras pessoas e todo mundo fica me dizendo para vir. Eu não quero mais passar pelos sintomas da abstinência’. Daí ele falou: ‘Você é alcoólatra!’ E eu falei: ‘Certo, eu sou alcoólatra Eu sou Marky e sou alcoólatra’. Então, comecei a relaxar...

 

Depois de 04 semanas eu saí. Fiquei bem por umas 07 semanas e daí escorreguei..., fui para uma balada. Foi quando briguei com Johnny Thunders no Clube Mudd (ex-guitarrista do NEW YORK DOLLS e do HEARTBREAKERS). Estávamos todos no banheiro e Johnny Thunders queria tomar um pico de heroína e eu queria mijar – porque estava bebendo, obviamente. Ele me deu um soco e eu devolvi outro. Clem Burke (baterista do BLONDIE) me segurou por trás e outro cara segurou Johnny Thunders. Eu podia ter acabado com a raça dele, sabe? Então, caí em mim: ‘Agora dei para brigar com os meus amigos?’ Tive de ir para um programa de reabilitação radical – como um acampamento militar. Sem tolices, sem cagadas, certo? Você acorda e vai para a sua reunião às 06:00hs da manhã, antes do café da manhã. Depois de voltar, há tarefas para serem cumpridas – seja o que for que eles mandarem você fazer. Quando eu saí de lá, comecei a participar de reuniões na região onde morava, absorvi tudo e foi isso que me fez parar de beber. Essa é a história toda”.

 

Está bem..., no entanto, você deve sentir falta, não é?

 

“Eu não me arrependo. Diverti-me muito! Gosto de beber, só não gosto de perder o controle”.

 

É difícil... Se você está em uma banda de rock, você fica sentado por horas antes de um show começar e depois, você precisa de alguma coisa para se acalmar quando o show acaba...

 

“Alcoolismo afeta qualquer um em qualquer ramo – não precisa ser necessariamente no negócio das bandas de rock. Existem pessoas na indústria do entretenimento que sabem como lidar com as sua bebidas. Acham coisas para fazer quando parece não haver mais nada. Sabem entreter a si mesmos, saem e vão ver a cidade, daí voltam e tocam. Eu só sentava com o meu copo e a minha garrafa. Seja em Wall Street, na indústria de construção ou na política, o álcool afeta as pessoas de formas diferentes. Se você é alcoólatra, você tem uma doença. Em vez de pegar um táxi, sair para olhar os lugares, as lojas de discos, eu pedia ao bartender: ‘Quero uma garrafa de Jack Daniel’s. Pode deixar a garrafa e traga um copo pequeno’. Era isso e eu ainda tinha que disfarçar o meu hálito... Eu podia encarar um show e estaria bem para tocar. Já algumas pessoas não conseguem, mas eu ficava inteiro o suficiente para manter a batida, sem problemas. O que eu não conseguia era controlar o meu temperamento”.

 

Então, quando você parou com o álcool, o que passou a usar no lugar dele?

 

“Comecei a consertar carros, a colecionar pôsteres de ficção científica, brinquedos, a praticar mais bateria – tudo para manter a minha mente longe da bebida... Depois de algum tempo a fissura vai embora”.

 

(Entrevista do autor com Marky Ramone).

 

 

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Após uma série de testes, a banda escolheu Richie Reinhardt para ser o novo baterista dos RAMONES – agora já nomeado como Richie Ramone, anteriormente baterista da banda VELVETEEN, de New York também.

 

Richie uniu-se ao time e apareceu nos 02 vídeo clipes feitos para promover o álbum “Subterranean Jungle”, que foram as músicas “Psycho Therapy” e “Time Has Come Today”. Dado o pontapé inicial da turnê do novo disco (isso já no ano de 1983), Richie estava de prontidão junto com a banda.

 

Apesar de severamente criticados por muitos fãs e sofrendo pela fraca produção, “Subterranean Jungle” não é tão ruim assim. “Tem a ver com a idade em que você ouviu os RAMONES pela 1ª vez”, opina Slim Moon (fundador do selo musical independente, Kill Rock Stars). “É o meu álbum favorito! A música ‘Psycho Therapy’ é ótima! Lembro que o vendedor de quem eu comprei o disco estava chocado... Lembro dele me dizendo: ‘Este não é um verdadeiro disco dos RAMONES’. Eu gosto dos 02 primeiros álbuns, são clássicos também, mas eu não sou purista nesse quesito”.

 

Literalmente, as manchetes sobre “Subterranean Jungle” não existiram quando o disco foi lançado em Fevereiro/1983 (ou se existiram, foram mínimas de se acharem).

 

Os RAMONES já estavam há um longo tempo batendo a cabeça contra o muro (pelo menos nos EUA), considerando o apelo que eles tinham na Europa, Japão e nos países de língua espanhola.

 

Ao mesmo tempo, os membros dos RAMONES mal conversavam, as bebidas estavam fora do controle, havia um novo baterista em cena, Joey entrava e saía do hospital por conta da fragilidade do seu corpo, Johnny esteve perto de morrer (ao envolver-se numa briga de rua onde teve o seu crânio fraturado), o punk estava fora de moda, Dee Dee estava se drogando demais..., mas isso era os RAMONES! 

 

Uma geração inteira de bandas havia brotado influenciada pelo seu estilo curto e grosso – de fato, a essa altura estava se tornando mais fácil achar um músico que era apaixonado pelos seus 03 primeiros álbuns do que um que não era. Isto gerou as seguintes bandas na época: NOFX, BAD BRAINS, HUSKER DU, SUICIDAL TENDENCIES, NEWTOWN NEUROTICS, SNIPER, BILLY BRAGG, THE GO GO’S, SONIC YOUTH, SHOP ASSISTANTS, MEMBRANES, R.E.M, FEAR, THE VANDALS, UK SUBS, MARINE GIRLS, U2, VELVET MONKEYS, THE GERMS, BLACK FLAG, DEAD KENNEDYS, ORANGE JUICE, HALF JAPANESE..., era possível ouvir elementos dos “bro” no som de todos elas. 

 

E a lista continuava mais e mais (lembrem-se sempre que não existiam as bandas SEX PISTOLS, THE CLASH, THE DAMNED e THE PRETENDERS quando os RAMONES fizeram o seu 1º show na Inglaterra). As suas jaquetas de couro se tornaram chiques com os jeans rasgados, e a atitude de bad boys já haviam sido adotados exaustivamente como garantias de credibilidade. Vestir uma camisa dos RAMONES, e você o faria – não importava o que você era ou de qual música gostava.

 

 

Nesta época, a ainda falta de sucesso no mainstream só fortaleceu os RAMONES.

 

Track-list:

 

1- Little Bit O'Soul

2- I Need Your Love

3- Outsider

4- What'd Ya Do

5- Highest Trails Above

6- Somebody Like Me

7- Psycho Therapy

8- Time Has Come Today

9- My My Kind of Girl

10- In The Park

11- Time Bomb

12- Everytime I Eat Vegetables it Makes Me Think of You

 

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