Queens of The Stone Age: resenha do novo álbum, “Villains”

December 21, 2017

 

QUEENS OF THE STONE AGE retornou em grande estilo com o lançamento de seu 7º álbum de estúdio, “Villains”. A banda é um dos heróis do atual rock alternativo e a espera do seu lançamento tem sido de alta expectativa – finalmente lançado agora em Agosto/2017.

 

Considerando o sucesso sem precedentes do álbum antecessor de 2013, o top de rankings “Like Clockwork”, você poderia perdoar o frontman do grupo, Josh Homme - e a sua banda de irmãos musicais - se eles sucumbissem à pressão. 

 

Felizmente para todos os envolvidos, esse não foi o caso.

 

Produzido por Mark Ronson, o disco serve como o próximo passo lógico na evolução contínua do QUEENS OF THE STONE AGE. Eles nunca foram uma banda que se enquadrou às regras - na verdade, é uma banda que ignora todas as regras. Realmente, parece que existe uma falta de grupos que se inscrevem nesse mantra em nosso atual clima musical... 

 

Ronson não parece uma escolha lógica para ser o produtor, mas é exatamente por isso que ele foi escolhido e foi algo inesperado! (produtor de vários artistas pop music).

 

Assim como a banda continua crescendo a boas alturas críticas, o QUEENS OF THE STONE AGE era uma vez um grande segredo mantido no underground, mas devido à arte perdida de se manter um segredo, o grupo não tinha escolha, a não ser em subir ao topo da safra.

 

"The Way You Used to Do", o 1º single do álbum, serviu como um trampolim sonoro para aumentar a ansiedade e deixar os fãs empolgados, mas ao invés de apenas estarmos animados por se tratar de uma nova música, a canção é realmente excelente! A música é uma chamada para as armas para quem precisa de uma ótima canção. O falsete usual de Josh Homme está em pleno efeito, assim como é inegável a sua habilidade em apresentar um belo refrão. Um verdadeiro sucesso para o verão...

 

QUEENS OF THE STONE AGE tem uma história em lançar fortes singles para os seus álbuns. Canções como "No One Knows" e "Little Sister" são duas que realmente fazem você pular. Singles dos respectivos discos, “Songs For The Deaf” (3º álbum, 2002) e “Lullabies to Paralyze" (4º álbum, 2005), ambos se beneficiaram grandemente e justamente por seus singles principais - e ambas estabeleceram o cenário para os seus respectivos álbuns. No entanto, a música "The Way You Used to Do" é um pouco deste sintoma e apresenta marcas de referência para o que irá ser apresentado no disco, mas não se enganem, esse novo álbum é mais variado com uma fluidez que não o configura como um disco encaixotado num modelo só.

 

O 2º single, "The Evil Has Landed", é o clássico QUEENS OF THE STONE AGE (poderia também ser uma sobra de estúdio do THEM CROOKED VULTURES e conforme Homme falou em entrevista, o riff dessa canção foi criado nas sessões de estúdio do álbum "Songs For The Deaf", lá em 2002). Esta música ainda apresenta uma qualidade etérea a la LED ZEPPELIN, especialmente na forma que a guitarra de Homme é tocada.

 

Lembremos que no disco antecessor, somente na música "My God is The Sun" a banda apresentou aquela velha e conhecida sonoridade do QUEENS OF THE STONE AGE, sendo que no disco "Villains" esta sonoridade embrionária só aparece no final da canção "The Evil Has Landed"...

 

No entanto, não soa como o 1º single do álbum (em comparação, não em desmerecimento). “The Way You Used to Do” me fez pensar que haveria um tema específico em termos de som para o que o disco iria soar - eu estava errado. Você não pode negar a influência e até mesmo o impacto em trabalhar com o produtor Mark Ronson pela 1ª vez, devido as suas tendências pop não serem completamente estranhas a Homme e cia.

 

O frontman da banda possui uma capacidade inata em compor um verdadeiro gancho, exigindo que você concorde com o balanço da sua cabeça com uma melodia que você não pode deixar de cantarolar junto neste 2º single.

 

Mas é nessa colaboração onde o álbum encontra a sua verdadeira vida. O QUEENS OF THE STONE AGE não é reincidente aqui... Eles poderiam seguir com o fluxo normal das coisas, mas onde estaria a diversão nisso tudo? Eles se burlaram ao tomarem essa atitude no álbum anterior e novamente escolheram renunciar ao caminho mais fácil. Assim como fizeram uma curva à tangência no disco “Like Clockwork”, aqui no álbum “Villains” eles decidiram dar continuidade ao seu campo de exploração musical sem precisar repetir a fórmula do seu disco antecessor.

 

O álbum “Villains” também é rico em variedade, mas com a sua tradicional familiaridade sendo reconfortante para nós. Não importa qual seja o estilo ou gênero que a banda nos apresenta, a sua sonoridade sempre estará profundamente enraizada dentro deles.

 

Não há convidados especiais desta vez. Não temos Dave Grohl e nem Mark Lanegan nas gravações (ex-baterista do NIRVANA e ex-vocalista do SCREAMING TREES). Mesmo que Josh Homme seja o único membro do grupo que participou de todos os álbuns de estúdio desde 1998, a banda já é composta por um longo tempo pelos seus atuais companheiros: o guitarrista Troy Van Leeuwen (desde 2002), junto com o tecladista/guitarrista Dean Fertita e o baixista Michael Shuman (ambos desde 2007), e o baterista Jon Theodore (desde 2013).

 

O álbum “Villains” se beneficia pela mesma coesão da linha principal do seu disco anterior e turnê. Os vocais principais são todos fornecidos por Homme e é uma delícia ouvir como ele amadureceu. Como um vocalista confiante e poderoso ao longo dos anos, a sua voz é mais forte do que nunca neste novo álbum.

 

Assim como é fantástica a canção que abre o disco, "Feet Don’t Fail Me" (com uma atmosfera inicial concedendo saudações ao álbum anterior). As guitarras ruidosas fazem a seção rítmica dançar enquanto Homme junta tudo num pacote só. Os álbuns - de qualquer banda - que abrem com músicas fortes sempre são grandes indícios e sinais proféticos do que está por vir, e aqui não é diferente... E ao invés de simplesmente escrever letras sem sentido para pegar o caminho mais fácil, Homme escolheu bem a sua parte escrita. Ninguém precisa de outra música de amor e Homme está no seu melhor quando as suas letras têm uma vantagem misteriosa para nós. Nada é escrito diretamente para você, mas aqui as suas letras não são de uma natureza tão obscura que o ouvinte não possa se relacionar.

 

Também chamou muita atenção a música "Head Like a Haunted House", seguindo a vibe dançante que permeia várias canções do álbum, mas aqui um rockabilly onde Homme arranjou espaço para cantar "trutti frutti" e "mumbo jumbo" perfurado pelo rock alternativo (e grunge, talvez?)

 

A canção que encerra o álbum, "Villains of Circumstance", é outro destaque e apresenta letras melancólicas com uma sonoridade que lembra o disco antecessor - com exceção do refrão! Aqui, Homme realmente acertou em cheio com um refrão que mais lembra uma saudação aos cantores solo dos anos 50 e 60 (que ele já admitiu em entrevista ser fã também) com visões incríveis no imaginário e que há tempos não me proporcionava tal sensação... E assim como na bela música "Fortress", que diga-se de passagem, é uma baita de uma sonzeira que vai nos conquistando aos poucos, ambas possuem conteúdos líricos em homenagem aos filhos de Homme - conforme entrevista concedida pelo próprio.

 

E o que dizer da canção "Domesticated Animals"? Uma sonzeira, mas se qualquer banda de garagem ou sem grande expressão popular criasse uma música com esses acordes que escutamos nos versos..., sério, não iria chamar a atenção de ninguém e iria mais parecer um aluno iniciante em aulas de guitarra parindo os seus primeiros acordes. A levada da bateria é o que dá aquele gás...

 

A canção "Hideaway" me lembrou a atmosfera daquelas músicas "viajonas" no disco "Lullabies to Paralyze" (vide "Like a Drug" e "You Got a Killer Scene There Man") e com o benefício do retrospecto, foi nesse 4º disco que Homme já estava dando insights para uma nova sonoridade ao QUEENS OF THE STONE AGE - corroborada no álbum "Like Clockwork".

 

A música "Unreborn Again" é outra maravilha e que entraria fácil no disco antecessor, onde me faltaria palavras para descrevê-la - correndo o risco de não defini-la tão bem - mas com o seu encanto ocorrendo na parada isolada do vocal junto com os violinos... Com certeza, aqui entrou o dedo do produtor com uma também saudação do saxofone em seu final.

 

Vale destacar as linhas de baixo que permeiam todo o disco. São linhas magníficas que realmente nos prendem a atenção e faz com que o ouvinte mergulhe fundo para acompanhá-las e desfrutá-las. Assim como a sonoridade da bateria que em certas canções - principalmente pelo bumbo - nos remete à sonoridade gorda, alta e de garagem do último álbum do NIRVANA, "In Utero" (1993).

 

O melhor aspecto geral no álbum “Villains” é que recebemos outro belo disco de uma grande banda de rock - uma das poucas restantes... Só pelo fato do grupo ter aumentado novamente a barra dos seus próprios elevados padrões, isto já soa inspirador. Ninguém sabe se continuaremos a ver grandes bandas de rock a se desenvolverem e se elevarem aos padrões que os fãs de rock merecem.

 

 

A música rock alternativa está lutando para criar novos heróis... 

 

Comparado com um tempo na década de 90 - quando parecia que as bandas estavam caindo do céu - o mesmo não pode ser dito hoje em dia. Numa época em que muitos grupos se contentam em ficar no piloto automático, o QUEENS OF THE STONE AGE é uma rara exceção. Eles já tinham provado a sua capacidade em fazer um álbum forte para corroborar todo o seu passado (“Songs For The Deaf”). E depois, lançaram outro disco para corroborar a sua musicalidade (“Like Clockwork”). 

 

Mas em “Villains”, em um nível diferente, eles conseguiram se manter fiel a quem eles são em seu núcleo, apresentando (o que poderia ser difícil de imaginar) uma nova e impressionante diversidade musical - apesar de sentirmos em certos momentos alguns temperos do disco antecessor.

 

Track-list:

 

1- Feet Don't Fail Me

2- The Way You Used to Do

3- Domesticated Animals

4- Fortress

5- Head Like a Haunted House

6- Unreborn Again

7- Hideaway

8- The Evil Has Landed

9- Villains of Circumstance

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