• by Brunelson

Steve Albini: "nada estava fora dos limites”, disse o produtor sobre a sua forte personalidade


"Confesso que era uma percepção ignorante, mas sou responsável por aceitar o meu papel no patriarcado, na supremacia branca, na subjugação e abuso de minorias de todos os tipos", disse o sempre sincero produtor, Steve Albini.

Albini foi recentemente entrevistado e falou sobre o seu passado transgressor e comportamento sincero "doa o que doer", explicando que “nada estava fora dos limites” na sua época.

O produtor também é conhecido por ter sido guitarrista da banda punk rock BIG BLACK nos anos 80 e ter produzido discos de bandas como PIXIES, NIRVANA e tantas outras...

Entrando numa rede social, Albini disse que tinha "algumas explicações a fazer", depois que algumas pessoas estavam tentando "denunciá-lo" em relação às suas controvérsias e posições anteriores assumidas.

“Muitas coisas que eu disse e fiz de uma posição ignorante de conforto e privilégio, são claramente terríveis e eu me arrependo delas”, explicou ele. “Não é obrigação de ninguém ignorar isso e eu sinto a obrigação de me redimir...”

Algumas dessas declarações de Albini no passado soaram no mínimo preconceituosas e machistas.

Ele continuou dizendo que “amadureci, evolui e aprendi com o tempo”, acrescentando que as suas ações foram “mal calculadas”.

“Estou atrasado para uma conversa sobre o meu papel em inspirar merdas", continuou Albini. "Acredite em mim, eu conheci a minha cota de punidores nos shows".

Agora, em uma nova entrevista para a Mel Magazine, Albini explicou que ele era "surdo para muitos problemas femininos" na hora de nomear outra banda sua de RAPEMAN.

“Dentro dos nossos círculos, dentro da cena musical, dentro do underground musical daquela época, muitos problemas culturais já eram considerados resolvidos, ou seja, você não se importava se os seus amigos eram 'esquisitos'”.

“É claro que as mulheres já tinham um lugar igual e um papel igual a desempenhar em nossos círculos. A cena musical já era amplamente inclusiva na nossa época, então, para nós, sentimos que esses problemas já haviam sido resolvidos e essa foi uma percepção ignorante, eu confesso”.

Ele continuou: "Essa é a maneira que muitos caras brancos heterossexuais pensam do mundo. Eles pensam que requerem um ódio ativo de suas partes em serem preconceituosos, intolerantes ou serem participantes da supremacia branca".

“A ideia é que, se você não está ativamente fazendo algo para oprimir alguém, você não é parte do problema. Em oposição a desfrutar silenciosamente de todos os privilégios que foram concedidos a você por gerações desse domínio".

Albini disse que isso foi uma “falha fundamental da minha percepção”, acrescentando: “Foi um processo de esclarecimento para eu perceber e aceitar que o meu próprio status de homem branco nos EUA é produto de preconceitos institucionais e de que gostava desses benefícios, seja de forma passiva ou ativa".

“E sou responsável por aceitar o meu papel no patriarcado, na supremacia branca, na subjugação e abuso de minorias de todos os tipos”.

Em outro ponto da entrevista, Albini disse que “nada estava fora dos limites”, ao se lembrar da linguagem abusiva “genuinamente chocante” que ele usava em seus círculos musicais.

Albini finalizou: “Percebi que havia pessoas na música underground que não tocavam ou se expressavam quando usavam uma linguagem como essa e que não eram almas gêmeas. Elas eram, de fato, terríveis e apenas disfarçados de intelectuais... Esse foi um dos muitos momentos de despertar naquela época”.


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