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Radiohead: o álbum que fez Thom Yorke pensar em querer acabar com a banda

  • by Brunelson
  • há 8 minutos
  • 3 min de leitura

Essa é uma daquelas histórias que não surpreendem ninguém, pois não é de se estranhar que tenha havido vários momentos na história em que uma banda tenha pensado em encerrar as atividades, especialmente o vocalista Thom Yorke do RADIOHEAD.


Yorke é uma pessoa que parece totalmente e inabalavelmente desconfortável com o auge do seu próprio sucesso. Ou, talvez mais precisamente, o auge da sua própria fama e notoriedade, já que o papel de uma celebridade parece uma armadilha para um dos vocalistas mais temperamentais do rock'n roll. Tudo começou logo no início, quando o sucesso do single de estreia da banda, "Creep", deu o tom instantaneamente a ele.


Apesar de ser a música que fez seu nome e lhe deu a carreira que ele tem hoje, Yorke já xingou os fãs de "Creep" em alguns shows da banda. A princípio, o ódio por essa música parecia até certo ponto válido. 


Após o ciclo de lançamentos do seu álbum de estreia, "Pablo Honey" (1993), em que a canção "Creep" era tocada nas rádios e MTV constantemente, a frustração dos membros do grupo é compreensível: "Parecia que estávamos revivendo os mesmos 04 minutos e meio de nossas vidas repetidamente. Era incrivelmente sufocante", disse uma vez em entrevista o guitarrista Johnny Greenwood sobre aqueles dias iniciais, e isso é fácil de entender. 


Mas à medida que o ressentimento pela música perdura até hoje, somado a várias outras críticas aos próprios fãs, tudo se torna um microcosmo da relação de Yorke e companhia com seu próprio sucesso.


Então, não é nenhuma surpresa que ele já tenha pensado alguma vez em encerrar as atividades do grupo, no entanto, enquanto outros artistas podem se aquecer lentamente para chegar nesta sensação e ficando cada vez mais cansados com o tempo, Yorke foi atingido por ela instantaneamente e se agarrou a ela, lutando para realmente aproveitar os primeiros frutos do sucesso, pois estava ocupado demais sendo completamente dominado por tal situação.


A música "Creep" foi a causa, mas foi sua relação com a criação do 2º álbum da banda, "The Bends" (1995), que se tornou um primeiro sintoma claro e o fez querer desistir de tudo.


"Pra mim, o disco 'The Bends' será manchado por uma imagem particular que tenho de uma época muito ruim", relembrou Yorke ao site Time Out sobre o 2º álbum de estúdio do RADIOHEAD, um disco que ficará para sempre apagado em seus olhos. Enquanto vivia naquele período "estupefato", Yorke lutou para se recompor no tempo em que o mundo ainda parecia exigir a canção "Creep" nos shows e em veículos de comunicação. Em suma, ele estava exausto e não sabia se conseguiria ou se queria continuar.


"Sentado no estúdio durante as gravações do disco 'The Bends', fiquei pensando: 'Não, acho que não vamos conseguir fazer isso juntos. Vamos ter que nos separar'", Yorke lembrou na entrevista. "Pensando: 'Não quero mais fazer isso. Vou comprar um carro, ir embora e não vou voltar nunca mais'. Tenho certeza de que todos na banda estavam passando por isso também".


Parece um caso clássico de síndrome do 2º álbum, em que a banda parecia ter dificuldades com a pressão de tentar dar sequência a um sucesso de estreia, mas para Yorke e RADIOHEAD, isso teria sido inegavelmente compactado pela relutância em relação à fama, por não saberem como outro grande disco poderia afetar a banda ou qual seria a próxima música em que eles ficariam presos em um loop infinito a seguir.


Mesmo assim, eles amadureceram, pois o álbum "The Bends" simplesmente traria mais algumas canções de sucesso à banda e que também ficaram marcadas na história do rock.


"Street Spirit" (Disco: "The Bends")


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