Chris Cornell: alguns dos maiores desempenhos vocais nas bandas que participou

August 19, 2020

 

Na manhã de 18 de maio de 2017, o rock perdeu uma de suas vozes mais icônicas.

 

Abençoado com uma extensão de quatro oitavas que poderia ir de uma doçura celestial a uma fúria infernal, Chris Cornell deixou um legado de grandes gravações da banda com a qual alcançou fama, junto com os muitos projetos que perseguiu fora do SOUNDGARDEN, como o TEMPLE OF THE DOG e AUDIOSLAVE.

 

Sabemos da magnífica carreira solo do cantor, que cada vez mais estava sendo solicitado a fazer trilhas sonoras para filmes, além de sua frutífera discografia solo.

 

Porém, em homenagem o site rockinthehead resolveu selecionar alguns dos maiores desempenhos vocais de Chris Cornell somente nas bandas que ele participou.

 

E com várias canções para serem escolhidas (se não todas), segue uma pequena lista em ordem cronológica para respeitar este enorme repertório de Chris Cornell: 

 

 

Música: "Say Hello to Heaven"

Álbum: "Temple of The Dog" (1º disco, 1991)

Banda: TEMPLE OF THE DOG​

 

Álbum criado em homenagem ao vocalista do MOTHER LOVE BONE, Andrew Wood, que tinha falecido de overdose de heroína em 1990, poucos dias antes do lançamento agendado do álbum de estreia do MOTHER LOVE BONE. A canção "Say Hello to Heaven" é a faixa de abertura do disco gravado pelo supergrupo de Seattle, TEMPLE OF THE DOG.

 

Definitivamente, 1991 foi o ano que capturou Chris Cornell atingindo também algumas das melhores notas de sua carreira. 

 

Em 2016, o vocalista havia dito em sua última entrevista para a revista Rolling Stone sobre os dias sombrios que inspiraram esta música: "Não me lembro de fazer muito mais depois do funeral de Andy além de ser arrastado pela dor do momento, mas depois de algumas semanas eu escrevi duas músicas, 'Say Hello to Heaven' e 'Reach Down', ambas para Andy... Não me lembro de tê-las gravadas em fita demo, mas me lembro das ideias e de escrever as letras porque eram muito diferentes e envolviam uma pessoa real. Isso não era algo que eu normalmente faria, sabe? Eu normalmente escreveria um personagem que era parte eu e parte um personagem fictício, mas essas letras refletiam especificamente Andy e os meus sentimentos por ele. Eu não deixei mais nada entrar nas letras, pois era algo precioso".

 

Música: "Slaves & Bulldozers"

Álbum: "Badmotorfinger" (3º disco, 1991)

Banda: SOUNDGARDEN

 

Infelizmente, a canção "Slaves & Bulldozers" seria a última música que Chris Cornell cantaria em vida, estranhamente fazendo uma ponte sobre um pequeno trecho da música "In My Time of Dying" do LED ZEPPELIN como bis final naquele fatídico último show no Fox Theatre, em Detroit. Pouco mais de 01 hora depois do término deste show, a vida do cantor chegaria a um fim trágico. 

 

Foi também a música que o produtor Rick Rubin tocou para os membros restantes do RAGE AGAINST THE MACHINE para convencê-los de que o ícone de Seattle era precisamente a pessoa que lideraria o próximo projeto deles, após o primeiro rompimento com o vocalista Zack de la Rocha - o que claramente funcionou com o AUDIOSLAVE.

 

Tom Morello, guitarrista das duas bandas citadas no parágrafo acima, já disse em entrevista que no início das atividades do RAGE AGAINST THE MACHINE, ele estava escutando toda hora o disco "Badmotorfinger" do SOUNDGARDEN, junto com os discos de rap do PUBLIC ENEMY e CYPRESS HILL, que foi a ideia original dele de abraçar as duas sonoridades e conflui-las no RAGE AGAINST THE MACHINE.

 

Voltando à canção "Slaves & Bulldozers", os quentes rugidos primais de Cornell, junto com gritos agudos e vibrato exagerado (no bom sentido) de sua pirotecnia vocal - subindo para um F5 impressionante e um G5 nas versões ao vivo - eram simplesmente imbatíveis na época e têm sido desde então.

 

Música: "Fell on Black Days"

Álbum: "Superunknown" (4º disco, 1994)

Banda: SOUNDGARDEN

 

Revisitando o tipo de depressão abjeta que o deixou preso por meses a fio quando adolescente, o último single lançado deste clássico álbum do SOUNDGARDEN foi uma canção naturalmente difícil para Chris Cornell escrever. 

 

Falando para a revista britânica Melody Maker na época de seu lançamento, o vocalista explicou como levou anos para encontrar o tipo certo de música para fazer justiça às letras dolorosamente honestas e autobiográficas: “A canção 'Fell on Black Days' foi como esse medo constante que tenho há anos... Levei muito tempo para escrever essa música, tipo, tentamos fazer três versões diferentes com esse título e nenhuma delas funcionou. É uma sensação que todos têm na vida... Você está feliz com a sua vida, tudo está indo bem, as coisas estão emocionantes, quando de repente você percebe que está infeliz ao extremo, a ponto de ficar muito, muito assustado. Não há nenhum evento em particular ao qual você possa definir o sentimento, é só que você percebe um dia que tudo em sua vida está ferrado".

 

Música: "Black Hole Sun"

Álbum: "Superunknown" (4º disco, 1994)

Banda: SOUNDGARDEN

 

Durante as sessões da obra-prima do SOUNDGARDEN, o disco "Superunknown", o produtor Michael Beinhorn tocava nas caixas do estúdio gravações do cantor Frank Sinatra para inspirar novas maneiras de expressar as suas partes vocais. O que pode ser um dos motivos de por quê este single, que é a marca registrada da banda, foi capaz de se conectar com tantas pessoas além do mundo do rock.

 

Com vocais lindos e estrondosos, o que gostaríamos de salientar é o seu trejeito nos versos com uma sinceridade rara de se ouvir. Cornell se entrega com o tipo de restrição madura, associada antes de se transformar num ciclo de destruição até o fim. 

 

O produtor havia dito numa entrevista no começo de 2020: “Ele criou sozinho a maioria das partes vocais no estúdio. Eu o preparei para que ele não tivesse que lidar com interferências ou se perguntar o que as pessoas estavam dizendo do outro lado da sala... Ele cantou por horas, cara. Ele cantou até que a sua cabeça doesse tanto que ele teve que ir para casa. Quando uma pessoa está disposta a ir tão longe, você pode ver a devoção que ela tem pelo seu ofício”.

 

Música: "Burden in My Hand"

Álbum: "Down on The Upside" (5º disco, 1996)

Banda: SOUNDGARDEN

 

É fácil ver por que o SOUNDGARDEN costumava ser considerado o LED ZEPPELIN dos anos 90, em canções como "Burden in My Hand". 

 

Chris Cornell era mais do que capaz de soltar os seus uivos corajosos associados à cena de Seattle, mas uma das muitas coisas que o destacaram foi a capacidade de convocar o seu deus interior do rock clássico dos anos 70, gemendo nas suas gravações vocais a la Robert Plant (vocalista do LED ZEPPELIN) com a maior sutileza de todas e uma sensação de brilho de arrasar os pulmões. 

 

Os sabores folclóricos orientais derivados da afinação C aberta na guitarra de Kim Thayil - um truque da escola de guitarras de Jimmy Page (guitarrista do LED ZEPPELIN) - apenas apoiaram ainda mais essa linhagem dos originais do rock'n roll.

 

Música: "Cochise"

Álbum: "Audioslave" (1º disco, 2002)

Banda: AUDIOSLAVE

 

O primeiro gostinho de ver os instrumentistas do RAGE AGAINST THE MACHINE sendo liderados pelo vocalista do SOUNDGARDEN é inesquecível até hoje! 

 

Embora muitos supergrupos se afogassem no alto de suas próprias ambições elevadas e não tivessem a potência prometida pelo seu pedigree, aqui estava um supergrupo que definitivamente funcionou, chegando a lançar 03 álbuns de estúdio e fundindo alguns dos melhores elementos de duas das maiores bandas dos anos 90 em um pacote poderoso. 

 

O grito de Cornell no meio da canção permanece não apenas um dos melhores de sua carreira, mas sem dúvida um dos melhores da história do rock.

 

Música: "Like a Stone"

Álbum: "Audioslave" (1º disco, 2002)

Banda: AUDIOSLAVE

 

O segundo single do supergrupo foi notável por seu minimalismo sonoro de todos os quatro membros, com Chris Cornell cantando em um tom muito mais baixo em comparação com as suas falas habituais - abraçando verdades íntimas e tranquilas nas suas letras.

 

Dramaticamente sutil e poderosamente terno, tornou-se a música que Tom Morello, Tim Commerford (baixista) e Brad Wilk (baterista), costumavam homenagear Chris Cornell durante a turnê com o PROPHETS OF RAGE - onde os três tocavam a música instrumentalmente e contando com a multidão da platéia para expressar as lendárias palavras escritas pelo então falecido cantor.

 

Música: "A Thousand Days Before"

Álbum: "King Animal" (6º disco, 2012)

Banda: SOUNDGARDEN

 

Em seu último álbum de estúdio, SOUNDGARDEN simplesmente deixou vislumbres gratos e sedentos aos fãs, com uma familiar musicalidade esotérica e abrindo certamente novos caminhos em uma mata fechada...

 

O guitarrista Kim Thayil solicita novamente os truques do LED ZEPPELIN, para fornecer esta base sonora maravilhosa para o vocal sublime - quase sem esforço de tão natural que soa - do saudoso Chris Cornell.

 

Música: "Beyond The Wheel"

Álbum: "Ultramega OK" (1º disco, 1988)

Banda: SOUNDGARDEN

 

Apesar de ter sido lançada no 1º álbum de estúdio do SOUNDGARDEN, decidi escolher a versão ao vivo da música "Beyond The Wheel" no Lollapalooza Festival Brasil em 2014.

 

Motivo? Só para mostrar a plena potência vocal de Chris Cornell, intacta com o passar dos anos.

 
Aproveitando o ensejo, 02 meses antes de Chris Cornell vir a falecer, o site rockinthehead havia publicado uma matéria exclusiva em homenagem a Cornell com o ousado título: "Podemos dizer que ele é o atual rei do grunge?"

 

Confira abaixo para relembrar:

 

* Chris Cornell: podemos dizer que ele é o atual rei do grunge?

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