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Ed O'Brien: "durante o nosso hiato, eu realmente pensei que era o fim do Radiohead", disse o guitarrista da banda

  • by Brunelson
  • 22 de mar.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 23 de mar.


Ed O'Brien, guitarrista do RADIOHEAD, foi entrevistado pela revista Rolling Stone, e dentre vários assuntos, falando sobre seu novo disco solo, "Blue Morpho", e sua vida familiar morando em colinas no País de Gales, ele também falou sobre a sua banda, que está desde 2016 sem lançar um álbum de estúdio e até o ano de 2025, eles estavam desde 2018 afastados dos palcos e turnês.



O guitarrista relembrou a época em que o RADIOHEAD ficou em hiato e ligando logo depois como ele lidou com a pandemia, levando-o a depressão e sem vontade de buscar uma pulsão de vida, pensando que seria o fim do RADIOHEAD naquele momento.


Confira somente alguns trechos dessa matéria e entrevista:    



Ed O'Brien tinha apenas 17 anos de idade em 1985, quando ele e 04 colegas de uma escola em Oxfordshire, Inglaterra, formaram a banda que se tornaria o RADIOHEAD. Por volta dos 25 anos de idade, eles já eram um dos grupos mais populares do Reino Unido, e sua carreira ganhou impulso a um ritmo vertiginoso a partir daí. 


"De 1990 ou 1991 até 2018, quando paramos de fazer turnês e entramos em hiato, foi praticamente tudo sem parar", disse ele. "É algo que absorve tudo, exige sua atenção total e é viciante neste sentido. Mas não é necessariamente saudável, porque você simplesmente continua, continua e continua. E aí, quando você para, de repente os fantasmas te alcançam".


Com tempo de sobra, ele se viu relembrando como era crescer na Grã-Bretanha no final da década de 70, uma geração pós 2ª Guerra Mundial: “Não havia terapia para crianças e não se falava sobre emoções”, disse ele. “Meus pais se separaram quando eu era pequeno, e foi bom que eles tenham se separado, mas ninguém nunca perguntou a mim e à minha irmã: ‘Como vocês estão?’ Ninguém nunca disse: ‘Vocês estão bem?’”


Acelerando até o ano de 2021 - com o mundo saindo da casca da pandemia, assim como o guitarrista - O'Brien percebeu que havia tido muita sorte como membro daquela que é, bem provavelmente, a maior banda de rock da era moderna: "Eu sei que ganhei o bilhete dourado", disse O'Brien. "Se você dissesse para o meu eu de 14 anos de idade: 'Você vai estar nessa banda com essas pessoas incríveis e vocês vão fazer essa música', não teria nada melhor do que isto, sabe? Então, por que eu senti que isso não era mais suficiente para mim?"


Uma frase que ele via com frequência em seus boletins escolares quando criança não saía da sua cabeça: "Poderia ser melhor". 


"É ótimo quando você é mais jovem, porque isso te impulsiona", disse o guitarrista. "É como um foguete no seu traseiro, tipo: 'Ok, fizemos o álbum 'OK Computer' (3º disco, 1997) e o que vamos fazer agora?' O problema é que, quando você chega aos 50 anos de idade, isto se torna insustentável".


No parágrafo acima, O'Brien estava em uma vibe completamente oposta a conclusão de ter reconhecido que tinha ganhado o "bilhete dourado" por estar em uma banda de rock de sucesso que ele teria no final da pandemia. Quando a covid estourou e enquanto refletia sobre esses pensamentos com os meses se arrastando, ele mergulhou numa melancolia que, em seus piores momentos, parecia que jamais iria passar: "Foi muito difícil", disse O'Brien. "Em alguns dias, eu simplesmente não queria sair da cama. Eu pensava: 'Será que isso vai ficar comigo para sempre?'"


Ele não estava interessado em medicamentos ou terapia tradicional. Em vez disso, encontrou consolo em trabalhar em novas músicas sem nenhum objetivo definido, tocando guitarra durante boa parte de cada dia: "Minha terapia era literalmente me trancar em um quarto por 03 horas pela manhã enquanto as crianças faziam suas aulas em casa e minha esposa trabalhava no computador", disse ele. "Eu estava em um momento muito difícil, mas sabia que precisava me levantar todos os dias, sair da cama e fazer isso".


A outra chave para sua recuperação emocional durante a pandemia foi retomar o contato com a natureza, um processo que ele descreve como “um profundo despertar espiritual” enraizado na paisagem ancestral do País de Gales: “Eu levava nosso cachorro, Ziggy, e saíamos para caminhar... Há muitos lugares de significado espiritual nessa terra, seja um antigo mosteiro ou abadia, uma montanha ou uma cachoeira. Eu me sentia atraído por esses lugares e por meio disso, me curei”.


Ele descobriu que aquelas colinas estavam repletas de ecos do LED ZEPPELIN e O Senhor dos Anéis: "É impressionante! Quando você vem a essas terras, você consegue ouvir a música 'Misty Mountain Hop' no meio dessas paisagens. Você consegue ouvir a canção 'Stairway to Heaven'. De fato, Robert Plant (vocalista do LED ZEPPELIN) morou do outro lado da montanha mais próxima daqui, e o escritor e autor J.R.R. Tolkien costumava passar férias na região". Ele começou a convidar seu amigo, Luke Mullen, que é tecladista, para seu estúdio caseiro, só para ver o que acontecia: "Eu no violão e ele no seu teclado Fender Rhodes. Acendíamos uma fogueira e simplesmente tocávamos e improvisávamos".


Logo O’Brien se sentiu mais leve, menos sobrecarregado e mais envolvido: “A parte mais desafiadora, e a que eu acho fascinante e cheia de mistério, é a composição. Você fica tão empolgado ao ver aquela pequena coisa que você pode tocar no violão, e de repente ouve ela completa em toda uma música… É música e magia”.


Enquanto O'Brien dava os toques finais em seu disco solo, "Blue Morpho", no início de 2025, o mundo começava a especular sobre novas atividades de sua outra banda - aquela chamada RADIOHEAD. 


No outono passado em 2025, esses rumores se tornaram gloriosamente realidade quando o RADIOHEAD se reuniu para 20 shows triunfantes em somente 05 cidades europeias.



Os 05 velhos amigos que formaram o RADIOHEAD na década de 80 sentiram o mesmo, disse O'Brien: "Essa turnê foi muito, mas muito emocionante, e muito profunda. Todos nós sentimos isso... Nos olhávamos no palco e pensávamos: 'Isso é incrível'. Sinto que sou a pessoa mais sortuda do planeta e não estou dizendo isso da boca pra fora".


O longo hiato que se seguiu na cauda da pandemia, foi um território desconhecido para ele: "Foi meio assustador no começo. Eu realmente pensei que era o fim do RADIOHEAD. Na verdade, eu meio que estava gostando daquilo. Eu só pensava: 'Chega. Quero outra vida agora'".


Ed O'Brien finalizou, destacando a importância do seu trabalho solo para futuras composições do RADIOHEAD: "Eu tinha muita insegurança em relação às minhas próprias composições... Como não ter, vindo de uma banda tão singular quanto o RADIOHEAD? Você vem de um lugar de talento musical extraordinário e composição extraordinária, então, existe uma comparação. Mas o que foi tão bonito nesse meu disco solo foi que eu meio que me soltei e simplesmente não me importei. Porque eu amo muito o processo de composição... Vou fazer isso até o dia da minha morte".

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