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Stone Temple Pilots: relatos de artistas, produtores e jornalistas sobre Scott Weiland


No início de 2016, o escritor/jornalista, Greg Prato, havia lançado o seu 18º livro que se chama "Scott Weiland: Memories of a Rock Star", que fala sobre a vida e a carreira do saudoso vocalista original do STONE TEMPLE PILOTS.

A partir de 1992 e durante o resto da década, se você passasse algum tempo assistindo à MTV ou ouvindo as rádios, certamente entraria em contato com alguma música do STONE TEMPLE PILOTS.

Com lançamentos clássicos dos álbuns "Core" (1º disco, 1992), "Purple" (2º disco, 1994) e "Tiny Music... Songs From The Vatican Gift Shop" (3º disco, 1996), a banda vendeu milhões de cópias e gerou incontáveis sucessos como as músicas "Sex Type Thing", "Plush", "Creep" (todas do 1º disco), "Vasoline", "Interstate Love Song", "Big Empty" (todas do 2º disco), "Big Bang Baby", "Lady Picture Show" e "Trippin' on a Hole in a Paper Heart" (todas do 3º disco).


Agora, STONE TEMPLE PILOTS é amplamente considerado como uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.

E durante esse período de ouro nos anos 90, havia muitos vocalistas do rock que comandavam uma audiência e geravam manchetes, assim como era com Scott Weiland. Infelizmente, ele não conseguiu superar os seus conflitos internos durante toda a sua carreira e viria falecer em 2015 aos 48 anos de idade, vítima de uma overdose de cocaína.


E para homenagear esse grande frontman da história do rock, confira abaixo um trecho desse livro que separamos para você, com informações e relatos de artistas, jornalistas e produtores sobre o vocalista Scott Weiland.

Capítulo 4: O cantor

O que tornou Scott Weiland único como cantor?

Matt Pinfield (radialista, ex-VJ da MTV): Scott tinha um jeito incrível com as palavras e com o seu fraseado, mas se destacando como cantor, ele tinha uma ótima voz. Ele poderia se adaptar musicalmente a diferentes estilos que Dean (guitarrista), Robert (baixista) e Eric (baterista) tocavam. E também, no que me diz respeito, ele tinha aquela arrogância saudável que tornava David Bowie especial, assim como Mick Jagger possui. Ele tinha aquela coisa que o tornava um indivíduo único, muito sensual e puro rock. O que o fazia se destacar era que ele não tinha medo de ser um showman e novamente, a minha palavra para ele seria esse tipo de "arrogância". Ele tinha uma quantidade incrível de estilo e é por isso que eu o amava.

Chris Goss (produtor e engenheiro de som; trabalhou com a banda no álbum "Tiny Music..." e na carreira solo de Scott Weiland): A sua habilidade era de absorver uma influência e então transformá-la e torná-la sua. Me lembro de pensar que havia uma certa reviravolta lírica no começo dos anos 90 com o grunge. Cantores e letristas da época queriam usar a sua sensibilidade nas letras um pouco mais do que outros artistas usaram nos 10 anos anteriores ao grunge. Eu amei o ALICE IN CHAINS com aquele som inédito deles e eu me pego pensando quando bandas como o NIRVANA, STONE TEMPLE PILOTS e o ALICE IN CHAINS tiveram aqueles momentos no auge, em que as suas músicas de rock e pesadas estavam nos rankings da música pop e eram febre. Eu realmente amei aquilo e parecia o BLACK SABBATH fazendo sucesso no início dos anos 70.

Goss: Estou muito orgulhoso de ter conhecido Scott Weiland e pude trabalhar com ele. Acho que talvez um dia as pessoas olhem para as suas letras e o seu trabalho um pouco mais de perto, e vejam que ele não era esse "viciado em confusão". Tem um poeta ali...

Brett Buchanan (fundador/editor/jornalista do site Alternative Nation): Scott era um ótimo letrista, mas acho que a sua melhor qualidade era ele ser um "cara da melodia" e ser capaz de ser um camaleão nos palcos, tipo, com a forma como ele cantava também. Eu acho que muitas vezes ele faria... Eu acho que ele chamou uma vez de "sopa de palavras", quando ele simplesmente jogava essas palavras ao alto e colocava numa música. Acho que a canção "Between The Lines" é um bom exemplo disso (6º disco, "Stone Temple Pilots", 2010). Ele teria essas letras abstratas para um monte de músicas como essa, mas então, ele teria as canções realmente pessoais, como "Sour Girl", "Atlanta" (ambas do 4º disco, "Nº4", 1999), "Silvergun Superman" e "Kitchenware & Candybars" (ambas do 2º disco).

Buchanan: E para algumas delas, ele até se movia entre o seu senso de sarcasmo abstrato e também com escuridão e autoconsciência. Na música "Adhesive" (3º disco), ele canta: "Vendo mais discos se eu morrer / Flores roxas mais uma vez / Espero que seja antes / Espero que esteja próximo do ano fiscal dos discos corporativos". Ele também estava cantando sobre os seus problemas com drogas e sabendo que poderia morrer. Ele joga com o sarcasmo, querendo dizer: "A gravadora provavelmente pensou que venderia mais discos se eu morresse". Isso era apenas uma das espécies de Scott Weiland.

Buchanan: Ele tinha este senso de humor sarcástico e sombrio, assim como as músicas realmente pessoais como "Hello It's Late" e "A Song For Sleeping" (ambas do 5º disco, "Shangri La Dee Da", 2001) e a lista continua... Weiland também poderia ser um ótimo contador de histórias em canções como "Maver" (6º disco). Eu sei que Scott disse que foi influenciado por Bob Dylan, mas ele era um letrista muito diversificado, onde poderia escrever uma letra muito engraçada, ou sombria ou até de partir o coração... Esse foi Scott Weiland.

Buchanan: Acho que ele foi o melhor cantor melódico da geração grunge. Muitas pessoas tentam apontar: "Oh, esse é o melhor cantor e esse é o melhor frontman", e dizem: "Kurt Cobain foi a voz da nossa geração", mas pra mim, Scott foi de longe o melhor criador de melodias dos últimos 25 anos e isso é uma grande coisa sobre Scott, porque cada uma de suas canções eram cativantes. Eu não posso dizer isso sobre muitos outros artistas dos anos 90 em grau de totalidade dos seus trabalhos, então, essa é uma das coisas básicas que me atraiu a Scott Weiland e ao STONE TEMPLE PILOTS.

"Hello It's Late"


"Adhesive"


"Silvergun Superman"


"Between The Lines"


Kevin Martin (vocalista do CANDLEBOX): O que é incrível sobre Scott é que ele tem uma abordagem tão distinta e eu continuo dizendo: "Ele tem", porque, obviamente, vai viver em sua música para sempre... E havia algo sobre ele em seus fraseados, sabe? A maneira como ele reunia as sílabas em uma frase de um compasso, o timbre de sua voz e sua presença de palco, tudo foi instantâneo que você tinha que ouvir e ver. Conheço muitas pessoas que não gostam da sua voz e nunca gostaram do STONE TEMPLE PILOTS e a minha pergunta para elas é sempre a mesma: "Por quê?" E elas dizem: "Bom, há algo sobre a voz dele..." E eu digo: "O que você não gosta?" Mas elas não conseguem identificar o que é.

Martin: Acho que estas pessoas gostam sim, mas pensam que não gostam da voz dele talvez pelo forte ego e postura de Weiland. É como falar de Eddie Vedder (PEARL JAM) ou de Chris Cornell (SOUNDGARDEN), tipo, eles não foram os melhores vocalistas na história do rock, mas há algo realmente mágico em suas vozes que você não pode negar e Scott tinha isso, quero dizer, ele ainda tem.

Charlie Benante (baterista do ANTHRAX): Gostava da maneira como ele cantava e da maneira como usava a melodia. Pequenos ganchos em músicas como "Vasoline", quero dizer, há tantos ganchos nessa música... A guitarra está fazendo a mesma coisa pra frente e pra trás e é realmente a melodia vocal desta canção que a torna tão boa.

"Vasoline"


Eddie Trunk (radialista): Acho que Scott tinha uma grande convicção em sua voz. Ele realmente vendeu o que estava cantando e foi capaz de transmitir grande emoção em seus vocais.

Richard Patrick (vocalista das bandas FILTER e ARMY OF ANYONE): Scott era um grande letrista. Ele pintou quadros incríveis com as suas letras e suas melodias eram incrivelmente viciosas. Ele tinha essas duas coisas sólidas em si e a sua performance, tipo, ele era um astro total do rock, absoluto e completo. Eu o colocaria lá em cima junto com outros grandes vocalistas do rock e tudo o que ele fazia exalava atração. Você queria conhecer ele, sair com ele e você era atraído por ele.

Curt Kirkwood (vocalista/guitarrista do MEAT PUPPETS): Ele era um bom cantor. Scott tinha uma voz única e você poderia dizer isso imediatamente sem nenhuma dúvida. Acho que houve alguns cantores que definiram toda aquela era grunge e parece que foram somente eles que meio que "subiram ao topo", mas Scott era muito carismático e eu o via como alguém que poderia cantar qualquer coisa. Ele tinha um grande carisma e se tornou uma coisa natural dele em que as pessoas focalizariam as suas atenções nele. Scott tinha essa coisa indefinível, seja o que for, mas ele definitivamente tinha o que precisava... Scott poderia segurar uma grande multidão sem esforço nenhum.

Cris Kirkwood (baixista do MEAT PUPPETS): É um certo tipo único de pessoa. Ele se sentia confortável o suficiente consigo mesmo e ainda desconfortável o suficiente consigo mesmo. Talvez, ele tinha algo em si que o tornou um artista cativante como vocalista e presença de palco, e eu acho que parte disso é... Pessoas assim se divertem enquanto a banda está tocando e ainda assim conseguem ser assustadores ao mesmo tempo, além do seu próprio estilo de dança que ele fazia nos shows.

Shandon Sahm (baterista do MEAT PUPPETS): Quando a banda surgiu, demorei um pouco para me aquecer, mas como eu disse a Dean DeLeo uma vez (guitarrista do STONE TEMPLE PILOTS), cada álbum deles foi ficando melhor e eu comecei a ouvi-los e falava: "Caralho!" Scott começou a se destacar mais como cantor, ele era muito carismático e agora, quando você um disco do STONE TEMPLE PILOTS dos anos 90, ainda soa tão bem quanto era lá nos anos 90. Scott possui uma voz reconhecível, mas no 1º disco foi meio difícil de decifrar para mim. Após o lançamento do 2º, 3º e 4º disco, a banda começou a crescer musicalmente e você poderia dizer que Scott estava começando a se desenvolver e a cantar de forma um pouco diferente do que tinha feito no 1º álbum, ou seja, a sua voz foi ficando cada vez mais distinta.

Christopher Thorn (guitarrista do BLIND MELON): Como muitos daqueles caras dessa geração, há algo tão autêntico que talvez tenha sumido do rock'n roll em algum momento. Não quero dizer isso para todas as bandas, só quero dizer que havia algo especial sobre aquele período de tempo na música e acho que é a razão pela qual essa música ainda persiste em nosso meio. Há uma autenticidade nessas músicas e naquelas letras... Quando você lê as letras de Scott, eu acho que ele escreveu ótimas letras e ele era um ótimo cantor. Você podia ouvir que havia alguma dor ali e acho que todo mundo sente isso. Eu acho que as pessoas se identificam com essa dor quando a ouvem na música do STONE TEMPLE PILOTS. Acho que essa é a razão pela qual as pessoas ainda estão ouvindo as suas músicas e do BLIND MELON também. Todo mundo se sente assim, porque ninguém vive uma vida feliz ou com sorte o tempo todo. Eu acho que aquelas músicas possuem este sentimento, parecem autênticas e são esses tipos de gravações que duram mais tempo na história. Eu acho que é por isso que as pessoas vão ouvir os discos do STONE TEMPLE PILOTS para sempre, porque eles são a próxima versão do rock clássico e as suas músicas são atemporais.


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