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  • by Brunelson

R.E.M: qual o verdadeiro significado da "canção de amor" chamada "The One I Love"?


Muitas vezes parece que no momento em que uma música é lançada, ela não é mais propriedade do compositor.

E essa é a maravilha da música: assim que está completa, carimbada e selada, ela pertence ao público. São eles, afinal, que determinam o seu valor e seu significado, mas isso não quer dizer que eles estejam sempre corretos em suas avaliações, assim como o R.E.M. descobriu em primeira mão.

Misturando um espírito de banda de garagem com riffs cativantes e letras enigmáticas, R.E.M. foi uma das bandas mais reverenciadas da era pós punk rock.


A carreira do grupo começou no início dos anos 80, quando o seu 1º single, "Radio Free Europe", desencadeou um movimento revivalista "do it yourself" da cena punk rock e do rock underground. Nas 02 décadas seguintes, o vocalista Michael Stipe e a banda aperfeiçoaram a sua mistura única de rock alternativo, inspirando inúmeros grupos ao longo do caminho.



E de todas as suas gravações clássicas, uma das mais queridas é da canção "The One I Love" (5º disco, "Document", 1987), que apresenta a frase icônica: “Esta vai para quem eu amo / Esta vai para quem eu deixei para trás”.


Com uma salva de abertura como essa, você pode entender por que muitos fãs confundiram essa música como uma canção de amor.

Quando o R.E.M. estreou essa música nos shows, a banda notou o público levantando isqueiros no ar e segurando seus entes queridos de forma carinhosa. O guitarrista Peter Buck ficou perplexo, dizendo uma vez: “Eu olhava para o público e havia casais se beijando, no entanto, o verso é ferozmente anti-amor... Depois, as pessoas vinham me dizer que esta era 'a canção deles'".

Em uma inspeção mais detalhada, a música "The One I Love" ferve com um certo cinismo.

Por exemplo, veja a descrição de "romance" de Stipe quando ele canta "uma muleta para ocupar o meu tempo”. Se você está procurando a confirmação do poder transformador do amor nesta canção, terá dificuldade em encontrá-lo aqui.

"The One I Love" é claramente o trabalho de alguém que usa as pessoas de forma repetitiva.

Stipe ecoou este sentimento numa entrevista para a Q Magazine em 1992, na qual ele confessou que quase não gravou essa música quando estavam no estúdio preparando o novo álbum na época, tendo chegado a vê-la como "realmente violenta e horrível" e simplesmente "brutal demais".

Eventualmente, depois de anos tentando e falhando em explicar o verdadeiro significado desta canção, Stipe desistiu e aceitou o seu destino, concluindo: “No momento, provavelmente é melhor que os fãs pensem que é uma canção de amor mesmo”.

Apenas como nota e citando somente 01 exemplo, outra clássica música que foi sofrendo metamorfose no decorrer do tempo no sentido de significado real x interpretado pelos fãs, foi a canção "Alive" do PEARL JAM com a sua mensagem no refrão. Originalmente, Eddie Vedder cantava o refrão com uma entonação de conformismo e tédio, muitas vezes citando a palavra "maldição" em entrevistas como forma de um significado único, para que depois, com as interpretações dos fãs nos shows, esse refrão foi ganhando novos significados como uma forma de celebração da vida.


"The One I Love"


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