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Thom Yorke: "cada geração tem o direito dado por Deus de se rebelar, desafiar o sistema e provar que todos estão errados", disse o vocalista do Radiohead

  • by Brunelson
  • há 59 minutos
  • 3 min de leitura

Thom Yorke, vocalista do RADIOHEAD, foi homenageado recentemente com o prêmio Academy Fellowship na 71ª edição do Ivor Novello Awards, em Londres (foto), que celebra a arte, o impacto cultural e a importância duradoura das canções e composições para o cinema.


Após ser apresentado no palco, Yorke fez um discurso emocionado, forte e sincero de agradecimento, no qual defendeu um tratamento melhor para os artistas por parte da indústria musical.



Confira esse discurso completo de Yorke na cerimônia de entrega dos Prêmios Ivor Novello de 2026:



Pra mim, cada geração tem o direito dado por Deus de se rebelar, desafiar o sistema e provar que todos estão errados. Usar a música e as canções para contar a história do que realmente significa crescer no seu estilo de vida e ir para onde bem entenderem, porque podem. Essa é a essência da música. É assim que a música se mantém relevante.


Para que isso aconteça, a própria indústria musical precisa ter fé nessas pessoas. Elas são frágeis, geralmente meio problemáticas como eu, e precisam de apoio. E a indústria precisa ter a sabedoria para permitir que elas se desenvolvam, para poder correr riscos com elas e cometer erros com elas. Na minha opinião, esse é literalmente o trabalho da indústria.


Eu e minha banda temos plena consciência da sorte que tivemos em nossos anos de formação, graças aos nossos empresários, Brian, Chris, Bryce e Jules. Eles lutaram muito por nós. E curiosamente, nossa antiga gravadora, a velha EMI Records, que nos deu muita "folga" naquela época... Tudo valeu a pena.


Vimos muitos outros artistas não terem a mesma sorte e serem descartados sem qualquer reconhecimento. Leva tempo para os artistas encontrarem sua voz, aprenderem sua arte e descobrirem aonde ela os levará, e é aí que as coisas boas acontecem.


Me preocupo que o nosso setor esteja a tornar-se avesso ao risco e incapaz de ajudar. Pra mim, não faz qualquer sentido. O mesmo podemos verificar em muitas indústrias criativas, como a arte, cinema e teatro. Todas estão a passar por esta estranha e míope autodestruição.


Em vez disso, peguei o jornal Financial Times e li sobre o preço exorbitante das ações dos serviços de streaming e o valor absurdo atribuído aos catálogos de alguns artistas de gerações anteriores, assim como o frenesi financeiro em torno deles.


Isso é bom para eles. Mas não é, como eles próprios gostariam de dizer, um investimento no setor musical. É muito pelo contrário.


Eu me pergunto se as pessoas da indústria têm noção do trabalho envolvido na produção desses discos. Talvez devessem ler algumas biografias das músicas que eles próprios compram e colecionam, para saber um pouco da história relacionada a estas canções. Me pergunto também por que ninguém questiona esse fluxo insano de dinheiro que sobe aos montes e não deixa nada além de poeira para os novos artistas?


Os chefões da nossa indústria não estão se perguntando o que acontecerá com a geração futura quando a fonte musical secar – o que vai mesmo acontecer, pessoal.


Em vez disso, muita conversa fiada se concentra em música nova com playlists que visam apenas o próprio benefício e na ideia de uma cena musical vibrante. Mas há uma recusa em oferecer sequer uma aparência de fonte de renda sustentável para a maioria dos músicos. E a indústria continua com as mesmas práticas contábeis obscuras e sujas que as grandes gravadoras usavam nos anos 90.


Então, acho que gostaria de dar um lembrete rápido aos chefões da indústria e aos serviços de streaming: Acordem! De onde vocês vão tirar seus próximos catálogos de sucesso, hein?


Essa indústria vai morrer e os babacas juntos com ela, se tudo o que vocês fizerem for desvalorizar a próxima geração de artistas e seus fãs. Lembrem-se: sem nós, vocês não são nada!

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