Pearl Jam: Top 10 performances de Matt Cameron

September 26, 2019

 

O que dizer de Matt Cameron como baterista do PEARL JAM?

 

Adorado por muitos e odiado por tantos...

 

Antes que eu comece a me alongar aqui e que seja mais claro para o leitor perceber, faço parte do grupo que curte Matt Cameron no PEARL JAM - respeitando ao máximo quem não curte a bateria dele nesta banda.

 

Quando resolvi fazer essa lista, parti do princípio de selecionar somente as canções das quais Matt Cameron participou das gravações das mesmas, ou seja, do ano 2000 em diante.

 

Abrindo o meu porta-discos e retirando cada álbum do PEARL JAM para fazer esse estudo, pasmem, somente agora em 2019 é que caiu a ficha para mim - isso que eu curto a banda desde 1991. Foi a partir do disco "Binaural" em diante (6º álbum, 2000, o primeiro com Matt Cameron gravando com o PEARL JAM), que podemos notar uma guinada musical nas canções do grupo e que tanto é reclamada (discutida) entre os fãs e ouvintes, pelo fato da banda não ter mais aquele ímpeto das antigas e do som ter se estabelecido numa fórmula pronta na maioria das suas músicas.

 

Isso se deve, não generalizando, a forma de tocar bateria de Matt Cameron.

 

Não é a toa que em várias rodas de amigos e depoimentos de fãs em redes cibernéticas, muitos dizem que o PEARL JAM era bom somente até o disco "Yield" (5º álbum, 1998). 

 

Olha, pode ser que muita gente não perceba, mas o som de bateria numa banda conta muito, cara... Você nem precisa notar - caso faça parte de um grupo - mas quem está lhe assistindo ou ouvindo e possui um ouvido perceptível às mudanças e dinâmicas sonoras, consegue perceber no ato!

 

Até surpreende essa gama de energia "decair" para alguns fãs e ouvintes do PEARL JAM, relacionando isto à presença de Matt Cameron. Pois ele é um verdadeiro monstro na bateria com a sua notável técnica (o cara nem precisa se mexer muito enquanto toca) e as suas marcas deixadas como baterista desde sempre do SOUNDGARDEN, teriam que ser argumentos para elevar a sua postura no PEARL JAM.

 

Mas como o próprio Matt já disse em entrevista e que pode muito bem elucidar essa questão - quando perguntado em 2016 sobre a diferença em tocar no PEARL JAM e no SOUNDGARDEN - ele disse: "Em geral, são apenas dinâmicas diferentes que cada banda possui. Você sabe como funcionam as dinâmicas em cada grupo e elas são multifacetadas, certo? Elas são tudo o que você poderia imaginar para que uma família funcione... Eu acho que há muitas semelhanças no sentido de como todos nós tocamos música juntos, sendo que o meu papel no SOUNDGARDEN é mais como o de um diretor musical, enquanto que no PEARL JAM é mais como um apoio no sentido de complementar a seção rítmica. Acho que a colaboração que eu tenho no SOUNDGARDEN é maior no campo criativo, mas eu me sinto muito feliz por estar em 02 bandas realmente fantásticas!"

 

O site rockinthehead havia publicado esta entrevista de Matt Cameron e você pode conferir na íntegra clicando no título abaixo:

 

* Matt Cameron: explicando a diferença em tocar no Soundgarden e no Pearl Jam

 

Realmente, não podemos cobrar dele, no PEARL JAM, o que ele fazia no SOUNDGARDEN, mas é de conhecimento de qualquer fã assíduo do PEARL JAM, que Matt criou algumas canções para serem tocadas no PEARL JAM com aquela veia truncada, recortada e em contra-tempos, que tanto fizeram a sua imagem própria e do SOUNDGARDEN como um todo.

 

Então, sem ordem de mais para menos ou vice-versa - e para melhor entender e digerir esta "nova" etapa da banda - o site rockinthehead criou em ordem cronológica, os Top 10 performances de Matt Cameron no PEARL JAM, somente com as canções que ele fez parte da construção sonora e gravação, independente se ele compôs tal música ou não - isso que ficaram algumas canções de sua autoria fora dessa lista.

 

 

Música: "Evacuation" (letras: Vedder / música: Cameron)

Álbum: "Binaural" (6º disco, 2000)

 

O álbum "Binaural" logo de cara se tornou o disco "cult" do PEARL JAM - ainda mais com o passar dos anos. E para dar corda a introdução que foi feita para esta matéria, além da estréia de Matt Cameron na bateria do PEARL JAM aqui nesse álbum, outro fator importantíssimo para a sonoridade ímpar desse disco deve-se à produção. Tchad Blake, que já trabalhou com artistas e grupos da gama de influências e influenciados pelo PEARL JAM, como Peter Gabriel (vocalista do GENESIS), Tom Waits, Liam Finn, THE PRETENDERS, THE BLACK KEYS, U2, ARCTIC MONKEYS e outros, fez a sua estreia com a banda grunge e único trabalho com o PEARL JAM até hoje. Aglutinando esses 02 fatores, o som do PEARL JAM (não as músicas, me refiro a sonoridade mesmo) mudou bastante nesse disco soturno que "Binaural" é. Na canção "Evacuation" e sendo a 1ª música de Matt Cameron no PEARL JAM apresentada aos fãs, ele já mostra por que veio, despejando sobre a mesa todas as suas estranhezas e contra-tempos adquiridos pelo batismo no SOUNDGARDEN.

 

Música: "Insignificance" (letras e música: Vedder)

Álbum: "Binaural" (6º disco, 2000)

 

Nesta canção quebraceira - com um solo de guitarra de Eddie Vedder a la SONIC YOUTH - Matt Cameron esvazia os bolsos e apresenta altos graus de diversidade em sua bateria. Logo nos versos, ele acompanha o vocal de Vedder através de uma bateria levemente tribal (marca característica da banda em todos os álbuns lançados, senão, uma levada nas percussões), para que no pré-refrão, Cameron faz os seus "comes" avisando que a porteira será aberta para o refrão com os 02 pés no peito. Na hora do solo de Vedder, a bateria volta para o seu grau minimalista (e nada inferior), para novamente entrar com força total até o seu final. As dinâmicas e a musicalidade de Matt Cameron nesta música, apenas comprovam o seu poderio.

 

Música: "Sleight of Hand" (letras: Vedder / música: Ament)

Álbum: "Binaural" (6º disco, 2000)

 

Aposto com qualquer pessoa para tentar decifrar a hora exata em que Matt Cameron vai bater na caixa, bumbo e tons... Uma canção que não se parece com nada que o PEARL JAM já lançou em toda a sua discografia, onde Vedder relata sobre a rotina da maioria dos seres humanos que vivem neste planeta, de todo santo dia, termos que acordar, vestir o nosso "uniforme" e ir trabalhar. Quanto as peripécias de Cameron aqui, prefiro deixar o som falar por si só, pois em casos como este não existem palavras corretas para destilar a sua arte. Voltando para o enigma intimado no começo da resenha desta música, "Sleight of Hand" seria o lado-b da canção "Head Down" do SOUNDGARDEN.

 

Música: "Can't Keep" (letras e música: Vedder)

Álbum: "Riot Act" (7º disco, 2002)

 

Esta música que abre o disco mais subestimado do PEARL JAM, poderia entrar fácil no álbum mais experimental de sua discografia, "No Code" (4º disco, 1996), com a bateria tribal de Matt Cameron soando linda aqui - me recordo quando escutei esse álbum pela 1ª vez em seu lançamento, o sorriso que dei ao escutar essa canção. Em contra partida e não querendo soar contraditório, é a ponte perfeita de onde termina o álbum "Binaural" para adentrarmos no disco "Riot Act" (se você escutar o álbum "Binaural" inteiro e logo na sequência colocar o disco "Riot Act" para tocar, você vai entender a confluência e a ideia nada longe de que ambos poderiam ser um disco duplo do PEARL JAM). O timbre vocal de Eddie Vedder no álbum anterior já aparece bem mais grave, se comparado com toda a discografia do grupo até aquele ponto, sendo que o seu poder lírico também é diminuto em comparação com os primeiros discos - no álbum "Riot Act" parece ficar mais grave (desesperançoso) ainda, no mínimo, equalizado ao que foi mostrado no disco "Binaural". Quanto a isso, os motivos podem ser óbvios aqui no álbum "Riot Act": divórcio de Eddie Vedder (que aconteceu depois do lançamento do disco "Binaural"), morte de 09 fãs num show do PEARL JAM em um festival na Dinamarca, atentado terrorista de 11 de setembro e a presidência americana de George Bush.

 

Música: "You Are" (letras: Cameron, Vedder / música: Cameron / guitarra rítmica: Cameron)

Álbum: "Riot Act" (7º disco, 2002)

 

Assim como foi a minha reação na canção "Can't Keep", me lembro quando escutei a música "You Are" pela 1ª vez em seu lançamento, e que desencadeou sentimentos em mim que me remeteram àquela sensação indescritível de escutar PEARL JAM no começo dos anos 90. Tipo, a canção "You Are" começou a tocar no aparelho de som em minha casa e pensei: "Caralho, PEARL JAM ainda mostrando uma sonoridade inédita em tempos atuais". Sem dúvida, a grande pira nesta música são as guitarras com o pedal de distorção chamado Tremolo viajando ali no meio do som e carregando toda a canção (Matt criou e leva a guitarra nesta música), sendo que a levada da bateria parece meio boba, simples... Puro engano, amigo. Quando você menos esperar e se atentando firmemente e exclusivamente ao que a bateria está fazendo - meio difícil de fazer, admito, por causa das guitarras - você percebe as sapequices que Cameron começa a aprontar na caixa e chimbal da bateria.

 

Música: "Half Full" (letras: Vedder / música: Ament)

Álbum: "Riot Act" (7º disco, 2002)

 

Neste blues/grunge, que foi uma veia criada e fomentado pelo PEARL JAM desde a canção "Red Mosquito" (4º disco, "No Code", 1996) - a banda MAD SEASON manda um abraço - Matt Cameron volta a apresentar as suas peculiaridades, lhe fazendo pensar que em certos momentos ele se perde na caixa e no bumbo, mas não... Com o manual do SOUNDGARDEN no bolso, tudo fica mais claro. Abrindo um parênteses, só aqui no final dessa música é que Vedder solta a sua voz pela 1ª vez em todo o disco ("Half Full" é a anti-penúltima canção do álbum), despejando o seu lamento e nos relembrando do seu grandioso timbre vocal que tanto marcou os fãs do PEARL JAM nos primeiros discos.

 

 

Música: "In The Moonlight" (letras, música e guitarra rítmica: Cameron)

Álbum: "Lost Dogs" (coletânea de raridades, lados-b e covers, 2003) 

 

Admito que esta canção fica meio fora dessa lista, pois a bateria não seria um destaque, mas a incluo aqui para salientar o método de composição de Matt Cameron, diretamente extraído dos seus mergulhos no SOUNDGARDEN. Apenas recortada, costurada e em contra-tempos, creio que foi tocada apenas 01 vez na vida nos shows do PEARL JAM - justamente no festival que a própria banda organizou em 2011 para comemorar os 20 anos de existência - e para variar, ficou de fora e é a cara do disco "Binaural". No livrinho que vem em anexo nesta coletânea, há um parecer de Eddie Vedder sobre esta música que transmite perfeitamente o método de composição do atual baterista do PEARL JAM: "Matt Cameron compõe músicas e corremos atrás para encontrar os 'banquinhos' certos para chegar ao seu nível... O que vem naturalmente para ele, nos deixa com a cabeça inclinada como cães confusos que nós somos - eventualmente conseguindo entender. Nós já mencionamos que ele é o maior baterista do planeta em atividade?"

 

Música: "Life Wasted" (letras: Vedder / música: Gossard)

Álbum: "Pearl Jam" (8º disco, 2006)

 

Uma breve introdução precisa ser feita... Como sucessor natural do álbum "Riot Act", este disco homônimo do PEARL JAM foi lançado depois de longos 04 anos de espera - maior intervalo entre os álbuns até então. Após o término de contrato com a sua super gravadora desde sempre, Epic Records, o grupo reaparece no cenário com o seu 1º disco independente e a sonoridade dele reflete esta nova fase. Sendo o álbum mais quebraceira de toda a discografia junto com o disco "Versus" (2º álbum, 1993) - apesar da voz cansada de Vedder, que não irá se comportar dessa maneira nos próximos discos - este belo álbum se destaca pela volta à sonoridade espelhada, aberta, para fora e mais "up" que a banda sempre invocou, se comparada com aquela fase dark, sinistra, de sonoridade abafada, introspectiva, para dentro e mais "down" que foram os discos "Binaural" e "Riot Act". Esta música que abre o álbum homônimo da banda e que apresenta letras que me ajudaram a lidar com certas coisas na minha vida, apresenta uma bateria selvagem, com uma marca aconchegante nos versos de 03 batidas sequenciais na caixa da bateria, levando para aquela quebrada sonora na ponte da canção (uma das marcas do PEARL JAM), com Matt Cameron repondo as suas energias para que no final da música, faça uma das linhas de bateria mais loucas atuando pelo PEARL JAM. Mais uma vez, quando as tentações vem a caminho, sempre me lembro das letras dessa canção e agradeço à banda por esta mensagem tão solene - também serve de analogia para o próprio grupo, referente a transição dos discos "Binaural" / "Riot Act" para este álbum homônimo.

 

 

Música "Gonna See My Friend" (letras e música: Vedder)

Álbum: "Backspacer" (9º disco, 2009)

 

Aqui, a banda toda e principalmente a bateria de Matt Cameron, encarnam de forma turbinada a banda THE WHO em pleno século atual. A instrumentalidade das guitarras, o vocal rasgado de Eddie Vedder, o baixo destacado e seco de Jeff Ament e a bateria magistral com várias nuances de Cameron, faz resgatar um dos maiores grupos de rock de todos os tempos, THE WHO - influência magistral desde a infância e heróis de Vedder. Cameron faz belas honrarias a Keith Moon, falecido baterista do THE WHO.

 

 

Música: "Infallible" (letras: Vedder / música: Ament, Gossard)

Álbum: "Lightning Bolt" (10º disco, 2013)

 

Os repiques que Matt Cameron faz na caixa da bateria, já mata a pau! A canção é singela, não tem muito esporro, mas não falta brilhantismo. Pelo fato de Cameron apresentar nesta música, 03 linhas de bateria totalmente diferentes uma das outras, já merece destaque pela sua indelével técnica e leque de opções.

 

O site rockinthehead publicou uma lista "Top alguma coisa" de cada membro do PEARL JAM. Para conferir, é só clicar nos títulos abaixo:

 

* Pearl Jam: Top 50 letras de Eddie Vedder

 

* Pearl Jam: Top 12 músicas de Stone Gossard (lista B)

 

* Pearl Jam: Top 12 solos de Mike McCready

 

* Pearl Jam: Top 10 performances de Jeff Ament

 

 

Se quiserem conferir outros bônus sobre o PEARL JAM que o site rockinthehead também publicou, seguem os links abaixo:

 

* Pearl Jam: Top 25 as mais "bandidas"

 

* Eddie Vedder: relacionando o seu Top 13 álbuns de todos os tempos

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