• by Brunelson

Stone Temple Pilots: música que a bateria foi gravada no sótão e por que gravar um disco numa casa?


"As pessoas neste mundo estão percebendo o que nós fizemos e isso é incrível", disse o baixista do STONE TEMPLE PILOTS, Robert DeLeo, de quando foi recentemente entrevistado pelo Yahoo. Ele se referia ao relançamento do 3º álbum de estúdio para comemorar os 25 anos de vida do disco "Tiny Music... Songs From The Vatican Gift Shop" (1996).

O baixista está sentado num sofá junto com os seus colegas de banda, o guitarrista e irmão, Dean DeLeo, e o baterista Eric Kretz, conversando sobre a discografia do grupo, incluindo este 3º e revolucionário disco de 1996 que contou com vários bônus em seu relançamento (foto).


* Stone Temple Pilots: "fico triste que Scott não está conosco para relançar o disco 'Tiny Music...'"


* Stone Temple Pilots: lançando videoclipe para a canção "And So I Know"

O falecido vocalista original do STONE TEMPLE PILOTS, Scott Weiland, cuja história de vida angustiante agora está sendo transformada em um filme biográfico, sem dúvida ficaria encantado em ver o legado que o álbum "Tiny Music..." tem gerado, especialmente considerando que os 02 primeiros discos da banda foram tão cruelmente depreciados pela imprensa musical naquela época - mesmo ambos sendo sucesso de vendas.

"Scott Weiland passou por várias fases, assim como todos nós, músicos. Todos nós passamos por isso e é assim que aprendemos”, disse Robert DeLeo sobre a evolução do cantor de sua banda, se transformando em um dos maiores frontman na história do rock com a sua chocante presença de palco.

Dean DeLeo descreveu Scott como "brilhante musicalmente" e observou: "O que é interessante, é que se você olhar para Scott, a sua aparência física em nosso álbum de estreia, 'Core' (1992) até o disco 'Tiny Music...', quero dizer, realmente se parecem com 02 pessoas diferentes".

Robert se lembra de quando a banda conheceu Scott Weiland no início dos anos 90: “Ele tinha acabado de sair da faculdade. Ele parecia ser 'o cara' do time de futebol americano, todo saudável e em forma”. Dean também se lembra daqueles primeiros dias: “Ele era sobre-humano, não importa o que fizesse, fosse esquiar, jogar tênis ou basquete, ele se destacava em todas. Ele era muito, muito talentoso em todos os sentidos da palavra, com o seu físico e sua força. As coisas foram muito fáceis para ele e acho que foi o conflito interno que Scott teve que adicionar ao que ele realmente se tornou”.

Robert complementou: "Eu acho que na época em que fomos gravar o álbum 'Core', Scott estava realmente entrando em contato com esse conflito interno, que seria uma faca de 02 gumes, porque no final das contas leva o vocalista a uma chave que abre a porta para muitas coisas diferentes e que fazem as pessoas pensarem: 'Nossa, isso é profundo!', mas em última análise, leva à morte de alguém... Isso remonta a pessoas como Jim Morrison, certo? Eu conversei com o guitarrista e com o baterista do THE DOORS, Robby Krieger e John Densmore, sobre coisas assim e é triste ver que alguém finalmente vai parar nesse lugar, que seria um pouco sem controle da porta que eles abriram”.

Além da recepção negativa inicial dos jornalistas musicais, sempre chamando a banda (erroneamente) como imitação dos grupos grunge de Seattle, STONE TEMPLE PILOTS já havia passado por grandes momentos em sua carreira antes do disco "Tiny Music...", vendendo 08 milhões de cópias apenas do álbum "Core" - mas essa carreira foi atormentada por uma tragédia.

Robert se lembra dos problemas com drogas muito divulgados de Scott Weiland, na verdade começando durante a turnê de 1993 junto com a banda BUTTHOLE SURFERS, e informado agora, enquanto eles se preparavam para gravar o disco "Tiny Music..."

“Eu acho que o ressentimento estava crescendo desde o nosso 2º álbum, 'Purple' (1994). Havia algumas coisas lá que Scott estava, digamos, experimentando e provando. Houve uma conversa lá, quase no final das gravações do disco 'Purple', onde tivemos uma pequena conversa e subimos numa sala em particular com o nosso produtor, Brendan O'Brien, e dissemos: 'O que vamos fazer aqui?'"

Já musicalmente a história era outra para o baterista da banda, mesmo terminando o seu pensamento se referindo aos problemas de Scott: "Sim, houve algumas coisas que entraram no álbum 'Purple' que foram o início de coisas que finalmente continuaram no disco 'Tiny Music...', mas quando começamos a trabalhar nesse 3º álbum, as coisas estavam ficando muito ruins com Scott”.

Ainda assim, o baterista Eric Kretz e os irmãos DeLeo's possuem muitas boas lembranças da era do disco "Tiny Music..." Foi certamente o álbum mais grandioso e ambicioso do STONE TEMPLE PILOTS em muitos aspectos, o que refletiu o cenário em que foi gravado: “Nós realmente pensamos em 'voltar ao básico' e ao nosso passado do blues, então, alugamos uma casa em Westerly Ranch no vale de Santa Ynez, Califórnia”, falou o guitarrista, lembrando que a casa era tão grande que parecia "um ginásio da escola".

“Foi algo que sempre quisemos fazer", disse o baixista. "Sempre olhamos para trás em discos como de Elton John que foram feitos em uma casa e todos esses grandes artistas que gravaram álbuns numa casa, sabe?”. Eric Kretz começou a rir quando relembrou da decisão de gravar as suas partes de bateria para a música "Big Bang Baby" no gramado externo da casa, e para a canção “Lady Picture Show” que a bateria foi gravada no sótão forrado de cedro que tinha na casa: "Foi bom na teoria, até que eu subi lá no sotão e comecei a suar a 50 graus".

Eles também se divertiram ao lembrar de fazer o videoclipe genial e deliberadamente de baixo orçamento para a música “Big Bang Baby”, que foi inspirado em clipes do início da MTV nos anos 80 e foi um ato de rebelião contra os vídeos pop de milhões de dólares dos anos 90, embalados com as habituais fotos de iates e helicópteros. Em vez disso, eles tinham “um cara com uma máscara de gorila batendo na cabeça de alguém com uma garrafa”, lembrou Robert. Dean começou a rir, dizendo: “Eu esqueci que eu estava lá! Acabei de ver recentemente esse clipe e pensei: ‘Meu Deus! Foi tão divertido!'”

Como digno de nota, o baixista Robert DeLeo revelou abertamente que a ideia principal de alugarem uma casa isolada para a banda morar, compor e gravar o álbum "Tiny Music...", foi na esperança de manter Scott Weiland na linha e dentro do cronograma: “Eu acho que naquele ponto, se fosse para querer manter a atenção num estúdio de verdade e ter que comparecer todo dia no estúdio para gravar, seria uma espécie de desafio e as sessões iniciais para gravar o disco 'Tiny Music...' foram carregadas de tensão... Houve momentos em que subíamos as escadas para os nossos quartos e você tinha que passar primeiro pelo quarto de Scott no corredor e iríamos verificar se ele estava vivo, literalmente”, confessou o baixista.

No entanto, apesar de todas as dificuldades em torno de sua criação, o álbum da banda mais maduro e aventureiro de sua discografia acabou mudando a percepção da imprensa e a trajetória de carreira do STONE TEMPLE PILOTS. A banda gravou esporadicamente mais três álbuns elogiados pela crítica com Scott Weiland nos vocais: "Nº 4" (4º disco, 1999), "Shangri La Dee Da" (5º disco, 2001) e "Stone Temple Pilots" (6º disco, 2010).

Em 2013, a banda demitiu Scott Weiland, que viria morrer de overdose de cocaína em dezembro de 2015. Os membros sobreviventes do STONE TEMPLE PILOTS admitem que a morte de Weiland não foi um choque: “Havia algo dentro dele que ele estava sempre procurando... Scott estava sempre procurando por algo que não era realmente ele. Eu não acho que Scott estava geralmente feliz consigo mesmo”, disse Robert.

“Era evidente e é tão triste dizer para onde Scott estava indo”, disse engasgando as palavras o guitarrista Dean DeLeo. “Ele tinha um novo ‘grupo’ de pessoas ao seu redor e estas pessoas simplesmente continuaram alimentando-o com tudo o que ele era, e deixaram de fora uma parte vital disso: que era a sua saúde mental e o seu bem-estar. Porque todo mundo ao redor dele só queria dinheiro e acho que Robert, Eric e eu, nos exaurimos apenas tentando ajudá-lo e apenas sendo amigos, mas Scott não queria fazer parte disso”.

Embora o STONE TEMPLE PILOTS tenha lutado para manter a carreira - desde os anos 90, certo? - chamando o vocalista do LINKIN PARK, Chester Bennington (fã do STONE TEMPLE PILOTS desde a adolescência, sua banda preferida), o mesmo entrou no grupo logo depois da saída de Weiland em 2013 e havia pedido para deixar amigavelmente a banda em novembro de 2015 (confronto de agendas x família).

Depois de 02 anos, em novembro de 2017, STONE TEMPLE PILOTS oficializaria o seu novo vocalista, Jeff Gutt, e já tendo lançado 02 álbuns com a banda: "Stone Temple Pilots" (7º disco, 2018) e "Perdida" (8º disco, 2020).

Entretanto, Scott Weiland nunca está longe da mente dos caras da banda: “Não passa um dia sem que todos nós pensemos em Scott, todos os dias...”, disse o guitarrista, confessando que entrar no carro e ouvir aleatoriamente a voz de Weiland quando alguma música da banda começa a tocar na rádio, irá desencadear muitas memórias nele. Assim como Robert, dizendo que mesmo algo tão simples como ver a bússola do painel em seu próprio carro apontando para "SW", parece "comovente" para ele.

"Quero dizer, fomos irmãos durante metade das nossas vidas e compartilhamos muitas coisas íntimas e criativas um com o outro. É uma parte do nosso ser e é parte da minha constituição como pessoa poder compartilhar um sonho com alguém e realmente realizá-lo”, concluiu Robert, orgulhoso do legado da banda com Scott Weiland. “Na verdade, as pessoas neste mundo estão percebendo o que fizemos e isso é incrível, se você olhar para trás agora”.


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