• by Brunelson

R.E.M: "queríamos fazer algo realmente alto e cru", sobre o disco "Monster" - Parte 1


Em 2019, para marcar o 25º aniversário de outro álbum icônico do R.E.M, "Monster" (9º disco, 1994), o vocalista Michael Stipe e o baixista Mike Mills haviam sido entrevistados pela revista britânica New Music Express, falando sobre a turnê agridoce desse álbum que foi marcada pelas mortes de Kurt Cobain e do ator River Phoenix, ambos amigos de Stipe, além de outros assuntos como a separação amigável da banda em 2011.


* R.E.M: a música da banda que fala sobre o ator River Phoenix

Nesta 1ª parte, segue a matéria e entrevista onde é destacado o momento no auge da carreira que o R.E.M. vivia na época, o que acabaria se tornando um dos discos mais aguardados da década, depois dos mega sucessos dos álbuns "Out of Time" e "Automatic For The People":


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O carro que irá trazer Michael Stipe e Mike Mills aos estabelecimentos da revista New Music Express está atrasado, preso no congestionamento que ocupa grande parte do centro de Londres devido a manifestações de ativistas bem-intencionados.

Felizmente, Stipe e Mills logo entram alegremente na sede da revista e assim como as manifestações públicas decorrentes, ser agentes de mudança sempre esteve no DNA do R.E.M. Ao longo do seu tempo juntos como uma banda - e mesmo desde então - eles lutaram por causas ambientais, feministas e de direitos humanos. Ao passarem de queridinhos do rock independente a gigantes que lotam estádios, eles mantiveram um senso de integridade que inúmeros artistas em seu rastro aspiraram e não conseguiram...

O seu poder e alcance estavam atingindo o pico na sequência de clássicos álbuns que ficaram na história do rock'n roll, como "Out of Time" (7º disco, 1991) e "Automatic For The People" (8º disco, 1992). Ambos venderam milhões e milhões de cópias ao redor do planeta com as músicas "Everybody Hurts", "Losing My Religion", "Man on The Moon" e "Shiny Happy People", todas entrando nas listas top de qualquer rádio e ranking.

Mas em 1994, a banda não fazia uma turnê há alguns anos e eles ainda não tinham estado cara a cara com a sua vasta, jovem e nova base de fãs em massa que o grunge estava pescando para eles.

Parecia que tinha chegado a hora de novamente cair na estrada e ficar o mais turbulento possível de uma forma que os fãs nunca tinham visto na sonoridade do R.E.M.

A resposta da banda foi o álbum "Monster" de 1994, que foi relançado para comemorar o seu 25º aniversário. É um disco mais do que digno de uma reavaliação fora das sombras dos seus dois álbuns antecessores. Um disco escrito em resposta à fama recém-descoberta com a qual Stipe e a banda estavam lidando, além de um momento em que os holofotes da mídia se voltaram para a sexualidade de Stipe.

Antes do lançamento desse álbum, a banda também perdeu dois amigos muito queridos: River Phoenix e o frontman do NIRVANA, Kurt Cobain. Stipe iria homenagear os seus 02 amigos com as músicas "Crush With The Eyeliner" (Phoenix) e "Let Me In" (Cobain, ambas lançadas no disco "Monster").

Mas nem tudo era escuridão...

Embora a turnê tenha sofrido alguns contratempos médicos de quase morte, foi um período de revigoramento para o R.E.M. Na estrada junto com os seus amigos do RADIOHEAD e do SONIC YOUTH se revezando na turnê, a mesma navegou junto com a onda crescente do grunge e provou mais uma vez que o R.E.M. estava em sua própria pista.

Com isso, iremos recapitular esse caminho e falar sobre todos os altos, baixos e viradas à esquerda da era do álbum "Monster", o legado da banda e para onde eles sentem que a cultura está indo atualmente.

Jornalista: O ano de 1994 foi realmente quando a fama de vocês estava no auge. O que vocês podem nos contar sobre a mentalidade do grupo sobre isso naquela época?

Michael Stipe: Muita coisa tinha acontecido conosco e no mundo desde que entramos em ascensão em 1989. A cultura, a política e as coisas mudaram dramaticamente e fomos parte dessa mudança, ou talvez inspiramos parte dela na música e na cultura. Em seguida, lançamos esses dois discos que venderam milhões de cópias, "Out of Time" e "Automatic For The People".

Jornalista: Então, vocês estavam em um lugar muito diferente?

Stipe: Nós nos encontramos nesta posição de sermos incrivelmente mais famosos do que nunca e decidimos sair em turnê onde divulgamos cada álbum que se tornaram realmente populares, com várias músicas lentas e de médio tempo, então, quando tudo terminou e fomos gravar o disco "Monster", precisávamos fazer algo realmente alto e cru. Voltamos ao nosso amor pelo hard rock do início dos anos 70 e a influência que ele teve sobre nós como músicos e fãs, e assim foi o início de quando fomos gravar o álbum "Monster".

Jornalista: E também influenciou o guarda-roupa de vocês, certo?

Mike Mills: Bom, esse negócio do guarda-roupa já vem de longa data, mas aí colocamos uma grande distância irônica no disco "Monster", tipo: "Como vamos nos apresentar para os novos e jovens fãs que não nos conheceram na estrada durante as últimas turnês? Como vamos apresentar essas novas canções para pessoas que nunca nos ouviram falar, além de músicas como 'Losing My Religion', 'Man on The Moon' e 'Everybody Hurts?'"

Mills: Mas no álbum "Monster" há algum humor nele que nós apreciamos...

Stipe: Sim, houve algum humor. Estávamos falando sobre isso recentemente de quando o nosso guitarrista, Peter Buck, havia deixado a sua cidade natal e tinha se mudado para Seattle e comprado uma casa. Kurt Cobain e Courtney Love haviam se mudado para a casa ao lado porque queriam ser vizinhos de Peter Buck e todos nós nos tornamos amigos. Nesse ínterim, a cena de Seattle explodiu. SONIC YOUTH estava assinando o seu primeiro contrato com uma grande gravadora, que seria a mesma que iria contratar o NIRVANA na mesma época.

Stipe: No disco "Monster" estão todos esses lugares em que passamos muito tempo juntos, aqui estão todas estas pessoas com quem estivemos saindo naquela época e essa foi a escolha que fizemos para o álbum "Monster".


"What's The Frequency, Kenneth?"


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