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  • by Brunelson

Krist Novoselic: baixista comenta sobre o impacto duradouro do Nirvana



“A tragédia é que Kurt Cobain morreu muito jovem, ele era uma pessoa adorável e faz muita falta”, disse o baixista do NIRVANA, Krist Novoselic, para a revista Spin.

Para muitos, NIRVANA foi a voz da geração X.

E com bons motivos.

As letras de Kurt Cobain refletiam elementos de alienação e angústia da geração pós-baby boomers (crianças nascidas da geração hippie dos anos 60), enquanto a sua música incrivelmente melódica movida pelo baixo estrondoso de Krist Novoselic e a bateria tenaz de Dave Grohl, apresentou o que estava acontecendo no underground e trouxe o grunge e o rock alternativo para o mainstream, explodindo no mundo inteiro e afastando o glam metal da cena.

“Nós nos divertimos muito enquanto estávamos alcançando a fama", Novoselic disse em entrevista para a revista Spin por telefone, “mas nós realmente nem sabíamos o que estava acontecendo. Ainda estávamos fazendo aquelas turnês em lugares relativamente pequenos. Ouvimos dizer que estávamos em alta rotação na MTV e que tinha pessoas de outras gravadoras querendo falar conosco. Apenas estávamos trabalhando duro e tentando tocar bem todas as noites”.

Esse foco nítido é o que empurrou o NIRVANA para os holofotes, mas a única coisa sobre a banda que as pessoas sempre esquecem por trás do brilho sombrio de Cobain, era o seu senso de humor.

Novoselic se lembra de um show em 1989 em algum lugar em Massachusetts com apenas “cinco ou seis pessoas presentes" (com a presença do jornalista Byron Coley da revista Spin).

“Nós tivemos um show na noite anterior e Kurt tinha quebrado a sua guitarra ou simplesmente ele não tinha uma guitarra para tocar, provavelmente porque tinha quebrado mesmo ou teve problemas técnicos”, explica Novoselic. “Já que tínhamos Jason Everman como o nosso outro guitarrista na época, Kurt seria o nosso vocalista do show. Ele fala e está pulando, um frontman com apenas um microfone. Então, ele pula em cima de mim e eu o pego e o levanto pelos tornozelos (risos) e começo a sacudi-lo para fora do palco. Com ele de ponta-cabeça, as coisas começaram a cair dos seus bolsos, como moedas e alguns centavos... Pensando nisso agora, provavelmente era todo o dinheiro que ele tinha no mundo".

Não muito depois disso, Cobain, Novoselic e o quinto baterista a passar pela banda, Dave Grohl, não teriam que se preocupar em perder todo o seu dinheiro no palco.

Nós sabemos o que aconteceu a seguir. O álbum "Nevermind" (2º disco, 1991) os transformou em superstars internacionais, com o álbum "In Utero" (4º trabalho de estúdio, 1993) sendo uma sequência corajosa e que levou ao fim da banda logo depois.


Cobain morreu em 05 de abril de 1994, mas em cinco curtos anos desde o lançamento do álbum de estreia em 1989, "Bleach", até a morte de Cobain, NIRVANA transformou o mundo da música e deixou quase tudo o que tinha lá fora.

Como a tendência de massivos relançamentos de álbuns e mineração de material inédito dos artistas se torna a norma póstuma, não espere ouvir nenhuma nova música do NIRVANA tão cedo.

“You Know You’re Right”, canção lançada em 2002, foi a última música que a banda gravou juntos em janeiro de 1994. Embora Cobain fosse um artista prolífico em termos de qualidade, não há muitas (se é que há) músicas soltas ou demos espalhadas em um cofre esperando para serem sacudidas.


Algumas do início de 1994 - que consistiam em somente Novoselic e Grohl tocando juntos - se tornaram músicas do FOO FIGHTERS. “Eu não sei o que aconteceu com essas coisas, mas eu tenho que entrar no cofre antes que a fita se desfaça!” brincou Novoselic.


Mas a canção “You Know You’re Right” quase não deu certo, não fosse por um guarda de segurança confiável do aeroporto.

“Gravamos esta música numa mesa de 24 canais e fiquei anos com aquela bobina da fita no porão de casa”, disse Novoselic sobre a música. “Em 2000 ou 2001, eu tinha que ir para Los Angeles, então, peguei um avião pra lá e levei esta fita para mixá-la com o produtor Adam Kasper (SOUNDGARDEN, PEARL JAM)".

“Aproximei-me da máquina de raios-X do aeroporto com os carretéis da fita em mãos e disse: 'Meu Deus, é melhor não dar nenhum problema com isso'”, lembra ele. Felizmente, um monitor de segurança complacente permitiu que a fita magnética que estava segurando a fila, fosse liberada pela máquina de raios-X.

“Nós simplesmente a lançamos em 2002, porque adoraríamos tocar juntos mais vezes. Essa foi a nossa cola, a nossa linguagem e conversa”, diz ele. “É apenas essa música totalmente NIRVANA que tem o baixo dirigindo-a e um grande, mas grande refrão. Então, ela volta para o baixo, que era meio a nossa fórmula... Fiquei muito feliz por termos gravado esta música e gostaria que tivéssemos feito mais, mas não fizemos”.

Mais de 02 décadas depois de terem feito o show final, NIRVANA continua relevante.

No início de 2020, Post Malone anunciou que apresentaria um conjunto completo de covers do NIRVANA. Ele surpreendeu muitos ao estourar em um setlist de 75 minutos e fazer justiça às canções, para a aprovação dos membros sobreviventes da banda e da viúva de Cobain, Courtney Love. Ele não foi o único a fazer referência ao NIRVANA e Kurt Cobain neste ano.

“É a conexão individual com a música”, diz Novoselic. “Eu ainda recebo cartas de fãs e quando eu costumava sair em público, as pessoas me contam como o NIRVANA mudou as suas vidas. Algo sobre a música simplesmente se conecta às pessoas e é muito pessoal até hoje em dia. Realmente não cabe a mim definir o que é essa conexão, porque é literalmente cada caso um caso, mas é a energia e honestidade... Kurt diria: 'Eu gosto de letras enigmáticas' e ele diria que não estava realmente interessado em grandes mensagens ou algo assim, mas isso o deixou aberto para interpretação e talvez esta seja uma das chaves de como os indivíduos se conectam com ele”.

Mas, diz ele, esta conectividade seria algo que até Cobain teria apreciado se ainda estivesse vivo.

“Ele tinha um grande coração e era um amor de pessoa”, diz Novoselic. “Ele conseguia se conectar e ter empatia com as pessoas. Esse tipo de coisa o afetaria, mas ele tinha uma voz dentro dele que podia falar e continuar falando. Há tantas pessoas que fazem essa conexão e é um talento incrível”.

É por isso que ir a um lugar como o Museu de Cultura Pop na cidade natal da banda, Seattle, é uma viagem tão grande para o baixista. Ele fica maravilhado quando vai para a exposição do NIRVANA e vê todas as lembranças do breve período da banda: "Eu estive lá algumas vezes e isso... Deus, isso pesa em mim, tipo, é a minha vida, certo?" ele diz. “É o NIRVANA na Disneylandia”.

Pensando bem, Novoselic não tem tanta certeza de como as coisas teriam acontecido se Cobain ainda estivesse vivo. Ele aponta para o sucesso das turnês de reuniões de bandas ao longo da história do rock, sobre como as coisas poderiam mudar para o NIRVANA.

“Você simplesmente não sabe o que iria acontecer”, diz ele. “Dave Grohl está fazendo um rock pesado, eu estou tocando um country rock americano, mas isso realmente não importa".

Olhando para trás, 26 anos depois que o NIRVANA efetivamente terminou quando Kurt Cobain morreu, Novoselic aprecia a jornada e como eles “brilharam tanto por tão pouco tempo”.

“Talvez eu só estivesse sendo bobo pelo simples fato de ser bobo”, diz ele, encerrando a entrevista. “Não posso falar por Dave ou Kurt, mas a nossa missão era nos divertirmos o máximo possível e nossa declaração foi feita nos álbuns e discos”.

Confira a performance de Krist Novoselic, Kim Thayil (guitarrista do SOUNDGARDEN) e convidados, onde juntos apresentaram um cover do ALICE IN CHAINS, a música "Drone" (8º trabalho de estúdio, "Rainier Fog", 2018). Esta apresentação foi realizada agora no dia 1º de dezembro de 2020, referente ao prêmio Founders concedido ao ALICE IN CHAINS pelo Museu de Seattle. Apesar do intuito da cerimônia, este vídeo foi dedicado ao NIRVANA com filmagens da galeria da banda citada por Novoselic nesta matéria:








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