• by Brunelson

Foo Fighters: entrevista para a revista Entertainment Weekly - Parte 2/3


FOO FIGHTERS passou os últimos 25 anos se tornando numa das bandas de rock mais confiáveis do planeta.


Antes do seu novo 10º álbum de estúdio ser lançado, "Medicine at Midnight" (2021), o grupo refletiu sobre os seus altos e baixos numa entrevista magnífica para a revista Entertainment Weekly.


* Foo Fighters: entrevista para a revista Entertainment Weekly - Parte 1/3


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Confira a 2ª parte dessa entrevista, onde toda a banda vai revelando os momentos marcantes na carreira (positivamente quanto negativamente), detalham como nunca antes dito a reação e tratamento de quando Dave Grohl caiu do palco e quebrou a perna em 2015, além de conhecerem vários de seus ídolos de infância do rock'n roll.


O Estrelato do Rock Criou Certos Desafios e Arrependimentos no Guarda-Roupa


Dave Grohl (vocal e guitarra, 1995 - presente): Se eu colocar um terno, pareço um drogado no tribunal por uma acusação de contravenção por maconha, então, tentar me vestir para uma câmera, pra mim, sempre foi uma experiência muito desconfortável. Se você pudesse encontrar uma foto promocional nossa, oh, meu Deus! Estou usando uma blusa de gola alta azul para esquiar, calça de motocross e botas Doc Martens. É tão embaraçoso... (risos).


Nate Mendel (baixo, 1995 - presente): O meu constrangimento favorito acho que foi em 1998. A banda foi convidada para tocar com David Bowie em seu aniversário de 50 anos no Madison Square Garden, New York. O vocalista do THE CURE estava lá, o vocalista do SMASHING PUMPKINS, Billy Corgan, e toda a galera do SONIC YOUTH, tudo simplesmente estonteante. Nós tiramos uma foto em grupo após a passagem de som, onde todos pareciam legais e rock and roll, em roupas escuras justas, outros com o cabelo ajeitado de tal jeito e eu sou colocado atrás de David Bowie. Eu estou com um corte de cabelo tigela e a maior camisa branca de manga curta que você possa imaginar. Eu pareço uma tigela de mingau... Eu me recuperei, porém, descobri como cortar o cabelo! Mas não a tempo para aquela foto.


Taylor Hawkins (bateria, 1997 - presente): Eu costumava pintar o meu cabelo de branco e minhas sobrancelhas e cavanhaque de preto. Não tenho ideia do porquê, mas acho que foi uma boa ideia nos anos 90. Sempre que vejo fotos minhas com Dave, especialmente naquela época, posso sentir o cheiro da tinta na cabeceira da cama.


O Cara da Queda

Grohl: Quando alguém me pergunta: "Qual foi o show favorito que você já tocou?" Direi: “Aquele em que quebrei a minha perna”.

Hawkins: Ah, sim, na Suécia em 2015. Eu não tinha ideia do que tinha acontecido. Tinha acabado de notar que o som havia ficado um pouco fraco e então, Nate chegou a mim e disse: "Cara, Dave caiu do palco. Pode parar de tocar".


Chris Shiflett (guitarra, 1999 - presente): Era realmente um palco muito alto...


Pat Smear (guitarra, 1995-97, 2006 - presente): Eu o vi no chão e pulei para ajudá-lo, o que também foi uma queda forte pra mim, sabe? Ele estava simplesmente deitado ali, fazendo o movimento com a mão em sua garganta, do tipo: "Corte o show".


Grohl: Quando fiquei em pé, coloquei todo o meu peso no tornozelo direito e ele simplesmente não estava lá. Tinha sido deslocado e rasguei todos os tendões, além de ter quebrado o osso da minha perna. Imediatamente pensei que não tinha condições de terminar aquele show. Tinha 50 mil pessoas que pagaram muito dinheiro pra ver a banda e nós só tínhamos tocado 02 músicas no show, de um setlist de 03 horas no palco... Tipo, não tinha como. Então, eles me pegaram e me colocaram numa maca ao lado do palco enquanto eu olhava para Taylor, dizendo: "Continue tocando. Continue tocando".

Hawkins: Felizmente eu tinha uma banda cover, CHEVY METAL, e estávamos começando a integrar um pouco de alguns covers nos shows do FOO FIGHTERS. Nós tínhamos um pequeno conjunto de covers que podíamos tocar enquanto Dave arranjava um jeito de colocar a perna dele no lugar, e depois de 03 ou 04 destas canções que se tocam em festa de casamento, Dave foi carregado e sentado numa cadeira, onde uma pessoa ficou segurando a perna dele, enquanto continuávamos a fazer um show de 03 horas.

Grohl: Antes, esse cara olha pra mim e fala: "O seu tornozelo está deslocado. Temos que colocá-lo de volta agora". Olhei para o meu empresário de turnê que está com a banda todos esses 25 anos e disse: "Cara, me consiga uma garrafa de Crown Royal (uísque)". E eu, porra, dei um gole naquele Crown Royal, coloquei a jaqueta de couro da minha esposa na boca e dei uma mordida enquanto eles colocavam o meu tornozelo no lugar.

Smear: O meu coração estava partido por ele e eu só queria que alguém cuidasse dele, mas foda-se, o show deve continuar e Dave é totalmente aquele cara!

Grohl: Nós tocamos mais 02 horas e meia, fui embora para fazer a cirurgia e decidimos continuar a turnê por mais 60 shows. Pra mim, foi o melhor show que já aconteceu à banda.

Lá Vai o Meu Herói

Conforme o perfil da banda aumentava, também aumentavam as oportunidades de se apresentar em grandes eventos, cerimônias e programas televisivos em escala nacional - incluindo a chance de conhecer e colaborar com alguns dos seus maiores ídolos.

Grohl: O meu momento favorito? Honestamente, isso muda todo ano, sabe? Se apresentar no programa Saturday Night Live há alguns meses atrás com o ator Dave Chappelle e no dia em que saiu o resultado da eleição presidencial, pode ser o meu mais novo momento favorito.

Hawkins: Tocar no estádio Wembley em Londres junto com o LED ZEPPELIN foi uma loucura, ou Paul McCartney entrando no estúdio e tocando bateria em uma música que eu comecei a cantar, ou toda vez que toco com Roger Taylor ou Brian May do QUEEN, é sempre muito especial. Também foi muito surreal fazer parte da banda de apoio de Mick Jagger uma vez no Saturday Night Live.

Shiflett: ROLLING STONES é a minha banda favorita de todos os tempos e eu nunca tinha conhecido Mick Jagger ou estado na mesma sala com ele. Então, nós estávamos lá ensaiando com ele e foi ótimo. Ele era como este cavalheiro inglês, rei do rock and roll, e ele era tão legal, elegante e tudo o que você meio que gostaria que ele fosse. Ele disse uma hora: "A minha voz está um pouco áspera hoje, vou apenas pegar leve, ok, pessoal?" E desligávamos a música que estava tocando no camarim e ele simplesmente saltava pelas paredes com a sua voz na hora do aquecimento vocal, tipo, ele não podia deixar de ser Mick Jagger.

Mendel: Jimmy Page e John Paul Jones do LED ZEPPELIN, eles são mais como personagens de desenhos animados pra mim do que ídolos. Digo isso com respeito, no sentido de que é mais como uma coisa surreal conhecê-los e ainda tocamos juntos no estádio Wembley.

Smear: Alguns deles foram os meus verdadeiros heróis, como os caras do QUEEN e Alice Cooper, mas o que me deixou mais nervoso e animado foi conhecer Steve Jones, o guitarrista do SEX PISTOLS (que possui um programa de rádio). Mesmo agora, fico nervoso só de falar e pensar sobre isso... Eu parecia um adolescente idiota olhando para uma garota por quem estava apaixonado, sabe? Quando fomos ao seu programa de rádio, eu gaguejei, disse umas coisas erradas e me envergonhei todo. Acho que Dave até me disse: "Nossa, isso é o mais nervoso que já vi numa pessoa". Obrigado por me informar disso! (risos)

Rami Jaffee (tecladista): Ok, foi no aniversário de Dave cerca de 06 anos atrás, e Dave queria fazer uma festa de amigos e família no Fórum aqui em Los Angeles. Eu acho que os filhos de Paul Stanley (KISS) e as filhas de Dave estudam na mesma escola, então, ele havia nos dito que ele iria estar lá. Depois, Dave nos disse: "Querem saber? David Lee Roth está chegando e vamos tocar algumas músicas do VAN HALEN". E então, TENACIOUS D está chegando e Lemmy Kilmister do MOTORHEAD também vai participar da jam, quero dizer...

Shiflett: Eu sou um fã das músicas do KISS, então, tocar a canção "Detroit Rock City" com Paul Stanley no maldito Fórum em Los Angeles, o mesmo lugar onde eles gravaram o disco "Kiss: Alive II", foi uma loucura! Sério! Mas o melhor momento de tudo isso foi quando fizemos a passagem de som com ele no Fórum. É uma sala vazia cavernosa e nós entramos em uma das canções, e mesmo para a passagem de som, ele estava fazendo a sua performance como se tivesse uma plateia lhe vendo. Ele dizia ao microfone: "Tudo bem, Los Angeles! Deixe-me ouvir o seu grito!" E não tinha ninguém lá e foi surpreendente pra mim, tipo: "Esse fdp é realmente um profissional".


"Rock and Roll" (Jimmy Page, John Paul Jones, Dave Grohl, Taylor Hawkins - Wembley Stadium 2008)


"Ramble On" (Jimmy Page, John Paul Jones, Dave Grohl, Taylor Hawkins - Wembley Stadium 2008)


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