• by Brunelson

Anthrax: "a banda Beastie Boys foi uma grande influência para nós"


No 10º aniversário do último álbum de estúdio do BEASTIE BOYS, "Hot Sauce Committee Part Two" (2011, 8º disco), Scott Ian, guitarrista do ANTHRAX, prestou homenagem ao BEASTIE BOYS.

Quando essas 02 bandas se formaram em New York no ano de 1981, eles eram 02 bandas muito diferentes, mas o rap hardcore do BEASTIE BOYS se tornaria uma influência fundamental nos membros do ANTHRAX que compartilhavam a mesma cidade e momento.

No 10º aniversário do último álbum do BEASTIE BOYS e 09 anos depois da triste morte de Adam MCA Yauch (vocalista/baixista), o guitarrista do ANTHRAX foi entrevistado pela revista britânica Kerrang e lembrou o quê o BEASTIE BOYS significava para ele, a cena do rock naquela época e outros assuntos...


Seguem alguns trechos dessa entrevista:

“Ouvi falar do BEASTIE BOYS pela 1ª vez por volta de 1983. Me lembro de ver o nome pintado com spray num muro no centro da cidade, mas nunca os tinha visto ao vivo naquela época. Eu era um grande fã da cena hardcore de New York, mas os mundos do punk rock e do metal ainda eram muito separados naquele tempo. Se você fosse um garoto de cabelo comprido, as chances de levar uma surra num show de punk rock eram grandes".

“Eu ganhei o single 'Cooky Puss' quando ele foi lançado em 1983 (1º single do BEASTIE BOYS) e que foi a minha apresentação ao som deles. Eu gostei muito porque era tão estúpido e engraçado, tipo: 'Que porra é essa?' Eu já era um grande fã de música rap, então, BEASTIE BOYS estava no meu caminho, porque tinha aquela vibração e energia que eu curtia. Amei o fato de que eles pareciam um bando de crianças gritando com algumas batidas idiotas".

“Eu os vi pela 1ª vez nos primeiros dias do álbum de estreia de 1986, 'Licensed to I'll', no Ritz em New York e estava lotado. Eu os vi também junto com o PUBLIC ENEMY no Capitol Theatre. Foi uma noite incrível ver a intensidade do PUBLIC ENEMY justaposta com a atmosfera de festa dos garotos da fraternidade do BEASTIE BOYS... Naquela época, isso significava tanto pra mim quanto o IRON MAIDEN e o MOTORHEAD. Foi incrível ver a gênese de tudo aquilo".

“Não fiquei surpreso que eles se tornassem superestrelas globais. A 1ª vez que ouvi o single 'Fight For Your Right' (do álbum de estreia, 1986), eu pensei: 'Isso vai ser enorme e fala a todos os bebedores de cerveja, entre 16 e 25 anos de idade, ou um velho garoto dos EUA...' Foi um hino no lugar certo e na hora certa. Foi direto para uma grande rotação na MTV e foi instantaneamente o hino de festa das férias de todos".

“Naquela época, estávamos em turnê pelo Reino Unido e não podíamos acreditar que o BEASTIE BOYS estava sendo demonizado pelos tabloides. Foi como: ‘O mundo vai acabar por causa do BEASTIE BOYS’, foi uma loucura do caralho, sabe? O que o BEASTIE BOYS estava fazendo? Eles estavam jogando cervejas no palco e havia mulheres seminuas dançando no palco também. Qual é, sério, isso vai destruir a nossa juventude?"

“Eu sei que os caras do BEASTIE BOYS passaram a odiar tudo sobre aquele álbum de estreia e a maneira como eles eram naquela época, eu entendo... Beber e festejar, mas essa merda envelhece depois de um tempo e é fácil olhar para si mesmo e dizer: 'Mas que porra de pessoa eu era?', mas, cara, às vezes você apenas tem que pegar a onda, certo? Era um ângulo diferente da maioria dos outros rap e hip-hop que o BEASTIE BOYS estava fazendo. Todos eles da banda sabiam fazer rap, tinham as suas músicas e estavam dando a você algo completamente diferente no palco do que grupos como RUN DMC, PUBLIC ENEMY e LL Cool J."

“BEASTIE BOYS foi uma grande influência para nós. Quando estávamos compondo a música 'I’m The Man', foi a maior piada interna que poderíamos pensar para nós, tipo, essa banda de thrash metal ter uma música de rap em que o riff principal da canção era a música folk judaica 'Hava Nagila'. Nós conversamos com o BEASTIE BOYS e a ideia era que eles fossem os MCs nesta música, mas nunca fomos capazes de estabelecer datas e horários em nossas agendas".

"Naquela época, você não podia gravar os vocais no ProTools e depois enviá-los de volta. Em 1986, você realmente tinha que entrar numa sala de estúdio para trabalhar e não estava dando certo. Nós pensamos: 'Vamos apenas estabelecer as partes básicas e nós imitamos totalmente o BEASTIE BOYS. Eu era MCA, Frankie Bello (baixista) era Ad-Rock e Mike D, e Charlie Benante (bateria) era outra coisa. Fizemos a nossa melhor imitação de BEASTIE BOYS e achamos isso legal. Descobrimos que, se ninguém gosta disso, quem se importa? Estávamos lançando como lado-b no single para o Reino Unido, então, se as pessoas odiarem, ele irá sumir rapidamente, mas a reação foi oposta e explodiu. Me lembro de esbarrar com o BEASTIE BOYS num show e eles disseram: 'Hey, o que aconteceu com aquela música?' e eu falei: 'Que merda, cara, acabamos fazendo isso mesmo', e eles responderam: 'Não se preocupe, provavelmente ficou melhor assim...'"

“Eles também significaram muito para New York, sabe? No final dos anos 80, eu vinha muito para Los Angeles para sair com os amigos. Íamos jogar basquete em uma escola primária na Wonderland Avenue em Laurel Canyon e o BEASTIE BOYS sempre jogavam basquete nessa quadra também. Não nos conhecíamos realmente de New York, embora, obviamente, nos tenhamos encontrado algumas vezes. Mas é uma coisa meio irônica, todos esses nova-iorquinos jogando basquete juntos em Los Angeles".

“Fez sentido pra mim que a 'coisa' de New York sempre esteve presente na música deles. Eu encontrei Mike D (vocalista/baterista) há, talvez, 02 anos atrás num restaurante, conversamos por alguns minutos e foi tão bom vê-lo. Não vejo Adam Horowitz há anos (vocalista/guitarrista), mas eles são como os meus irmãos e todo nova-iorquino se sente assim, quer você os tenha conhecido ou não. Se você já os ouviu, parece que você saía junto com aqueles caras, mesmo que nunca tenha feito isso na vida real".

“Como banda, eles foram extremamente influentes no rock, mesmo nos anos 90 e 2000, no new metal ou como você quiser chamar, além do rock alternativo. Eles estavam constantemente se reinventando, surpreendendo o seu público e sempre se entregavam nos palcos. Eles tiveram muitas décadas disso, tipo, depois do disco 'Licensed to I'll', eles lançaram o álbum de 1989, 'Paul’s Boutique' (2º disco) e eu amei ainda mais! Foi um 'fracasso' para o público mainstream porque não tinha a música 'Fight For Your Right', mas era o álbum que eles queriam fazer e é uma porra de uma obra-prima. Eu coloco esse disco no mesmo nível que os álbuns 'The Dark Side of The Moon' do PINK FLOYD ou 'Blood on The Tracks' de Bob Dylan. É uma obra de arte... Sim, comercialmente foi um 'fracasso', mas sabe por quê? Porque é um disco gênio do caralho e qualquer coisa tão boa assim nunca será aceita pelas massas".

“A melhor coisa que você poderia dizer sobre qualquer banda é que você fez algo novo e original, e o BEASTIE BOYS pegou todas as suas influências - punk rock, hardcore, rock e rap - jogaram tudo numa panela e olhe o que saiu! Eles colocaram o seu próprio galho na árvore do rap. Eles eram os verdadeiros originais”.


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