Audioslave: resenha do disco "Revelations"

February 8, 2020

 

Quase 15 anos após o lançamento original, o 3º e último álbum de estúdio do AUDIOSLAVE, "Revelations" (2006), soa mais como o começo do que deveria ter sido o próximo capítulo da banda - e não um adeus final.

 

É notório que esse disco tem sido frequentemente ignorado, ainda mais por não ter havido uma turnê de divulgação. 

 

Lançado em 04 de setembro de 2006, ganhou disco de ouro nos EUA, mas com o 2º álbum solo do vocalista Chris Cornell, "Carry On", entrando no Top 20 dos EUA e a reunião do RAGE AGAINST THE MACHINE em 2007 também impressionando o público, o disco "Revelations" caiu no radar comum das pessoas quando os membros do AUDIOSLAVE anunciaram que iriam se separar em 2007.

 

Só lembrando que o AUDIOSLAVE era formado por Chris Cornell nos vocais (SOUNDGARDEN e TEMPLE OF THE DOG) junto com os instrumentistas do RAGE AGAINST THE MACHINE.

 

No entanto, divorciado pelo tempo, o álbum "Revelations" clama por algum respeito vencido.

 

Devido ao seu aroma funk rock e soul, ele se destaca estilisticamente dos dois primeiros discos do AUDIOSLAVE, mas apresenta um rock apaixonante e mais do que tudo faz jus ao seu título, graças a alguns momentos musicais surpreendentemente diversificados e inovadores.

 

Tanto o álbum homônimo de estréia de 2002, quanto o 2º disco, "Out of Exile" (2005), foram produzidos por Rick Rubin e resultaram em vendas multi-platinadas, indicações ao Grammy e comparações favoráveis com lendas do rock dos anos 70 - como o LED ZEPPELIN. 

 

No entanto, enquanto esses álbuns mostraram que o célebre supergrupo alternativo do rock havia atingido uma fórmula vencedora, com os vocais elevados de Chris Cornell complementando perfeitamente os riffs monstruosos e os grooves pesados dos seus compatriotas do RAGE AGAINST THE MACHINE, o disco "Revelations" (produzido agora por Brendan O'Brien) sugeria que o AUDIOSLAVE estava usando um espectro sonoro mais amplo neste tão aguardado 3º álbum.

 

Sabemos que os maiores hits e sucessos estão nos 02 primeiros discos, mas arrisco em dizer, que, em se tratando de sua totalidade, o álbum "Revelations" é o melhor da discografia do AUDIOSLAVE.

 

"Eu amo rock, mas os meus cantores favoritos não estão em bandas de rock, como Stevie Wonder, Mavis Staples e THE CHAMBERS BROTHERS", informou Chris Cornell para a revista Rolling Stone em maio de 2006, enquanto que o guitarrista Tom Morello disse à MTV que o som do disco "Revelations" era semelhante "a banda EARTH WIND & FIRE encontra o LED ZEPPELIN".

 

O álbum "Revelations" provou que essas alegações não eram realmente tão estranhas. O funk rock líquido percorreu o ritmo de músicas como "Jewel of The Summertime" e "Somedays", enquanto Morello conversava com o seu Jimi Hendrix interior na canção "One and The Same", alimentado pelo pedal wah-wah.

 

"Jewel of The Summertime"

 

"One and The Same"

 

Cornell também desencadeou algumas interpretações vocais extremamente acrobáticas, como na eufórica música dançante em "Original Fire" e a sincera canção "Broken City" - uma história vívida sobre pobreza urbana.

 

"Original Fire"

 

"Broken City"

 

Porém, em outras músicas, AUDIOSLAVE retornou ao seu som de marca registrada do hard rock como em "Shape of Things to Come" - apesar de Morello ter dito recentemente em entrevista que esta canção era o formato para onde estava caminhando a nova sonoridade do grupo - e a própria portentosa música "Revelations", que foi alimentada por um dos riffs mais pesados de Morello até hoje.

 

"Shape of Things to Come"

 

"Revelations"

 

Em contra-partida, aqui também temos uma tranquila canção, "Until We Fall" (alguma indireta no título?), usada como sucessora das clássicas músicas dos álbuns anteriores a segurar o bastão de "Like Stone" (1º disco) e "Be Yourself" (2º disco).

 

"Until We Fall"

 

As letras de Cornell também exibiam uma consciência política crescente sobre números contundentes, como as canções "Sound of a Gun" e "Wide Awake". Apresentando linhas sem restrições nesta última música citada, como: "1.200 pessoas mortas ou deixadas para morrer / Siga os líderes / Se for olho por olho / Todos estaríamos cegos", atacando a complacência política dos EUA no início de 2005, referente ao devastador furacão Katrina - sendo que ainda está entre as canções de protesto mais eficazes do século 21 e seria facilmente uma figurinha carimbada nos shows do grupo.

 

"Wide Awake"

 

Mesmo enquanto o AUDIOSLAVE estava gravando o álbum "Revelations", havia muitos rumores de que seria o último disco da banda, onde muito foi subsequentemente lido no refrão da última música do álbum, "Moth", com Cornell cantando: “Eu não vôo mais ao redor do seu fogo”, depois que o vocalista deixou o grupo no início de 2007.

 

"Moth"

 

Talvez - para não ficar tão escancarado - a penúltima canção do álbum, "Nothing Left to Say But Goodbye", não foi escolhida para encerrar o disco por causa do seu título.

 

"Nothing Left to Say But Goodbye"

 

Pensar nas minúcias da criação deste álbum parece inútil, porém, é um disco transcendente criado por uma banda que estava evoluindo rapidamente.

 

Mesmo em pleno 2020, o álbum "Revelations" ainda soa como o começo do que deveria ter sido o próximo capítulo do AUDIOSLAVE e não um registro que efetivamente serve como epitáfio.

 

Track-list:

 

1. Revelations

2. One and The Same

3. Sound of a Gun

4. Until We Fall

5. Original Fire

6. Broken City

7. Somedays

8. Shape of Things to Come

9. Jewel of The Summertime

10. Wide Awake

11. Nothing Left to Say But Goodbye

12. Moth

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