Alice in Chains: resenha do show em Londres/2018

July 19, 2018

 

Os londrinos têm um lugar especial no coração do ALICE IN CHAINS desde que a banda estreou em território inglês no clube The Marquee, em Março/1991. Também já fazia alguns anos que o quarteto de Seattle não voltava à Inglaterra, com a apresentação no lendário Shepherd's Bush Empire (17/06/18, foto acima) sendo realizada com os ingressos esgotados e aguardada por uma alta expectativa.

 

Antes do show, o baixista Mike Inez concedeu uma entrevista para a rádio local. A banda havia tocado em Leeds/Inglaterra, na noite anterior - que havia sido o 1º show da turnê européia - e Inez não tinha nada além de elogios para os fãs de Leeds, dizendo que eles eram muito especiais na carreira da banda. 

 

Inez falou sobre a próxima turnê e que a banda estará se unindo a Ozzy Osbourne quando as bandas dividirem a turnê em algumas datas selecionadas (Inez era baixista da banda solo de Ozzy, ironicamente quando o ALICE IN CHAINS estava abrindo os shows de Ozzy em 1992). Inez disse também que adora vir à Europa como turista, mas ele está mais interessado no edifício em que a banda irá tocar logo mais a noite. 

 

Quando o radialista lhe disse que esse é o prédio onde eram gravados os programas de auditório para TV em 1970, The Old Grey Whistle Test, lugar onde passaram várias bandas e artistas que foram heróis musicais de Inez em sua infância e adolescência, ele disse: "É incrível!"

 

Durante a entrevista, eles conversaram sobre Roy Buchanan, guitarrista dos anos 70 que tragicamente morreu muito jovem. O radialista recorda que em 2018, marca o 25º aniversário de Inez fazendo parte do ALICE IN CHAINS, sendo que o seu 1º show com a banda grunge foi em Londres. No final da entrevista, Inez confirma para o radialista que eles irão abrir o show de logo mais com a canção "Bleed The Freak" (1º disco, "Facelift", 1990).

 

É chegado o momento do show e o ALICE IN CHAINS sobe ao palco com os primeiros e familiares acordes de "Bleed The Freak" sendo realmente tocados. Eles seguem o caminho com as músicas "Check My Brain" (6º trabalho de estúdio, "Black Gives Way to Blue", 2009) e "Again" (5º trabalho de estúdio, "Alice in Chains", 1995).

 

Cantos de 'Jerry, Jerry' ecoam pelo local, com o guitarrista acenando à multidão. Ele está usando um chapéu durante todo o show e com a sua barba - o que sempre o faz parecer um cara malvado - ele toca guitarra da mesma maneira de sempre e parece estar realmente se divertindo. Inez aponta para as pessoas na sacada lateral com um sorriso enorme. O baterista Sean Kinney, como sempre nunca perde uma batida e depois, há o vocalista/guitarrista William Duvall. Voltando quase 13 anos atrás, a tarefa aparentemente impossível de ser o novo vocalista dessa banda única, está há tempos sacramentada pela sua alta e forte técnica vocal, que pode ainda tocar guitarra em praticamente todas as músicas - onde construiu uma química perfeita com Cantrell.

 

Tão importante quanto ser o frontman, Duvall também trabalha com os fãs, bombeando o punho no ar, batendo palmas ao som das músicas, pulando para cima e para baixo e cobrindo a maior parte do palco. Quando a banda entra com a música "Them Bones", o local realmente fica em erupção e isso é seguido pela canção "Dam That River", onde ambas, é claro, foram lançadas em sua obra-prima, "Dirt" (3º trabalho de estúdio, 1992).

 

Mas antes de se aprofundar em mais músicas clássicas, a canção "Hollow" é apresentada e marca o peso característico desde sempre do ALICE IN CHAINS. Ao lado da potente música "Stone", as duas marcam o disco em que foram lançadas, "The Devil Put Dinosaurs Here" (7º trabalho de estúdio, 2013).

 

Todo mundo canta junto com a lenta música "Down in a Hole" (também lançada em "Dirt") e fica evidente que o ALICE IN CHAINS é uma banda para todas as idades. Tudo ainda parece tão novo, mas também estamos testemunhando canções clássicas! Há alegria nos rostos da multidão que na sua maioria já passaram dos 40 anos de idade. Esta é a banda em que crescemos, a banda de Seattle que talvez menos soou grunge e mais como um filhote do heavy metal.

 

Importante salientar que eles não estão ficando mais calmos ou quietos com a idade, porque o ALICE IN CHAINS ao vivo continua sendo uma banda muito barulhenta e a atual turnê em 2018 comprova isso. Mas quem poderia se cansar de ouvir essas músicas clássicas com a máxima potência?

 

A bela canção,"Nutshell" (4º trabalho de estúdio, "Jar of Flies", 1994), suaviza um pouco e é um verdadeiro destaque do show, onde é realmente impossível não deixar que os seus pensamentos se desviem, para pensar no que poderia ter sido se Layne Staley (vocalista original) não tivesse sido agarrado pelas drogas e estivesse com a banda até hoje... Uma e outra vez, Duvall está cantando letras que, ou vieram de Staley ou foram também contribuídas por Cantrell, sendo que às vezes, inevitavelmente essas letras vão parecer pessoais - talvez muito pessoais - mas Duvall continuou a levar essas músicas com o respeito que elas merecem. 

 

Ainda podemos sentir até hoje a dor que foi em perder Staley...

 

O show vai percorrendo entre o pesado e à luz durante a maior parte da noite, onde chegamos numa linda porção de melodias cantadas que merecem destaque pelas suas performances. A canção "Heaven Beside You" (lançada em "Alice in Chains"), é muito bem recebida, comprovando a exalta recepção do público para as músicas antigas do grupo. Um pouco antes, quando Kinney iniciou a batida da música "No Excuses" (lançada em "Jar of Flies"), você é transportado de volta para a sua juventude e mais além, com a canção "Got Me Wrong" (2º trabalho de estúdio, "Sap", 1992), parece que a banda nos ligou eternamente àquela noite única em New York no ano de 1996, quando o ALICE IN CHAINS apresentou o seu lendário acústico na MTV.

 

No meio disso, voltamos ao álbum de estréia com a música "It Ain't Like That", que na minha opinião é uma das melhores músicas do grupo. O primeiro set do show termina com a clássica canção "Man in The Box" (também lançada em "Facelift"), que nunca deixa de ter todos os fãs cantando junto ao refrão. 

 

A banda retornou para o bis em uma ovação de pé, onde apresentaram o single do vindouro álbum, a nova música, "The One You Know", que realmente soa muito forte ao vivo. A canção "Would" entra em ação com o baixo de Inez e as luzes se acendendo para que todos possam cantar de volta para Duvall a frase final: "If / I / Would / Could / You". É sempre um momento surpreendente e com a música final, "Rooster" (as duas últimas lançadas em "Dirt") a banda traz a casa para baixo e nunca é entediante aguardar a mudança sonora quando a música explode para a vida, não importando quantas e quantas vezes você a escuta. 

 

O que não podemos fazer é esperar muito mais por uma nova turnê do ALICE IN CHAINS. Desde 2013 sem lançar um álbum de estúdio, em Agosto/2018 a banda irá lançar o seu novo disco, "Rainier Fog" (8º trabalho de estúdio), o muito atrasado álbum sendo aguardado com muitas expectativas.

 

Confira o setlist deste show:

 

1. Bleed The Freak

2. Check My Brain

3. Again

4. Them Bones

5. Dam That River

6. Hollow

7. Last of My Kind

8. Down in a Hole

9. No Excuses

10. Stone

11. We Die Young

12. Nutshell

13. Heaven Beside You

14. It Ain't Like That

15. Man in The Box

 

Encore Break

 

16. The One You Know

17. Got Me Wrong

18. Would

19. Rooster

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