• by Brunelson

Smashing Pumpkins: "ainda farei shows temáticos dos discos 'Mellon Collie', 'Machina' e do 3º ato"



Antes do lançamento do novo álbum de estúdio do SMASHING PUMPKINS em novembro de 2020, "Cyr" (10º disco), a banda foi liberando várias músicas do álbum e 05 delas vieram com videoclipes de animação.

Esta série animada se chama "In Ashes" e conta a história de 03 sujeitos num futuro cibernético em meio a aventuras no meio da floresta durante um blackout de energia.

A série foi produzida pelo frontman da banda, Billy Corgan, um meio criativo que ele admitiu em entrevista para o site Animation World Network não estar familiarizado na arte de direção, mas mesmo assim totalmente abraçado como uma forma de apoiar o lançamento do álbum duplo "Cyr".


As músicas escolhidas para servirem de trilha sonora aos clipes, foram (em ordem cronológica): "The Colour of Love", "Confessions of a Dopamine Addict", "Anno Satana", "Wyttch" e "Purple Blood". Juntas, elas contam uma história de desconexão, com personagens baseados em uma geração influenciada por redes cibernéticas.

Corgan descreveu a série animada como "uma aventura fantástica e surreal de ficção científica", compartilhando que, "a história original é algo que escrevi e aborda muitas coisas que enfrentamos todos os dias. Isso é, se vivemos em distopia, paraíso ou ambos, a escolha, dizem alguns, é sua e pode até ser um problema quântico”.


A série focou em intensificar o desenvolvimento dos personagens, criando uma atmosfera forte usando cores, formas e simbolismo. Cada cena precisava ser ligada aos eventos anteriores, ao mesmo tempo que sugeria o que estava por vir.


Ao descrever o desfecho da história, Corgan compartilhou: “Às vezes, as respostas são mais difíceis do que as perguntas. A luz dá lugar à uma escuridão esfumaçada e depois translúcida a lâmpada quente. Com um piscar, somos apresentados a uma estética que só podemos definir como carnaval-gótica, sabe? Uma paleta vibrante, formas grandiosas e uma pitada dark de mecânica retrô, mas ainda é um design clássico. Isso é um fim, um renascimento ou apenas parte de um ciclo sem fim?”

Confira a entrevista de Billy Corgan para o site Animation World Network:



Jornalista: Você produz e grava música há mais de 30 anos e fez inúmeros videoclipes. O que lhe inspirou a abraçar a animação para esta ampla série de videoclipes com tema em 05 partes, chamada "In Ashes"?


Billy Corgan: Bom, quando chegou a hora de começar a falar sobre vídeos, todos levantaram as mãos e disseram: "Bem, não podemos trabalhar por causa da covid". Foi quando as coisas estavam ruins e alguém disse algo sobre animação e eu falei: "Ok, eu realmente quero lançar 05 músicas antes do álbum ser lançado. Então, a única maneira de fazer isso é se for uma série de 05 partes". Todos ao meu redor falaram: "Ok, tudo bem", mas eu fiquei pensando se o orçamento iria dar conta.


Depois que eles descobriram que seriam capazes de fazer com o orçamento e começamos a trabalhar com a empresa Deep Sky, a primeira pergunta foi: "Você realmente quer que a animação responda/sincronize com a música?" Eu disse: "Não, de forma alguma. Deixe a música tocar como se fosse uma partitura e vocês apenas animem como quiserem com base na história que temos".


Eles fizeram um trabalho muito bom fazendo as edições e encaixando algumas coisas no ritmo, o que não parece completamente fora de sincronia, mas eles deixaram a animação falar por si só, sem ter que se preocupar muito com a melodia, você me entende? As peças se encaixaram muito bem e fizeram um belo trabalho.



Jornalista: Embora a série não foi criada para estar em sincronia com as músicas, os episódios usam as canções como pistas que os fazem fluir muito bem.


Corgan: Sim. Eles fizeram um trabalho muito bom em acompanhar a sensação da animação com a música. Eles não parecem videoclipes, porque eu literalmente disse: "Por favor, não faça isso".



Jornalista: Depois que você percebeu que o orçamento funcionaria para a animação, você teve alguma noção pré-concebida de qual estilo de animação ou tom temático gostaria de usar? Eu entendo que você teve um pouco de arte conceitual para começar o projeto...


Corgan: Eu tinha uma história em mente e sabia que queria que os personagens fossem desses tipos modernos, nem sei como você os chamam... As pessoas os chamam de rappers do SoundCloud, ou apenas isso, o que quer que seja esta geração... Eu não sei nem como os qualificaria. Eles têm tatuagens em seus rostos e não parecem vir de nenhuma formação cultural em particular, quero dizer, é como uma mistura de muitas coisas.


Certamente reconheço pelas minhas próprias experiências que você não pode necessariamente fazer qualquer julgamento sobre isso. Para uma geração que está crescendo com a internet, é claro que é assim que eles estão montando o mundo - de uma forma meio dissociada. Eles provavelmente são mais influenciados por redes sociais do que por qualquer outra coisa.


Eu sabia que queria que isto fosse sobre personagens desse tipo de formação. Pedi à minha amiga, Linda, que fizesse alguns desenhos conceituais originais, apenas para ter uma noção de como os personagens iriam se apresentar. Uma vez os animadores se envolvendo, eu estava de bem com isso, porque vi que eles tinham uma visão baseada no que eu estava dizendo.


Eles se sentiram bem à vontade com isso... É como gosto de chamar: uma série Scooby-Doo distópica. Há algo sobre a combinação de personagens modernos e um estilo desenhado à mão, o que me lembra de como o desenho do Scooby-Doo era.


Sinto muito, não tenho um profundo conhecimento em animação suficiente para ter uma opinião mais técnica, tipo, sei do que gosto e do que não gosto, mas eu não poderia lhe dizer... Eu não tenho nenhum animador favorito e literalmente não sei nada sobre este mundo.



Jornalista: Você não está sozinho... Quando se trata de animação, existem muitas pessoas que financiam e tomam decisões sobre programações e ideias, mas que não sabem quase nada sobre a sua visão musical ou de animação. Se você tivesse um conhecimento mais direto sobre animação, você não teria feito de forma diferente a série "In Ashes"?


Corgan: Sim, seria bom saber.



Jornalista: Ao mesmo tempo, é quase melhor ter distância, porque você pode se concentrar no tom, na história, nas coisas importantes que precisam de atenção, independentemente da técnica e do desenvolvimento visual. Você pode ter os visuais mais atraentes que for, mas se eles não contarem a história corretamente, haverá uma desconexão.


Corgan: Sim, acho que a única observação que tive a esse respeito foi que não queria que parecesse... Nem sei como quantificar isso, me refiro aquele estilo de animação muito moderno de hoje em dia que quase todos parecem estar usando o mesmo programa de computador...



Jornalista: Bom, há um monte de coisas 3D...


Corgan: Acho que é do 3D que você está falando. Eu apenas disse: "Por favor, faça o que fizer, só não quero esse estilo". Porque isso não iria funcionar no mundo do SMASHING PUMPKINS.



Jornalista: Eu concordaria e é por isso que você ainda vê tanto o 2D como inovador, incluindo muito stop-motion e mídia mista. Orçamento à parte, desta forma parece uma ação mais direta da mão do artista indo direto para a moldura.


Corgan: Sim.

Jornalista: Quando você está escrevendo música, com que frequência você tem uma história ou um conjunto de imagens em mente? Isso ajuda na sua criatividade musical ou não necessariamente faz parte de como você cria música?

Corgan: Eu sempre tenho um tipo visual de narrativa emocional que me guia e meio que me fundamenta. Acontece que não costumo expressar isso em público e nem me esforço para tentar colocar estas imagens em filmes, porque sai muito caro. Muitas vezes, a inspiração que vem do lado visual simplesmente não se manifesta, ou é meio que vagamente e simbolicamente parte de como nos apresentamos, mas em termos de uma renderização completa da informação visual que obtenho enquanto escrevo música, a maior parte é apenas deitar e esperar.

Acabamos de passar pelo 25º aniversário do nosso álbum "Mellon Collie and The Infinite Sadness" (3º disco, 1995), e tenho esperança de que, em algum momento, seremos capazes não apenas de apresentar esse álbum ao vivo, mas também o álbum de 2000, "Machina The Machines of God" (5º disco), e então, finalizando a trilogia com o álbum que nós estamos trabalhando agora e que vai ser lançado depois do disco "Cyr".

Esperançosamente, seremos capazes de encenar todos eles ao vivo com grandes produções teatrais. Em algum momento, espero transformar isso em filmes, mas não consigo nem imaginar que algum dia teria orçamento para trabalhar com seres humanos reais. Portanto, estou pensando que, se algum dia eu conseguir fazer esses filmes, terei de recorrer à animação.


Jornalista: Olhando para a série finalizada, o quão perto de suas ideias originais os episódios ficaram e se você ficou satisfeito por eles contarem a história da maneira que você queria?


Corgan: Sim. Emocionalmente e em termos de narrativa, é bastante preciso. Sempre há concessões e coisas que eu gostaria que tivessem mais subtexto, mas acho que colocaria muita responsabilidade na falta do meu conhecimento sobre esta área em relação a capacidade da empresa Deep Sky de concebê-los. Acho que eles têm sido parceiros super fiéis nisso e eles realmente se esforçaram para me dar o que eu queria, então, estou muito satisfeito e feliz com isso. Tem sido uma experiência muito, mas muito positiva pra mim.



Jornalista: Em algum ponto, essa pandemia vai ser controlada e a produção de filmes de ação ao vivo voltará ao normal. No futuro, você continuará usando animação em suas produções de videoclipes?


Corgan: Acho que, para responder fielmente à sua pergunta, adoraria encontrar um estilo um pouco mais... Trabalhamos muito no SMASHING PUMPKINS para criar um som único e se eu fizer algo em animação, terei que trabalhar muito mais arduamente do que tenho feito até agora para descobrir como criar um estilo de animação único que esteja totalmente sob o guarda-chuva do SMASHING PUMPKINS - se isso fizer algum sentido... Isso não é para denegrir as pessoas com quem tenho negócios, é mais do tipo: "Eu preciso saber mais sobre animação para saber o que procuro, para saber quem pode me dar o que eu quero".

Podem até serem as pessoas com quem eu estou nos negócios agora, porque no final do dia, quando você está falando sobre uma "marca", eu acho que o estilo visual deve ser tão único quanto a banda e não sei como usar a tecnologia o suficiente para saber o que é razoável em termos de orçamento.


Eu gostaria que houvesse uma varinha mágica onde pudesse conseguir mais do que eu quero de forma mais simples e barata, mas eu sei que isso não existe, então, ainda estou tentando descobrir como fazer. Com o tempo, eventualmente descobri isso em termos de produção de videoclipes convencionais para a banda e sinto que vou descobrir isso para a animação, pois acho que existe uma atemporalidade na animação que é muito atraente pra mim e eu adoraria integrá-la na maneira mais ampla de promover a nossa música, fazendo as pessoas se conectarem emocionalmente com o que estamos criando. Só preciso aprender mais sobre este mundo da animação para eu entender até o que eu mesmo estou pedindo a alguém.



Jornalista: Última coisa que quero perguntar a você. O que você espera que o público extraia ao assistir a esta série de animação? O que você deseja compartilhar com eles por meio desse meio que você não pode compartilhar com eles apenas através da música?

Corgan: A animação destaca as camadas emocionais que estão enterradas na música, o que geralmente exige uma escuta repetida. A animação ajuda a obter mais de um subtexto emocional particular da narrativa. Estou muito atraído por isso e é muito mais difícil fazer num videoclipe de música por causa de como eles são filmados e do ritmo em que devem ser reduzidos para se qualificarem à canção.


Secundariamente, adoro a simbiose das imagens que são utilizadas e a forma como são interpretadas deste jeito leve e sarcástico. Eu amo que eles também falem algo sobre o tipo de postura geral da banda, pois sempre fomos brincalhões e de muitas maneiras isso é demonstrado aqui.


As pessoas tendem a nos levar muito mais a sério do que nunca. Acho que a série "In Ashes" demonstra que podemos lidar com assuntos profundos enquanto brincamos com eles ao mesmo tempo. Esta série animada mostra como vemos o mundo através de um olhar irônico, mas ao mesmo tempo com um certo nível de consciência. Sobre os temas, a série animada mexe com meta temas, esta nova geração de crianças meio que perdidas.


E então, passando para as coisas típicas como chapéus de papel alumínio, conspirações do governo, sociedades secretas e coisas assim, é divertido brincar com esses tópicos... E por ser animação, ninguém se machuca.


Confira a série completa "In Ashes" logo abaixo:


"The Colour of Love"


"Confessions of a Dopamine Addict"


"Anno Satana"


"Wyttch"


"Purple Blood"


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