• by Brunelson

Billy Corgan: "nos anos 90, você era cultivado e transformado em mercadoria"


O frontman do SMASHING PUMPKINS, Billy Corgan, foi entrevistado pela revista Q e dentre vários assuntos, ele falou também sobre a indústria musical nos anos 90 e a forma como a música era vista e sua transformação aos tempos atuais.

Seguem alguns trechos:

Jornalista: Quando você faz essas perguntas e respostas em rede social com os fãs, você tem pessoas falando sobre como a sua música ajudou a tratar a perda de entes queridos, a lutar contra o suicídio e passar por casamentos fracassados, pois o impacto da música do SMASHING PUMPKINS ainda está lá e isso não é algo que alguém possa negar... Isso deve ser muito gratificante para você, não é?

Billy Corgan: Do jeito que eu vejo, não posso dizer quando a música existiu, mas digamos que já fazem uns 4 ou 5 mil anos. Bom, 99% daqueles anos até o século passado ou mais, a música era basicamente uma relação causal para um sujeito só.

Corgan: Você contratou uma banda para tocar no seu casamento ou viu um cara tocando na esquina e jogou uma moeda no chapéu dele, você me entende? Era muito mais uma coisa de conversa sem compromisso quando se falava sobre música.

Corgan: E quando Bing Crosby descobriu como usar um microfone - me refiro chegando perto dele e cantando intimamente - ele engajou o público de uma maneira diferente. Ele se tornou naquele momento o maior vendedor de discos de todos os tempos, acho que até de Elvis Presley.

Corgan: Mas a tecnologia mudou a relação às estrelas e hoje eles os colocaram num pedestal, onde aprenderam rapidamente a higienizar as suas imagens, retocar as suas fotos e transformá-los em deuses que não são.

Corgan: Então, o fim desse negócio é o que eu entrei nesse tipo de máquina de fazer estrelas, esse negócio de "vender a sua alma na encruzilhada", tipo Robert Johnson, sabe? Essa foi o história que me foi contada...

Corgan: Já faz uns 05 ou 10 anos que devido a tecnologia estamos vendo essa erosão de estereótipos e tropos musicais, onde estamos no mundo de forma livre agora. No nosso caso, há uma audiência e eles estão interessados no que estamos fazendo e meio que removi o intermediário no meio do caminho, por assim dizer.

Corgan: Provavelmente, acho que a música está passando por seus "cálculos", muito parecido com a forma como a indústria do cinema passou no final dos anos 50 e 60... Vou ser bem rápido sobre isso porque é uma história muito longa, mas há uma coisa na Califórnia chamada de "Lei dos 07 anos", que, se você é um ator de cinema, você não pode ser mantido sob um contrato por mais de 07 anos.


Corgan: Mas essa lei não se aplica aos músicos porque as estrelas de cinema - com o seu poder e influências políticas - conseguiram emendar a lei em nível judicial para atores de cinema, mas não para músicos, sendo que o SMASHING PUMPKINS foi processado sob esta lei em 1995, porque tínhamos um contrato muito longo com a gravadora na época e foi um caso inovador no sistema judiciário.

Corgan: Resumindo, é isso que estou dizendo: entrei naquele velho tipo de sistema, onde você era cultivado e transformado em mercadoria. Se você não dançasse do jeito que eles queriam que você dançasse ou vendesse do jeito que eles queriam que você vendesse, eles o descartavam.

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