• by Brunelson

Alice in Chains: “o grunge nunca existiu”


Lá em setembro de 2013, foi realizado o Rock in Rio Festival aqui no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Dentre várias atrações musicais, a banda ALICE IN CHAINS estava voltando ao Brasil desde a sua aclamada e prestigiada apresentação 02 anos antes, no SWU Festival de 2011 na cidade de Paulínia/SP.


O grupo estava em turnê divulgando o disco "The Devil Put Dinosaurs Here" (7º trabalho de estúdio, 2013).


No show do Rock in Rio, no bumbo da bateria estava escrito as iniciais de Layne Staley e Mike Starr em forma de homenagem (vocalista e baixista original do ALICE IN CHAINS, ambos falecidos - foto acima).


Um dia antes da apresentação no Rock in Rio, o portal da Globo entrevistou o baterista do ALICE IN CHAINS, Sean Kinney.


Confira alguns trechos desta entrevista:



Jornalista: Vocês irão se apresentar no dia do heavy metal no Rock in Rio, junto com as bandas METALLICA e SEPULTURA, por exemplo. ALICE IN CHAINS é uma banda metal ou grunge?


Sean Kinney: O grunge nunca existiu, cara! Foi só uma palavra idiota que a mídia criou para tentar descrever o que acontecia em nossa cidade, Seattle. Musicalmente falando, a maioria das bandas que vieram de Seattle no começo dos anos 90 não se pareciam em nada umas com as outras, por isso que a mídia criou este rótulo para abraçar todas estas bandas. ALICE IN CHAINS surgiu antes do termo grunge ter sido criado.


Kinney: Antes de nos chamarem de grunge, a mídia e a crítica musical nos chamavam de rock alternativo, depois nos chamavam de metal alternativo e depois somente de metal, para só depois, quando o termo grunge foi criado, começaram a nos chamar e nos chamam ainda de grunge.


Kinney: Todos estes rótulos são uma idiotice sem fim, cara, mas nós não dávamos a mínima, sabe? Porque a gente sabia que a banda era um grupo de rock n' roll e pronto! Então, foi criado este termo e todas as bandas de Seattle foram empurradas para isso. É engraçado para mim, porque o ALICE IN CHAINS surgiu antes dessa merda toda. Eu acho que a mídia ficou um pouco perdida diante da magnitude da cena musical que acontecia em Seattle no início dos anos 90, e além de nós estarmos fazendo sucesso, tinha ainda bandas como o PEARL JAM, NIRVANA, SOUNDGARDEN, MUDHONEY, SCREAMING TREES e mais umas dezenas de grupos que não chegaram a ser tão reconhecidos assim pela mídia na época.


Kinney: Daí, você imagina o motivo da mídia, dos veículos de comunicação e da crítica musical terem criado este rótulo, pois essas bandas que eu citei não se pareciam em nada entre elas musicalmente falando. ALICE IN CHAINS havia aparecido antes do grunge surgir e já tínhamos vendidos mais de 01 milhão de cópias só nos EUA do nosso 1º álbum de estúdio lá em 1990, "Facelift". E nós já estávamos na MTV, nas capas de revistas e tocando nas rádios. Nessa época, nem se falava do termo grunge ainda.


Kinney: Eu me lembro quando o ALICE IN CHAINS estava em turnê divulgando o disco "Facelift" pela Europa, em 1991, e já tinha em minhas mãos uma cópia do disco "Nevermind" (2º álbum do NIRVANA, 1991) antes dele ter sido lançado no mercado. Eu já gostava do NIRVANA antes de "Nevermind" e achava que aquelas músicas eram ótimas e que iriam detonar quando o álbum fosse lançado. Eu sabia que as pessoas também já estavam gostando do NIRVANA antes desse disco ter sido lançado, mas eu não fazia a mínima ideia de que o NIRVANA iria se tornar na febre que se tornou. A partir do lançamento deste álbum, aí sim é que o termo grunge foi criado e alimentado pela mídia.


Kinney: Mas quer saber? Nós somos uma banda de rock e ponto final. Nós temos algumas influências do heavy metal, mas não quer dizer que somos uma banda de metal no estilo tradicional. E também não haveria dia melhor para nós tocarmos no Rock in Rio que não fosse nesse dia, porque iremos nos apresentar no mesmo dia em que os nossos amigos do METALLICA e do SEPULTURA irão tocar também.



Jornalista: O vocalista/guitarrista da banda, William Duvall, foi muito bem elogiado aqui no Brasil durante a apresentação do ALICE IN CHAINS no SWU Festival em 2011, na cidade de Paulínia/SP. O que mudou com ele na banda?


Kinney: Cada um traz a sua personalidade para o grupo e para a música em si, e ele é um cara muito talentoso. William nunca tentou ser outra pessoa lá em cima no palco, você me entende? Ele sempre foi do jeito dele...



Jornalista: Como que você descreveria um show do ALICE IN CHAINS para quem nunca foi?


Kinney: Tentamos oferecer um pouco da história da banda cobrindo todos os nossos trabalhos de estúdio, mas em alguns shows a gente não consegue fazer isso e não me pergunte por que... Não sei, será a 1ª vez para muitas pessoas que irão nos ver, assim como poderá ser a última, então, a gente procura não ficar tocando só as músicas do último álbum.



Jornalista: Em 1993, aqui mesmo no Rio de Janeiro no extinto Hollywood Rock Festival, ALICE IN CHAINS fez o seu último show com a formação original. O que você se lembra daquela apresentação?


Kinney: Não dá para esquecer a loucura que foi, cara. Foi ao mesmo tempo doce e amarga, sabe? Foi um bom show, estávamos animados em cima do palco. O pessoal do NIRVANA e do RED HOT CHILLI PEPPERS ficaram assistindo a nossa apresentação ao lado do palco, foi demais... Havia sido o maior público que havíamos se apresentado até então, mas foi o último show de Mike Starr (baixista original).



Jornalista: Vocês já haviam decidido a demissão dele antes do show?


Kinney: Sim e já tínhamos dado a notícia para ele também. Havia uma grande energia e ansiedade em volta disso entre nós da banda e também na hora do show. As coisas estavam meio estranhas durante a nossa passagem pelo Brasil em 1993, com o NIRVANA se despedaçando em cima do palco e o nosso baixista fazendo o seu último show com a banda. Eu me lembro de Mike tocando com o coração partido...


Kinney: No aeroporto do Rio de Janeiro, 01 dia depois do nosso último show no Brasil, a banda toda foi para a Europa e Mike foi sozinho para Seattle... É surpreendente que nós tenhamos continuado com o grupo depois de tudo isso que aconteceu e com o que iria vir a acontecer ainda, e depois de tanto tempo estamos retornando pela 1ª vez, aqui, no mesmo lugar, cidade e palco, para nos apresentarmos novamente. Muita coisa mudou realmente de lá para cá...



Jornalista: Então, você voltou também ao mesmo aeroporto onde vocês se despediram de Mike Starr...


Kinney: Sim, eu pensei muito sobre isso. A vida é uma viagem estranha, cara. Eu só sei de uma coisa que é a mesma coisa para todo mundo: a vida tem altos e baixos. Você só tem que tentar passar por estas coisas da melhor maneira que for possível.

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