• by Brunelson

The Linda Lindas: "a música pode fazer qualquer coisa e fazer você passar por qualquer situação"


A nova banda de punk rock, THE LINDA LINDAS, é um quarteto feminino de adolescentes vinda de Los Angeles e que está trazendo uma vitalidade juvenil e um futuro destemido e divertido à música punk - apoiada por grupos e artistas como BIKINI KILL, BAD RELIGION, Flea (baixista do RED HOT CHILI PEPPERS), Tom Morello (guitarrista do RAGE AGAINST THE MACHINE) e Thurston Moore (vocalista/guitarrista do SONIC YOUTH).


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Quando uma nova banda punk rock é defendida por nomes desse naipe, é seguro dizer que algo emocionante está acontecendo, ainda mais quando os membros da referida banda ainda não saíram da adolescência.


Na verdade, nem todas começaram realmente a adolescência.

Formada pelas irmãs Lucia (vocalista/guitarrista, 15 anos) e Mila de la Garza (baterista, 11 anos), sua prima Eloise Wong (vocalista/baixista, 14 anos) e a amiga da família Bela Salazar (guitarrista, 17 anos), THE LINDA LINDAS começou no festival feminino Girlschool LA em 2018. Elas rapidamente conseguiram uma vaga para abrir o show do BIKINI KILL e uma audição num filme original da Netflix, antes de uma apresentação de sua música "Racist Sexist Boy" na Biblioteca Pública de Los Angeles.

Foi uma apresentação viral graças ao seu poder puro e impressionante (atualmente tem mais de 1,3 milhão de visualizações no YouTube e mais de 4 milhões no Twitter). O quarteto logo conseguiu um contrato com a Epitaph Records (do guitarrista do BAD RELIGION) e sua conexão com a conceituada gravadora independente é profunda: o pai de Mila e Lucia é o produtor vencedor do Grammy, Carlos de la Garza, que trabalhou com nomes como o próprio BAD RELIGION.

Assim como Mila, então com 10 anos de idade, explica no início da apresentação da canção "Racist Sexist Boy": "Foi inspirada por um menino da minha classe que alegou ter sido instruído a ficar longe do povo chinês". De la Garza e Wong, que são ambas descendentes, transformaram a experiência angustiante em uma música no melhor estilo do movimento "Riot Grrrl" que empurrou para trás todos os ignorantes e opressivos. “Nós reconstruímos o que você destrói”, elas repetem triunfantemente.

THE LINDA LINDAS já anunciou o seu álbum de estreia para o dia 08 de abril de 2022, "Growing Up", que será completo com uma versão de estúdio da canção "Racist Sexist Boy".

Enquanto músicas como essa e "Fine" mantêm aquela energia punk rock feroz, também há as boas canções "Oh!" e "Talking to Myself".

E desta vez, foi a revista britânica New Music Express entrevistar toda a banda para conversar sobre o seu processo de composição, seu sucesso viral e o que elas aprenderam saindo e conhecendo alguns dos seus heróis musicais.


Só lembrando que a turnê americana da banda THE LINDA LINDAS vai iniciar em 1º de abril com quase todos os shows com os ingressos esgotados. Esta será a 1ª turnê das meninas.

Jornalista: "Growing Up" é um nome simples, mas perfeito para nomear o disco de estreia de vocês. O que fez escolherem esse título?

Lucia (vocal/guitarra): Acho que resume o que está acontecendo em nossas vidas agora. É muito sobre tentar descobrir quem somos e fazendo tudo isso durante uma pandemia que estava acontecendo e mesmo assim nos deixando super ocupadas. Mas é legal, porque escrever músicas sobre crescimento meio que dá sentido ao caos.


Jornalista: Vocês escreveram esse álbum no início da pandemia, o que deve ter sido um momento muito assustador e confuso para crescer. Que sentimentos vocês trouxeram para as suas composições?

Bela (guitarra): Sinto que havia muito mais tempo em nossas mãos para pensar e processar as coisas, então, eu acho que isso realmente refletiu no que escrevemos.

Lucia: Sim, tivemos 02 anos inteiros para pensar, mas foi bom, porque no meio de tudo o que está acontecendo agora, acho que ter esse tempo para refletir e descobrir mais sobre o que está acontecendo em nossas cabeças foi realmente útil. Agora sabemos o que podemos usar para nos ajudar sempre que estivermos estressadas.


Jornalista: Quais foram algumas das emoções pelas quais vocês tiveram que trabalhar?

Lucia: Escolhi colocar algumas das músicas mais animadas da minha coleção pessoal em nosso álbum, porque era isso que eu queria colocar no mundo naquela época. Eu me senti mais preparada emocionalmente para lançar músicas felizes do que músicas tristes, mas com canções como "Growing Up", "Remember" e "Magic", acho que é só sobre tentar entender a si mesmo.

Eloise (vocal/baixo): Sinto que muitas das minhas músicas vêm de um lugar de raiva, como "Racist Sexist Boy" ou "Fine".


Jornalista: De onde vem essa raiva?

Lucia: Na época, havia vários crimes de ódio acontecendo e havia um sentimento de desamparo, como se você não pudesse fazer nada a respeito. Especialmente nós, crianças mais novas, você pensava: "O que eu devo fazer?" Você sente que não pode fazer nada para impedir isso, então, compor músicas é realmente pessoal, é como um pedaço de você. Compartilhar as suas canções com as pessoas ao seu redor é realmente útil porque você ganha uma compreensão mais profunda uma da outra e descobre que não está sozinho. Você descobre que há algumas pessoas que querem apoiá-lo.


Jornalista: A amizade íntima entre vocês tornou mais fácil expor estes sentimentos ao mundo?

Lucia: É muito mais fácil colocar esse pedacinho de você no mundo quando você tem 03 outras pessoas para fazer isso também.

Mila (bateria): Seria muito mais assustador se fosse só você fazendo música. Acho que através da escrita de músicas, nos aproximamos muito porque podemos nos entender um pouco melhor com cada canção que compartilhamos e acho isso algo muito especial.


Jornalista: Um grande momento para todos vocês foi quando a música "Racist Sexist Boy" se tornou viral. Como foi essa experiência?

Lucia: Recebemos muitos comentários sobre como esta canção chegou exatamente na hora certa e era exatamente o que as pessoas precisavam, e isso era tudo o que podíamos pedir. É difícil acreditar que existem pessoas reais por trás dessa contagem de seguidores nas redes sociais e que vem subindo e subindo. É legal pensar que agora, quando falamos algo, pode significar algo a mais para outras pessoas. Os nossos pensamentos e opiniões podem ser importantes para as pessoas e isto significa que podemos fazer shows em todo o mundo e que podemos fazer a diferença.


Jornalista: Como o sucesso dessa música mudou a abordagem de vocês fazerem música?

Bela: Acho que estamos levando a música mais a sério agora, mas ainda estamos fazendo a mesma coisa que estávamos fazendo antes, apenas nos divertindo tocando música com os nossos amigos.

Eloise: Estamos muito mais ocupadas do que antes. Temos mais sessões de fotos e entrevistas para fazer e estamos absorvendo tudo.

Mila: Porque se você se preocupa apenas com "e se tudo acabar", se essa é a única coisa em que você pensa enquanto isso acontece, então, estas são as únicas lembranças que você terá quando olhar para trás.


Jornalista: Vocês recentemente passaram um tempo com bandas como o BIKINI KILL e o PARAMORE. Que conselhos eles deram a vocês?

Bela: Saiba o valor de dizer a palavra "não".

Mila: "Não" é tão poderoso quanto dizer "sim”.

Lucia: E certifique-se de estar sempre fazendo o que você quer fazer e o que importa para você. O fato de que eles ainda estão tocando música me dá esperança. Porque eu sempre me preocupo, tipo, e se quando formos mais velhas e não formos mais tão jovens e bonitinhas, e as pessoas não quiserem mais ouvir a nossa música? Mas essas bandas merecem todo o sucesso que têm e somos gratas por pessoas como elas que nos possibilitaram fazer shows e fazer música.


Jornalista: Vocês acham que, à medida que vão crescendo, THE LINDA LINDAS como banda continuará a crescer e evoluir assim como vocês?

Lucia: Sim e realmente não há limite para as nossas composições. Podemos escrever sobre o que quisermos, mas vamos continuar escrevendo sobre o que queremos escrever e isso vai mudar porque vamos mudar com o tempo, e mesmo assim ainda vai ser THE LINDA LINDAS.

Eloise: E eu acho que o quê vai permanecer o mesmo é que ainda vai ser divertido, ainda vai ser uma explosão e ainda vamos fazer o que queremos!


Jornalista: Para encerrar, o que vocês aprenderam gravando esse álbum?

Lucia: Aprendemos que a música pode fazer qualquer coisa e pode fazer você passar por qualquer situação. É muito divertido ver como estamos crescendo como músicos. Mesmo o nosso 1º EP, "The Linda Lindas" (2020), que gravamos apenas cerca de 01 ano antes, você pode ver como crescemos como compositoras e como estávamos tentando descobrir qual é o nosso som. Esperamos que haja muito mais por vir e que os nossos discos continuem mostrando como estamos progredindo.


Confira todos os singles lançados em divulgação ao vindouro disco de estreia da banda THE LINDA LINDAS, "Growing Up":


"Racist Sexist Boy"


"Oh!"


"Nino"


"Growing Up"


"Talking to Myself"


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