• by Brunelson

Radiohead: um breve retrato da vida do vocalista Thom Yorke


Em 07 de outubro de 1968, na cidade mercantil de Wellingborough, Inglaterra, Thom Yorke nasceu com 01 olho paralisado e quando criança, o futuro vocalista do RADIOHEAD havia passado por cinco cirurgias no olho antes de completar 06 anos de idade.


Essa experiência, em termos inequívocos, deu a Yorke uma sensação de separação emocional única desde tenra idade - que psiquicamente ele usa como uma armadura pessoal.

A última cirurgia que ele fez quando criança, rotulada por Yorke como “malfeita”, o deixou com as pálpebras deste olho caídas, porém, deixá-las normais nunca esteve no topo de sua lista de preocupações: “Decidi que gostava do fato de que não era a mesma coisa (os 02 olhos) e tenho gostado disso desde então. Quando as pessoas diziam coisas sobre mim debochando, eu meio que achava que era um distintivo de orgulho e ainda acho”, disse ele uma vez em entrevista.

Quando criança, a sua família mudava-se com frequência. Pouco depois do nascimento de Yorke, o seu pai, um físico nuclear e depois um vendedor de equipamentos químicos, foi contratado por uma empresa da Escócia, onde a família morou lá até aos 07 anos de idade de Yorke.


Esse estilo de vida nômade ao qual ele se acostumou nos primeiros anos antes de se estabelecer na cidade de Oxfordshire, Inglaterra, em 1978, o colocou numa boa posição para a carreira que teria, onde iria passar grande parte da sua vida vivendo na estrada. Foi durante esses anos de formação, com apenas 07 anos, que Yorke ganhou o seu primeiro violão. Inspirado pelo guitarrista do QUEEN, Brian May, começou a trabalhar o seu ofício.

Yorke nasceu numa família rica, bem-sucedida e frequentou a Abingdon School, uma escola particular de nível superior que custa mais de 40 mil libras por ano para obter o curso completo. Talvez sem surpresa, este ambiente era um que Yorke não gostava e mais tarde o viu voltar a se sentir um estranho. A escola era uma parte de sua vida da qual o músico não guardava as melhores memórias, mas a música lhe proporcionou uma sensação de fuga. Uma coisa pela qual ele será eternamente grato durante a sua experiência escolar, é o fato de que isso o levou a conhecer os seus colegas de banda do RADIOHEAD.

Depois que ele conheceu as almas gêmeas no guitarrista Ed O’Brien, baterista Philip Selway e os irmãos Colin e Jonny Greenwood (baixista e guitarrista), eles formaram a banda ON A FRIDAY, um grupo com o nome do único dia da semana em que podiam ensaiar.

Com este nome, Yorke era considerado pela crítica underground como “desamparado e um pouco isolado” graças à sua aparência incomum, mas "falante e opinativo". Os veículos de comunicação diziam que Yorke “não era um grande músico”, ao contrário de Jonny Greenwood, mas mesmo assim um “pensador e experimentador”.

Depois de estudar música, Yorke decidiu que precisava de 01 ano sabático para ver se conseguiria se dar bem como músico, mas durante esse período, quase perdeu a vida num terrível acidente de carro que parece ter alterado a sua visão de mundo. Ele não tinha mais pressa em se tornar um músico profissional e em vez disso, queria apenas aproveitar a vida.

Por volta dessa época, ON A FRIDAY decidiu recusar um contrato com a gravadora Island Records, que lhes foi oferecido baseado na gravação de apenas 01 fita demo. Isso mostrou a confiança desenfreada em uma banda que previram o brilho do grupo desde cedo.


No final de 1988, Yorke deixou Oxford para estudar Inglês e Belas Artes na Universidade de Exeter, o que colocou a banda ON A FRIDAY num hiato, até que eles voltaram revigorados em 1991 após a sua formatura. Nos 03 anos que passou em Exeter, Yorke mais tarde receberia o crédito por “ter se preparado criativamente” para o seu trabalho posterior com o RADIOHEAD.

Poucos meses depois de Yorke se formar na faculdade, ON A FRIDAY foi contratada pela gravadora Parlophone Records, mas com a condição de que mudassem de nome e assim surgiu o RADIOHEAD. Um ano depois, após uma turnê incessante, eles lançaram o seu álbum de estreia, "Pablo Honey" (1º disco, 1993), com "modesta" fanfarra, alcançando o ranking nº 25 nas paradas do Reino Unido, mas a ideia de que se tornariam um dos artistas que definiriam a sua época e abrindo novos caminhos no rock'n roll, ainda não era visível.

Durante esse período, Yorke estava lutando mentalmente consigo mesmo e bebendo muito, a ponto de ficar frequentemente embriagado demais para se apresentar nos shows, o que estava se tornando um fardo para os seus companheiros de banda. Isso foi combinado com a música "Creep" (1º disco) se tornando maior do que a banda depois que surgiu como um hit underground nos EUA, que remonta a uma faculdade californiana que adicionou esta canção a uma lista de reprodução de rádio na cidade de San Francisco. Uma versão censurada desta música foi então lançada nas estações de rádio e gradualmente tornou-se um hino do rock alternativo para os americanos.


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Foi difícil para Yorke lidar com esse sucesso e como ele mesmo admitiu em entrevista: “Quando voltei para Oxford, as coisas estavam insuportáveis. Assim que você consegue algum sucesso, você quer desaparecer no fundo do seu próprio traseiro”, ele declarou honestamente uma vez.


Yorke assumiu uma personalidade despreocupada de rockstar, mas por baixo desta fachada, ele estava lutando com a pressão da gravadora para que a banda criasse outro hit a la "Creep" para o seu 2º álbum de estúdio, "The Bends" (1995).

O disco "The Bends" viria a ser uma obra-prima que eclipsou o álbum "Pablo Honey" e abriu ainda mais portas para o RADIOHEAD, que rapidamente se tornou uma das maiores bandas dos dois lados do Atlântico. Quando lançaram o álbum divisor de águas na história do rock, "OK Computer" (3º disco, 1997), o grupo alcançaria aclamação ainda mais da crítica e as vendas ficaram cada vez mais fortes, mas Yorke ainda estava desconfortável com o sucesso a qual ele nunca desejou.

Pouco depois, RADIOHEAD mudou drasticamente o seu som para os vindouros álbuns, "Kid A" (4º disco, 2000) e "Amnesiac" (5º disco, 2001), que os viram rasgarem o livro de regras, deixando a música de guitarras de lado e optando por vocais processados, letras obscuras e usando instrumentos eletrônicos como sintetizadores, baterias eletrônicas e samplers. Essa capacidade de mudar constantemente o seu som é algo que o RADIOHEAD continuou a fazer ao longo do século 21, um fator que contribuiu para o fato de terem consolidado o seu status como um dos grupos mais dinâmicos que a história do rock já produziu e ainda estão firmes em seus próprios métodos.

Uma das coisas impressionantes na carreira de Yorke e do RADIOHEAD, é o número de vezes que eles evitaram o sucesso, uma mudança que vai desde a banda ON A FRIDAY rejeitando um contrato de gravação em 1988. Para ser tão bem sucedido comercialmente quanto o RADIOHEAD tem sido sem fazer nenhum sacrifício artístico no caminho, é aparentemente impossível - eles até forneceram o álbum "In Rainbows" de graça pela internet (7º disco, 2007) - o que poderia até ser um suicídio de carreira na época, mas apenas confirmou o seu status de visionários.

É nesse mundo onde falta empatia e respeito ao próximo, que Thom Yorke permanece um visionário, um ser humano criativo, profundamente apaixonado pela música, um inovador, pioneiro e um artista genial comprovado pelos fatos.

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