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Mudhoney: "o meu disco preferido da banda é 'Every Good Boy Deserves Fudge'"


O frontman e o guitarrista do MUDHONEY, Mark Arm e Steve Turner, foram recentemente entrevistados pela revista Spin e falaram sobre o relançamento do álbum "Every Good Boy Deserves Fudge" (2º disco, 1991), para marcar o 30º aniversário.

Como pilares da cena musical de Seattle, MUDHONEY está acostumado a olhar para trás em sua carreira. Seja concedendo a sua opinião sobre os dias de glória do grunge ou relembrando o tempo passado com o falecido Kurt Cobain, MUDHONEY não se opõe a revisitar o passado.


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O projeto mais recente da banda é aquele que os leva de volta aos dias de glória em 1991, o ano em que o grunge "quebrou" oficialmente no mainstream. Este 2º disco do MUDHONEY, "Every Good Boy Deserves Fudge", será relançado com uma nova edição expandida, cortesia do seu selo de longa data, a Sub Pop Records - mas apenas porque os caras da banda pediram.

“Eles não estavam prestando atenção, então, eu tive que levantar a minha mão”, disse Mark Arm, que também trabalha na parte administrativa da Sub Pop. “Eu estava pensando sobre o próximo número da rodada de um de nossos lançamentos pela Sub Pop, porque eles perderam a janela do nosso 1º disco, mesmo não havendo muito material extra para aproveitar, ao passo que havia muito o que fazer com o álbum 'Every Good Boy Deserves Fudge'”.

Montar este relançamento tem sido uma forma de manter a banda ativa durante a pandemia: “Foi uma jornada divertida passar por tudo, encontrar outras gravações e fazendo reuniões online com os caras da banda”, explicou Steve Turner. “Não ficamos exatamente sentados ouvindo discos do MUDHONEY, pois eu me lembro deles mais como instantâneos daquela época, mas acho este 2º álbum muito legal e bastante diverso”.

Se você pressionar os membros do MUDHONEY sobre o que eles acham que é o melhor trabalho que fizeram nos 33 anos de banda, você não terá muitos argumentos para nada recente, com Turner admitindo que o disco "Every Good Boy Deserves Fudge" é o seu favorito.

“Historicamente, os primeiros anos são quando você obtém o melhor de qualquer banda”, disse Turner. “Não estou descartando o que fazemos agora, mas estou totalmente de bem com as pessoas dizendo que o disco 'Superfuzz Big Muff' (1º EP, 1988) é a melhor coisa que já fizemos”.

Mark Arm e Steve Turner são algumas das lendas vivas e pilares da música underground de Seattle desde meados dos anos 80. Antes do MUDHONEY, eles estavam em outra banda se infiltrando na cena punk/metal de Seattle, GREEN RIVER, junto com os futuros membros do MOTHER LOVE BONE e PEARL JAM.

Com o MUDHONEY formado em 1988, completado por Matt Lukin no baixo e Dan Peters na bateria, eles lançaram o single de estreia, a clássica música, “Touch Me I’m Sick”, e o seu 1º EP, "Superfuzz Big Muff". Quando o disco homônimo de estreia foi lançado em 1989, MUDHONEY estava na vanguarda de um movimento que germinava no noroeste do Pacífico.

Brincando com o nome “grunge”, a cena foi rapidamente definida por sua aparência e som. Conforme a onda começou a crescer, MUDHONEY foi rápido em tentar se distanciar da associação "grunge", mas qualquer banda da região era considerada uma banda grunge.

“Obviamente que estávamos muito envolvidos na cena de Seattle e de certa forma eu já estava superando aquela cena de Seattle ainda em 1990”, lembrou Steve Turner. “Algumas bandas estavam começando a soar iguais às outras, com aquele rock pesado e taciturno, mas eu era um verdadeiro e dedicado colecionador de discos de punk rock, sabe? Fui para o Reino Unido uma vez e tudo o que fiz foi comprar singles punk baratos. Estávamos constantemente escutando esses discos e compondo músicas, então, foi assim que eu comecei também".

O álbum "Every Good Boy Deserves Fudge" não surgiu tão rápido ou tão facilmente como a banda esperava. Assim como em suas gravações anteriores, eles começaram a trabalhar com o produtor Jack Endino, que muitas vezes é considerado “o padrinho do grunge” por seu extenso trabalho na cena produzindo bandas como MUDHONEY, SOUNDGARDEN, SCREAMING TREES, SKIN YARD, MELVINS, NIRVANA e várias outras ainda nos anos 80.

“Mas na época, eu não gostei da maneira como esse disco ficou gravado por Jack Endino, que era muito limpo para o que deveríamos ter realmente feito”, falou Turner.

Em vez disso, eles foram para o Egg Studios para trabalhar com outro produtor, Conrad Uno. No início, eles queriam lançar uma série de covers punk (que finalmente planejam lançar como coletânea em algum momento), mas não demorou muito para eles decidirem que Conrad Uno era a pessoa certa para ajudá-los a chegar a este 2º disco.

“Liguei para Conrad uma vez e perguntei sobre querer gravar com ele, foi quando ele me disse com uma risada: ‘Por quê?’” disse Turner, também rindo. “Achei uma boa resposta para ele e fomos lá, gravamos aqueles covers com ele em 01 dia e nos demos muito bem. Conrad é muito educado, engraçado e talentoso, então, quando chegou a hora de gravar este 2º álbum, todos nós sentimos que era certo voltar lá novamente e gravar com ele”.

“O Egg Studios era um ótimo lugar para ir e nos ajudou a mudar a maneira como fazíamos as coisas naquela época”, disse Turner. “É por isso que é um dos meus discos favoritos do MUDHONEY. Era um pouco 'fora da caixa' para aquela época e não soava como qualquer outra coisa parecida em Seattle”.

Mark Arm acrescentou: “Parece um desvio do que estávamos inicialmente fazendo, tipo, nós meio que expandimos o nosso alcance tanto quanto os nossos curtos braços poderiam alcançar”.

Para separá-los completamente da cena, MUDHONEY evitou a fotografia usual da banda com o lendário fotógrafo do grunge, Charles Peterson, e trouxe o ilustrador Ed Fotheringham para fazer um design mais divertido com figuras de palito para criar uma arte.

“Acho que estávamos no final de uma turnê e as nossas guitarras estavam desafinadas”, falou Mark Arm. “Num certo show, eu não conseguia lembrar quais eram as notas e Steve me disse: 'Every good boy deserves fudge!', o que no final das contas acabou ficando uma afinação terrível que nem mesmo o SONIC YOUTH iria usar”.

“Basicamente, foi a nossa ignorância musical que fez surgir este nome”, acrescentou Turner, “e nós pensamos que era engraçado”.

Com o álbum pronto, tudo o que restou foi a Sub Pop lançá-lo para que a banda pudesse sair em turnê. No entanto, havia um porém: o selo estava quebrado e à beira da falência. Além disso, MUDHONEY ainda estava esperando pelo pagamento dos royalties, mas as suas opções eram limitadas.

“Nós realmente não pensamos em fazer mais nada com o álbum na época”, disse Turner. “Não me lembro de haver outra opção... Foi mais frustrante porque tínhamos essa turnê programada, o nosso disco estava atrasado e eles nos deviam algum dinheiro”.

Depois de 01 ano, MUDHONEY se juntou ao clube das novas bandas de Seattle com uma super gravadora e assinou com a Reprise/Warner: “O meu ponto de vista é que deixamos a Sub Pop para tentar salvar a nossa amizade com eles”, acrescentou Turner. “Estava ficando meio feio por causa do dinheiro que estava envolvido".

Lançado em 23 de julho de 1991, apenas 02 meses antes do NIRVANA lançar o revolucionário disco "Nevermind", o álbum do MUDHONEY, "Every Good Boy Deserves Fudge", iria vender respeitáveis mais de 75 mil cópias e ajudando a Sub Pop a sair do vermelho. Chegou até a atingir o Top 40 da parada de álbuns do Reino Unido.


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"Thorn"


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