• by Brunelson

Bad Religion: "como compositor, você tenta estimular várias áreas do cérebro do ouvinte"


O vocalista do BAD RELIGION, Dr. Greg Graffin, foi recentemente entrevistado pela revista Alternative Press e falou dos 40 anos de banda, a composição da nova biografia oficial do seu grupo e outros assuntos.


Em 2020, nenhuma banda seria poupada da ira contra a pandemia e seus diversos resultados. Os ícones do punk rock, BAD RELIGION, não iriam ficar de fora. Na verdade, eles também aproveitaram a oportunidade para avançar sonora e culturalmente falando. Lembrando que a banda reembolsou o dinheiro dos ingressos para os fãs para a turnê cancelada.


Agora em agosto, o autor Jim Ruland lançou a biografia oficial do BAD RELIGION, "Do What You Want", fornecendo uma visão de uma das unidades mais antigas e vitais do punk rock. Além disso, o guitarrista Brett Gurewitz produziu uma versão alternativa da canção "Faith Alone" (5º disco, "Against The Grain", 1990), com um arranjo de cordas que aumenta a pungência da música - mas canções inéditas também estão a caminho!


Membro fundador do BAD RELIGION, Dr. Greg Graffin falou sobre o papel da sua banda em um mundo pandêmico. Aqui está um homem que, há 30 anos atrás, escreveu uma música sobre o grande debate entre a ciência e a fé, que ressoa hoje mais forte do que nunca desde o seu lançamento original. Ele também reflete sobre a biografia e como se sente sobre a humanidade e as próximas eleições. A boa notícia é que ele está otimista - isso provavelmente é porque ele está guardando a raiva desenfreada para a próxima música que escrever.


Só reforçando que o BAD RELIGION possui 17 álbuns de estúdio, sendo que o 1º disco foi lançado em 1982, "How Could Hell Be Any Worse", e o último álbum em 2019, "Age of Unreason".


Confira alguns trechos dessa entrevista:


Jornalista: Você escreveu a canção “Faith Alone” muitas décadas atrás. Hoje é notavelmente presciente.


Greg Graffin: Na minha opinião, esse é o sinal de uma boa música, sabe? Se você puder escrever para alguma experiência humana universal, isso não é apenas o que está acontecendo hoje, mas pode realmente se tornar mais relevante no futuro. Agradeço a observação de que foi escrito há muitos anos.


Uma das melhores coisas sobre o BAD RELIGION é que esta banda sempre nos dá um lugar para escrever sobre assuntos atuais que são atemporais. E claro, sobre a fé também. A tensão entre fé, ciência, razão e irracionalidade é quase universal. Elas são experiências humanas que continuam e continuam. O que resolvermos hoje nos deixará um pouco mais perto desse ápice da iluminação, mas haverá mais obstáculos a superar, tenho certeza.



Jornalista: A nova versão desta música com arranjos de cordas é realmente poderosa. Não é grandiosa no sentido de "açucarada", mas a mensagem ainda está correta: é linda e é triste, mas é um apelo à ação. Esta versão saiu da maneira que você pretendia?


Graffin: Como compositor, você tenta estimular várias áreas do cérebro do ouvinte que vai lhe ouvir. Sempre foquei muito no significado, na expressão e nas qualidades humanas das músicas que escrevo. Como você expressa isso? Como você cria no ouvinte a impressão de que este é um assunto sério?


Acho que é uma das coisas que sempre admirei nos bons cantores. Isso sempre é algo que eles foram capazes de fazer. Faz você perceber que essa é uma música séria. Pode ser uma canção de amor sobre uma emoção pessoal, mas bons cantores fazem você acreditar que vale a pena ouvir. Às vezes, se houver muita orquestração numa canção, o sentimento na música se perde.


“Faith Alone” é apenas um piano e um sentimento. Brett Gurewitz (guitarrista/produtor) pegou a minha versão simplificada e fez a orquestração com um dos seus instrumentistas de cordas favoritos. Ele pensou que iria acentuar as coisas e permaneci com a mente aberta porque não sabia o que faria quando a música terminasse. Neste caso, o arranjo realmente ajuda a acentuar o sentimento na música e não atrapalha em nada.



Jornalista: Definitivamente, transmite a gravidade e o peso disso. Tudo que eu conseguia pensar era no Dr. Anthony Fauci. Parece uma homenagem...


Graffin: Já se passaram 30 anos desde que essa música foi escrita, mas ainda tem o mesmo poder que tinha naquela época. Então, para mim, é uma indicação muito boa de que há algo que vale a pena se agarrar a esse sentimento que você citou.



Jornalista: O título da nova biografia do BAD RELIGION, "Do What You Want", foi tirado do título de uma música do álbum "Suffer" (3º disco, 1988). Estou me perguntando se esse é o lema da banda ou se seria a primeira frase a incluir num "livro de regras do punk rock"?


Graffin: Essa é uma pergunta muito boa. O título obviamente foi tirado não apenas de uma das músicas favoritas da banda para tocar, mas também de uma das favoritas dos fãs. Acho que também é uma das preferidas do autor, Jim Ruland, mas também caracteriza o livro, porque essa história mostra muita persistência.


BAD RELIGION teve muita persistência, sabe? Mas nunca pretendemos restringir as atividades, crenças ou vontade de ninguém de participar da banda. Nunca tivemos um livro de regras. Todos nós realmente apenas fizemos o que queríamos. Brett (guitarrista) foi motivado a dirigir a sua gravadora desde muito jovem na época. Eu estava motivado em obter uma educação acadêmica, tipo, não iríamos cobrar responsabilidade uns dos outros por: "Como isso vai ajudar a banda?"


Jay Bentley (baixista), Greg Hetson (ex-guitarrista) e todos tinham os seus próprios esforços particulares. Brian Baker (guitarrista) ainda está em muitos projetos paralelos até hoje. Se você olhar por essa perspectiva, parece que somos um bando de caras fazendo o que queremos, mas há algo que vem junto quando decidimos fazer música no BAD RELIGION e isso é informado por todas as atividades externas... Eu acho que isso é parte da força da banda.



Jornalista: Você está familiarizado com o livro da banda NOFX, "The Hepatitis Bathtub"?


Graffin: Sim, é bastante popular.



Jornalista: A história diz que nenhum dos membros da banda iria discutir o que estava sendo escrito no livro deles. Se houve algo sórdido, a banda descobriu isso quando o resto do mundo o fez. Para finalizar essa entrevista, BAD RELIGION teve algum tipo de momento que talvez você não estivesse pronto para compartilhar com o mundo em geral?


Graffin: Não havia regras ou regras básicas. O autor do nosso livro, Jim Ruland, fez um ótimo trabalho entrevistando pessoas em todo o mundo. Não sabíamos quais informações ele estava recebendo e não agimos como editores, mas isso não quer dizer que não aprendemos algumas coisas. Acho que esquecemos muitas histórias e então um dos outros caras conta uma história e nós falávamos: "Ah, sim, é verdade, me lembrei, era isso mesmo..."


Jay (baixista) tem essa ótima memória para detalhes da banda e Brett e eu rimos tanto quando descobrimos o motivo pelo qual Jay Ziskrout, o nosso primeiro baterista, deixou a banda. Jay lembrava de pouca coisa e foi corroborado pela história do baterista original! Ele deixou a banda porque um dia nos reunimos para escolher algumas fotos para o álbum e ele não foi avisado daquela reunião. Então, aparentemente, foi por isso que ele saiu da banda e sim, você aprende pequenas coisas assim, mas você sabe, não há nada chocante a contar.


Confira as outras matérias que o site rockinthehead já publicou sobre o BAD RELIGION:


* Bad Religion: um breve review sobre a banda


* Bad Religion: "eu e Eddie Vedder temos uma filosofia de vida parecida"


Segue a performance do BAD RELIGION agora em 2019, da canção "My Sanity" e que foi o single do último álbum de estúdio, "Age of Unreason":

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