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  • by Brunelson

Foo Fighters: resenha do álbum "There is Nothing Left to Lose"


Depois do FOO FIGHTERS alcançar o impulso com o seu 2º álbum de estúdio, "The Colour and The Shape" (1997), Dave Grohl almejou um certo descanso para refletir e baixar a poeira após a saída de 02 guitarristas - Pat Smear e Franz Stahl - voltando para a sua casa na Virgínia para gravar no porão o álbum "There is Nothing Left to Lose" (3º disco, 1999).

Mas como todos nós sabemos, a verdadeira turbulência e que quase iria separar a banda, ainda estaria por vir...

Tendo transcendido a rigidez e cobrança adotada pelo produtor do 2º álbum - além de ter sido gravado num estúdio de ponta em Los Angeles - Dave Grohl estava compreensivelmente otimista com o novo visual power trio do FOO FIGHTERS para gravar esse 3º disco da banda.

Grohl havia dito numa entrevista promocional naquela época: “É hora de gravarmos a nossa versão do 'The White Album' dos BEATLES”.

Na opinião do frontman do FOO FIGHTERS, o plano era simples: o grupo se retiraria para o porão de sua nova casa em Alexandria, Virgínia, longe das distrações de Hollywood e perto de sua antiga escola, onde se reconectaria com o panorama completo da música que acendeu a sua imaginação adolescente.

"Tendo crescido na cena punk rock, fui tão inspirado por tantas pessoas, tantas bandas e tantas experiências diferentes, mas uma das coisas que me recuso a acreditar é a culpa pela qual a maioria das pessoas é torturada por serem daquela cena", Grohl havia dito numa entrevista para a revista Kerrang. "Essa culpa musical impedia algumas daquelas bandas de fazerem outras coisas que poderiam ter feito além do punk rock e hardcore. Eu entendo os limites políticos que a cena punk rock tinha, mas a minha motivação era muito mais musical do que qualquer outra coisa. Eu sempre senti que o FOO FIGHTERS permaneceu fiel a esse ideal, apenas para fazer o que quer que nos satisfaça musicalmente. Se parecer certo e instintivo, devemos fazer isso e nada nos impede de fazê-lo. Porque essa culpa, essa porra de culpa, foi o que também matou Kurt Cobain”.

Porém, os problemas surgiram nos primeiros dias em que os (ainda) 04 músicos se reuniram para ensaiar e criar as novas músicas para o 3º disco.

Especificamente, os problemas estavam com o guitarrista que havia substituído Pat Smear durante a última turnê, Franz Stahl. O guitarrista pode ter sido um herói e mentor de Dave durante o seu tempo na banda SCREAM (a banda pré-NIRVANA de Dave Grohl), mas a sua visão para o novo material que o FOO FIGHTERS estava criando foi um choque.

“Simplesmente não estava 'dando liga'”, observou Dave diplomaticamente no documentário oficial da banda, "Back and Forth" (2011). Quando o baterista Taylor Hawkins e o baixista Nate Mendel expressaram preocupações à situação que estava sendo formada, Grohl tomou a difícil decisão de seguir em frente com as sessões de ensaio como um power trio, dando a notícia de dispensa a Stahl por telefone.

Neste mesmo documentário, Stahl lembrou que ficou “realmente chateado pra caralho”. Na verdade, tão chateado, que ele pegou um avião de sua casa em Austin, Texas, para confrontar os seus colegas de banda na casa de Dave Grohl exigindo uma explicação.

Isto também foi relatado no livro biográfico do FOO FIGHTERS, "Learning to Fly" (do icônico autor Mick Wall), onde Stahl falou: “Eles começaram a me dar a maior carga de besteiras de explicações que eu já ouvi”, disse o guitarrista ainda fervendo. “Eu comecei a chorar e não pude acreditar”.

Levaria mais de 01 década para Franz e Dave curarem a sua amizade - que na época do SCREAM era de irmão mais velho (Stahl) protegendo o seu irmão mais novo (Grohl).



Em meio a esse trauma emocional, a última coisa de que Dave Grohl precisava era de mais agitação.

Portanto, só podemos imaginar a sua angústia quando, tarde da noite e somente alguns dias depois, Nate Mendel telefonou para Grohl dizendo que havia decidido sair da banda.


O grupo de Mendel antes de ser convidado para entrar no FOO FIGHTERS - a banda de Seattle, SUNNY DAY REAL ESTATE - havia consertado os seus próprios relacionamentos tensos, sendo que todos eles (inclusive o 1º baterista do FOO FIGHTERS, William Goldsmith, que também era dessa banda) estavam ansiosos para relançar o grupo após convidarem Nate Mendel a retornar.

Porém, eles só fariam esse retorno com a condição de que o seu baixista se comprometesse totalmente com a banda. “Fui torturado”, admitiu Nate. “Eu tinha uma atração meio irracional por aquele projeto, foi quando telefonei para Dave e...”

“Eu estava muito chateado”, Grohl admitiu nesse mesmo documentário da banda. “Acho que cheguei a falar pra ele: ‘Certo, quer saber, ligue para todos e diga que você desistiu, porque eu vou ficar bêbado...'”

Um Grohl de ressaca acordou na manhã seguinte com um telefonema apologético do seu contrito baixista. Mendel havia se arrependido da decisão e queria ficar na banda.

Com esse último drama posto para dormir, a gravação do 3º álbum do FOO FIGHTERS finalmente poderia começar.

“Foi a sessão de gravação mais relaxada, simples e perfeita que já fiz na minha vida”, insistiu Dave Grohl. “Foi tudo o que você gostaria que fosse um álbum. Era primavera na Virgínia, todas as janelas estavam abertas, havia cerveja, churrasco e gravávamos a noite toda e dormíamos até o meio-dia, ouvíamos o que tínhamos feito na noite anterior e talvez regravaríamos alguma música. Quando eu escuto esse álbum, honestamente acho que é o meu álbum favorito do FOO FIGHTERS... É um álbum tão relaxado, honesto, orgânico, real e foi uma experiência muito boa para todos nós”.

A inspiração para o que se tornou o disco "There is Nothing Left to Lose" veio, em grande parte, não dos álbuns de punk rock selvagem que acenderam o fogo do adolescente Dave Grohl, mas sim dos sucessos alegres das rádios que ele, Nate e Taylor, ouviram pela primeira vez nos aparelhos de som dos seus pais na década de 70.

Foi a música de bandas e artistas como FLEETWOOD MAC, James Taylor, THE EAGLES, Joni Mitchell e SUPERTRAMP. Canções do FOO FIGHTERS como "Learn to Fly", "Ain't it The Life", "Next Year" e a agridoce "Aurora", poderiam ter sido escritas em violões na varanda de alguma chácara na zona rural.

Mas também apresenta momentos de hard rock, grunge e rock alternativo bastante esmagadores para satisfazer o "headbanger" interior de Dave, como as músicas "Stacked Actors" que abre o álbum de forma nodosa (apresentando outro golpe em Courtney Love e a rejeição da vaidade de Hollywood por Grohl), o lado-b "Gimme Stitches" e o hit "Breakout", mas na maior parte, o disco mostrou um lado mais suave e emocionalmente aberto da banda.

Lançado em 02 de novembro de 1999, o álbum estreou no Top 10 da Billboard e no Reino Unido, além de ganhar 02 Grammys.

Antes disso, em 03 de setembro, o mais novo membro da banda havia sido anunciado, o guitarrista Chris Shiflett, permanecendo no grupo até hoje.

Só reforçando que a canção "Aurora" foi a 1ª música que o baterista Taylor Hawkins gravou para o FOO FIGHTERS e ela é uma das 02 músicas preferidas de Hawkins - assim como o guitarrista Pat Smear disse recentemente em entrevista que ele se arrepende de não ter gravado esse disco com a banda, depois que escutou o álbum após seu lançamento. Chris Shiflett também havia dito nessa mesma entrevista com Smear, que ele gostaria muito de ter sido chamado para a banda alguns meses antes, para ter a oportunidade de participar da gravação desse disco, pois ele também adorou o álbum.

Também foi revelado em entrevistas mais recentes, que Dave Grohl gravou a maioria da bateria dessas músicas que foram lançadas no disco "There is Nothing Left to Lose".

Na véspera do novo milênio, FOO FIGHTERS estava pronto para subir aos céus mais uma vez e quem poderia ter previsto que os seus anos mais desafiadores e turbulentos ainda estavam no horizonte quando iriam gravar o 4º álbum em 2002?


Track-list:


1. Stacked Actors

2. Breakout

3. Learn to Fly

4. Gimme Stitches

5. Generator

6. Aurora

7. Live in Skin

8. Next Year

9. Headwires

10. Ain't it The Life

11. M.I.A.




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