Ramones: confira a resenha do 1º álbum da banda que está no livrinho que acompanha o disco.

October 12, 2016

Em 1976, a banda da cidade de New York que criou o punk rock, RAMONES, lançava o seu 1º álbum de estúdio, “Ramones”.

 

Eis que no ano de 2001 este álbum havia sido relançado com vários bônus, incluindo músicas que haviam ficado de fora desse disco, assim como as gravações do que foi a 1ª fita demo da banda gravada antes deles terem gravado este 1º álbum de estúdio.

 

E no encarte do livrinho que acompanha esse disco consta uma bela resenha sobre a história deste álbum, assim como a dissecação das músicas que esse disco nos apresenta. Esta resenha foi escrita por uma socióloga americana muito conhecida nos EUA que se chama Donna Gaines e que começa assim:

 

 

Em meados dos anos 70, que foi a idade das trevas que precederam os RAMONES, os fãs de música foram excluídos e reduzidos ao papel de passivos espectadores. O rock'n roll tinha se tornado um trabalho alienado (era o rock sem o roll) independente das suas raízes. Foram-se os sons da angústia juvenil, da exuberância, da sexualidade e do desgoverno. Com o espírito do rock'n roll abatido, o glorioso legado entregue a nós pelo rockabilly de CHUCK BERRY, pela surf music do BEACH BOYS e pela invasão britânica dos anos 60, haviam se perdido. Se você fosse um garoto americano de classe média relaxando no seu quarto tocando a sua guitarra na esperança de começar uma banda, como você poderia competir desse jeito? Solos de guitarra mirabolantes e virtuosos com equipamentos e espetáculos de palco tão caros que beiravam os milhões de dólares. Tudo isso parecia fora de alcance. As ondas sonoras eram governadas pelos antigos e excêntricos dinossauros das antigas, pois a rádio rock'n roll estava morta e o tédio havia herdado o planeta Terra.

 

É por isso que o 1º álbum de estúdio dos RAMONES lançado em 1976 e que se chama “Ramones”, foi um tiro no ouvido em todas as pessoas ao redor do planeta. A marcante frase "Hey Ho, Let’s go!" tornou-se um canto de guerra que se espalhou desde as entranhas de New York, se tornando em uma missão de resgate que se estendeu para a Califórnia, Reino Unido, Ásia, América Latina e Europa, inspirando mais de 10.000 mil novas bandas ao longo do caminho. Gerando bandas desde o SEX PISTOLS até o SLEATER KINNEY, os nativos do bairro Forest Hills incitaram uma zombeteira revolução cultural.

 

Pobres, de qualidade mediana e puros, os RAMONES marcaram o início de uma nova e gloriosa era. Os críticos chamaram isso de “punk rock”, que foram as bandas que vieram depois daquelas bandas de garagem que surgiram na metade dos anos 60 em diante, como por exemplo: T. REX, VELVET UNDERGROUND e o NEW YORK DOLLS. Depois, estas mesmas bandas foram reclassificadas como "pré-punk".

 

Eram novas imagens, sons, códigos de vestimenta, arte, atitudes e relações do gênero que até as meninas poderiam seguir e fazê-los também! Uma nação alienígena de desajustados, cretinos e de marginalizados haviam encontrado um lar..., haviam encontrado uma família. Naquele tempo, os fãs na plateia que estavam assistindo a um show dos RAMONES, depois foram os mesmos que montaram bandas para tocar neste mesmo palco, logo no dia de amanhã. A autenticidade substituindo o domínio virtuoso era o princípio central da musicalidade punk.

 

Ao longo dos anos, os RAMONES nos deram muitos hinos brilhantes para que pudéssemos pendurar os nossos sonhos adiante. Com a 1ª música do seu 1º álbum de estúdio, a canção "Blitzkrieg Bop" destaca-se como uma declaração de independência, o “Manifesto Supremo” do punk. A música começou como uma resposta dos RAMONES para uma outra banda daquela época chamada BAY CITY ROLLERS, que eram os seus “rivais” e que também cobiçavam um lugar na capa da revista de rock, 16 Magazine, de New York. "Nós pensávamos que éramos uma banda ‘chiclete’ como qualquer outra..., porque não houve nenhum ou qualquer movimento punk na época em que começamos", disse o vocalista da banda, Joey Ramone. "Os espaços para os shows foram severamente limitados. Não havia nenhuma cena em qualquer que fosse o clube".

 

Existia uma casa de shows em New York chamada Max Kansas City, que era um local reservado para cantores que vestiam roupas de turistas como BRUCE SPRINGSTEEN ou BOB MARLEY, sendo que para as bandas desconhecidas a maioria dos bares e clubes de New York queriam bandas cover no seu palco. Mas as maiores inovações muitas vezes acontecem por acaso, assim como o guitarrista da banda, Johnny Ramone, explicou: "nós tentamos tocar músicas de outras bandas nos nossos primeiros ensaios, mas logo vimos que isso não era possível de acontecer porque nós tínhamos acabado de aprender a tocar os nossos instrumentos e por causa disso decidimos escrever a nossa própria música".

 

No início, Tommy Ramone, baterista da banda, dizia: "nós só queríamos um lugar qualquer para ficar tocando, sabe? Algo como a banda BAY CITY ROLLERS tinha em todo sábado à noite, por exemplo”. Pessoas malignas e descontentes estavam repelidas pelo legado de paz e amor dos anos 60, enquanto que os RAMONES estavam comprometidos para entrar no Top 40 com um vinil de 07 polegadas e somente com menos de 03 minutos de música para o seu 1º single. Esta estética minimalista foi expressada com lógica pelo baixista da banda, Dee Dee Ramone: "eu acho que o punk rock deve ser uma música com 03 palavras e um refrão somente, sendo que estas 03 palavras devem ser boas o suficiente para dizer tudo".

 

Dee Dee veio com o título do 1º single da banda, a música "Blitzkrieg Bop", e Tommy escreveu as letras. Tommy explicou: "é um ode ao fã do rock'n roll. Trata de se ter um bom momento em um show de uma banda, onde fala da emoção de ver a sua banda favorita e sobre os fãs e as bandas em geral... É uma carta de amor para os fãs".

 

Joey declarou: "'Hey Ho, Let’s Go!’ era o grito de guerra que soou como uma revolução, uma chamada às armas para que os punks fizessem as suas próprias coisas. Os nossos fãs desempenharam um papel importante nessa coisa toda".

 

Os RAMONES permaneceram acessíveis e ainda como locais em New York mesmo depois de 20 anos de banda, mais de 20 álbuns lançados (dentre discos de estúdio, coletâneas e ao vivo) e mais de 2.250 mil shows realizados. "Isso é apenas a maneira que nós somos", disse Joey. "Lembro-me de cumprimentar certos artistas musicais que eu admirava na época e quando os conheciam pessoalmente, eu notava a realidade de que eles eram pessoas desagradáveis e arrogantes... Não era assim que eu queria ser, sabe?". E eles nunca foram...

 

Como todos sabemos, os RAMONES originais cresceram como vizinhos de uma classe média no bairro de New York, Forest Hills, no distrito do Queens, em um condomínio de apartamentos. Johnny e Dee Dee foram os seus próprios fãs (eram pessoas conhecidas no bairro, sendo jovens suburbanos frustrados que jogavam stickball - tipo um baseball de rua - trabalhavam em “bicos” e eram voluntários para trabalharem em shows no local chamado Flushing Meadow Park). Nos primeiros dias, esses excluídos da sociedade ficavam sentados em telhados dos prédios matando tempo, já estando cansados de ficarem à procura de emoções baratas.

 

Uma outra música desse álbum, "Now I Wanna Sniff Some Glue", foi um ode expressivo ao Dee Dee, um garoto que usava os becos das ruas para usufruir do prazer de cheirar cola. "Nós realmente só escrevíamos sobre as nossas frustrações de adolescente", afirmou Joey. Rápido como uma viagem de cola, o tempo de 01 minuto e 36 segundos tornou esta música na canção mais curta do álbum.

 

Depois, há a atitude “punk de rua” não adulterada da música "Loudmouth". Johnny disse: "nós não poderíamos escrever sobre garotas ou carros, então nós escrevíamos canções sobre as coisas que nós conhecíamos". Como a maioria das crianças encalhadas do lado errado das pontes e túneis de New York, eles logo aprenderam que o paraíso era apenas um passeio de trem. Então, eles pularam no metrô para Manhattan e batizaram os clubes e bares em torno do bairro Greenwich Village (eram eles o Kenny’s Castaways e o Mercer Arts Center, para citar alguns exemplos). A lenda diz que, quando Johnny viu pela 1ª vez a banda NEW YORK DOLLS tocar na sua frente, ele deu uma olhada para o lado e declarou: "hey, eu posso fazer isso também!" O resto é história cultural dos EUA.

 

Em Março/1974, a banda recém-formada estava ancorada no Performance Studio, que era um espaço de ensaio e gravação que ficava em um sótão com sede em Manhattan, de propriedade do próprio Tommy Ramone. Para o seu 1º show (que foi no mesmo Performance Studio) eles entregaram folhetos principalmente para os seus amigos, cobrando U$ 2,00 dólares de entrada. Eles pegaram os seus novos sobrenomes do apelido que PAUL McCARTNEY havia dado a si próprio (ele se autonomeava como Paul Ramon quando se hospedava em hotéis), desde os dias em que os BEATLES ainda se chamavam SILVER BEATLES. Em Agosto/1974, os RAMONES reservaram alguns shows no CBGB, um antigo bar country-bluegrass que se localizava no bairro Bowery, New York, onde bandas como o TELEVISION e o TALKING HEADS também “cortaram os seus dentes” pela 1ª vez. No entanto, os RAMONES eram diferentes...

 

Enquanto que o TALKING HEADS eram crianças entrando na faculdade e o TELEVISION era um grupo artístico, os RAMONES eram frenéticos, duros, crus, viscerais e uma coisa sem forma. A música era simples, mas o conceito era complexo. Você tinha que ser uma pessoa sofisticada para perceber que eles não eram tolos..., mas se você levava a banda muito a sério, você iria preferir ter perdido esse encontro com os RAMONES.

 

Em 1975, os RAMONES estavam vendendo 03 shows por semana e ficando com uma imagem decente para a imprensa da época, com resenhas no jornal de New York, Soho Weekly News, na revista Rolling Stone e na revista musical inglesa chamada Melody Maker. Em torno deste tempo, a banda agendou para produzir uma fita demo de 15 músicas que foi gravada em 08 horas. Eles enviaram esta fita demo para as diversas gravadoras e selos musicais, mas ninguém queria dançar a música dos RAMONES...

 

Conseguir um reconhecimento era impossível na época, sendo que Joey admitiu: "foi muito radical na época, muito radical". Esta fita demo incluiu as gravações básicas e as mixagens iniciais para a maioria das canções que apareceram depois no 1º álbum de estúdio da banda. A gravadora Rhino Records incluiu algumas dessas versões demo aqui no relançamento deste álbum como músicas bônus, junto com mais 02 canções produzidas por Marty Thau (que havia sido o ex-empresário do NEW YORK DOLLS).

 

As 02 músicas produzidas por Marty sublinhavam as influências dos RAMONES (mas aqui de uma forma mais pesada) das bandas dos anos 60, como por exemplo, um BEACH BOYS inchado com uma poderosa obra de baixo de Dee Dee. Estas 02 demos eram as músicas, "Judy is a Punk" e "I Wanna Be Your Boyfriend", ou seja, a invasão britânica estava trespassando com vingança! Marty estranhamente adicionou um piano na música "Judy is a Punk" e a sua marca na canção "I Wanna Be Your Boyfriend" se tornou doce e melódica, quase orquestral.

 

Enquanto isso, as outras músicas autoproduzidas pela banda a partir daquela demo inicial gravada em 1975, soavam mais pesadas do que estas 02 canções, porque elas adicionavam uma borda fatalista com o menor indício de músicas comerciais. Na música "I Don’t Care", a modulação de voz para o sotaque britânico de cantar de Joey elevou a sua fala, no bom sentido, de uma forma francamente exagerada.

 

Johnny depois sentiu que esta fita demo era realmente e soava melhor do que o 1º álbum da banda, embora Tommy tenha observado: "nós éramos rejeitados em todos os lugares naquela época". Os fãs certamente irão valorizar estas versões demos que foram lançadas aqui no relançamento deste álbum, que foram as primeiras ofertas que os RAMONES literalmente gravaram incluindo uma enérgica, mas fiel versão da música "Blitzkrieg Bop", a qual havia sido lançada como single na Inglaterra para coincidir com uma enorme matéria de capa dos RAMONES na revista Punk Magazine, de New York também.

 

Uma outra gravadora, Sire Records, inicialmente ofereceu aos RAMONES um único contrato de gravação para a música trágica-adolescente, "You’re Gonna Kill That Girl", mas a banda decidiu deixar esta música de fora do seu 1º álbum. Na primeira instância, o rótulo de “punks” faziam as pessoas terem um certo temor pela banda o que não lhes davam o direito de serem aceitos por alguma gravadora, além deles serem pessoas muito estranhas e esquisitas para serem aceitos em alguma turnê também. 

 

Mas o produtor Marty Thau, em contato com Craig Leon (que era o homem de relações públicas da Sire Records), lhe mostrou aquelas gravações demo que os RAMONES haviam produzido. Craig Leon amou logo de cara aquelas músicas e os RAMONES começaram de vez com o seu negócio. No dia em que foi assinado o contrato dos RAMONES com a Sire Records, a banda BLONDIE abriu um show para eles no CBGB. Johnny afirmou que, de todas as bandas que tocavam no CBGB, o HEARTBREAKERS (que era a banda do ex-guitarrista do NEW YORK DOLLS, Johnny Thunders) era: "a única banda que realmente víamos como um concorrente nosso".

 

Os RAMONES começaram a gravar o seu 1º álbum de estúdio no início de 1976. Eles levaram somente 17 dias para estabelecer 14 músicas num total de 28 minutos e 52 segundos de pura energia bruta. O álbum custou cerca de U$ 6.400 mil dólares para produzir e foi gravado no Plaza Sound Studio, localizado no Radio City Music Hall. As primeiras 13 músicas deste álbum foram gravadas de forma cronológica tendo como base a sequência vagamente baseada no setlist de shows no CBGB. Johnny lembrou: "nós colocamos para fora as músicas básicas em 02 dias sem gravações adicionais sobre os vocais. Nós passamos por 04 ou 05 canções em uma tomada somente, tudo ao vivo". Sem besteira e sem nenhuma política..., era apenas rock'n roll.

 

Johnny usou uma guitarra da marca Mosrite com somente 01 único captador “enrolado” nela, o qual ele havia pago cerca de U$ 50,00 dólares na loja de guitarras do seu velho amigo chamado Manny. Este modelo mais barato da guitarra soou melhor e foi mais acessível para a sonoridade punk dos RAMONES que todos nós conhecemos (detalhe, Johnny nunca se preocupou em obter um case para a sua guitarra, sendo que nos primeiros anos de banda ele levava a sua guitarra dentro de sacos de compras de supermercados, seja ele andando em metrôs, indo para os shows, indo para as sessões de gravação ou ensaios). Tocando guitarra com um jogo de pulso de grande ferocidade, Johnny, figuramente falando, espirrou sangue por todo o seu pescoço até a sua guitarra ficar totalmente vermelha. 

 

Dee Dee usou um baixo da marca Dan Electro Longhorn e um Mustang para as gravações ao vivo deste álbum, gerando o que Tommy descreveu como: "um som rasgado, rugido e gorducho através de fluídas linhas de baixo". Dee Dee e Johnny nunca sorriam, eles ficavam tocando no palco com as suas pernas afastadas, estóicos e com olhares psicóticos somente para os seus instrumentos (o rock'n roll era um negócio sério para eles).

 

Dee Dee era o vocalista original da banda, mas a sua voz foi retalhada depois de algumas músicas. Então, Joey assumiu os vocais deixando de lado os seus deveres que ele estava levando na bateria. Joey implantou um fraseado excêntrico para o seu canto que foi uma coisa totalmente única, que seria uma mistura do seu dialeto regional de Forest Hills com a sua modulação de voz para o sotaque bastardo britânico de cantar. A sua entrega “grampeada” de misturar os seus sotaques fazia você se perguntar nervosamente se Joey estava cantando sério ou se ele apenas estava querendo lograr as pessoas. Ele cantou com a mesma intensidade retorcida que também dilacerava o pulso de Johnny, com a mesma ferocidade que estourou as cabeças daquelas pessoas que estavam, como por exemplo, no estúdio Sterling Sound, quando o 1º álbum dos RAMONES estava sendo masterizado pelo produtor musical, Greg Calbi. Cada música era uma missão kamikaze, uma proposta de “faça-ou-morra”. Os RAMONES nunca deixaram de se entregar...

 

Uma vez, Joey começando a cantar, os RAMONES precisavam de um baterista. Mas após a audição de centenas de candidatos que só queriam fazer imitações do LED ZEPPELIN, a banda estava farta. Tommy passou horas tentando mostrar aos candidatos o blues baseado no rockabilly como a forma ideal de tocar bateria nos RAMONES - coisa que nenhum dos candidatos conseguiam fazer..., somente Tommy. Finalmente, a banda apenas decidiu que Tommy deveria assumir a bateria e assim ele o fez, utilizando um kit de bateria da marca Rogers para a gravação deste álbum.

 

Em retrospecto, Tommy descreve o 1º álbum dos RAMONES como: "mais conceitual..., como um filme ou uma arte subterrânea crua e inovadora". Ele explica: "o 1º álbum foi uma declaração de crueza, no mínimo surpreendente e original". Produzido por Craig Leon, com Tommy sendo também o empresário da banda, o 1º álbum de estúdio dos RAMONES foi revolucionário na forma como ele havia sido gravado. Assim como Joey explicou: "guitarra e bateria em 01 canal e o baixo e os vocais em outro canal, deu ao álbum um efeito sonoro no estilo ping-pong de ser”, que nada mais foi do que um retrocesso para o que os BEATLES fizeram no início de carreira também.

 

A 1ª música criada pelos RAMONES se chama "I Don’t Wanna Get Involved With You". Joey explicou: "esta música foi tocada ao vivo pela 1ª vez no CBGB em 1975, mas ela nunca foi gravada em estúdio ou em alguma versão ao vivo. Esta canção era na verdade uma agressão desacorrentada...". Em seguida, veio a música, "I Don’t Wanna Walk Around With You", que Joey descreve como: "uma verdadeira delícia de canção, bem no estilo da banda STOOGES". Joey também escreveu a letra da música "Beat on The Brat", acrescentando à canção uma série de “Oh, Yeahs” na sua letra, sendo possível imaginar um grupo de meninas fazendo os back-vocais. "Eu estava morando em Forest Hills caminhando ao redor do bairro", Joey explicou, "irritado com todas essas senhoras ricas que andavam com os seus filhos malcriados".

 

Joey também escreveu a letra da música "Judy is a Punk", que retrata sobre 02 fãs malucos dos RAMONES que se chamavam Judy e Jackie. Eles eram 02 jovens punks locais e delinquentes que sempre estavam se metendo em problemas. Mais tarde, eles acabaram morrendo em um acidente de avião fazendo com que a letra desta canção, onde Joey canta "talvez eles irão morrer", se tornasse em algo assustadoramente profética. 

 

Em um tipo semelhantemente sinistro, a música de Dee Dee, "53rd & 3rd", é o retrato de uma popular assombração da cidade de New York, onde o nome dessa canção se refere a um ponto quente urbano para a prostituição adolescente. A canção é uma mistura brilhante do sabor local de uma área urbana imoral com o humor e o desespero juvenil. Ou seja, é o RAMONES por excelência. 

 

Enquanto isso, a música de Tommy, "I Wanna Be Your Boyfriend”, é ao mesmo tempo romântica e idiota (no bom sentido). O pretendente da história dessa letra é sobre um rapaz tímido, mas que mesmo assim ele sabe quais são as palavras certas que as meninas desejam ouvir. Joey sorri, percebendo: "as meninas sempre gostam de caras como esse".

 

As letras das músicas dos RAMONES refletem a obsessão da banda pela cultura popular em geral e pela cultura americana. Johnny e Dee Dee eram fanáticos por filmes de guerra e toda a banda amava a televisão, a cultura do surf, histórias em quadrinhos e desenhos animados. Nós (fãs) também crescemos com essas coisas em nossas vidas e as músicas dos RAMONES se tornavam sagradas. Joey escreveu a música "Chain Saw", depois de ver o filme “O Massacre da Serra Elétrica”, obtendo a ótima ideia de rimar a palavra “massacreeeeeee” com a palavra “me”. 

 

Da mesma forma, a música de Johnny, "I Don’t Wanna Go Down to The Basement", é um ode aos filmes B de terror (sendo a canção mais longa deste álbum com 02 minutos e 38 segundos de duração).

 

Os RAMONES sempre amaram e sempre procuraram dar ao passado do rock'n roll o seu devido valor com uma boa cobertura. A versão cover deles da canção "Let's Dance", do cantor CHRIS MONTEZ (1962), é reforçada pela sonoridade do órgão de tubos da marca Wurlitzer de propriedade do próprio Radio City Music Hall.

 

O álbum “Ramones” original termina com a música "Today Your Love Tomorrow The World”, com Johnny dizendo: “é sobre um imaginário nazista servindo fins estéticos. Esta música apenas soava boa..., não era nenhuma coisa política, sabe?". Mesmo assim, a gravadora fez a banda mudar as letras desta canção. O flerte “falar atrevidamente” com o fascismo que os RAMONES praticavam em algumas músicas, fez alguns críticos musicais da época ficarem nervosos. No entanto, a canção reafirma o compromisso firme da banda para com a sua música e para com o seu público. Para Joey: "é sobre os fãs e nós. Nós estamos cantando sobre a unidade entre bandas e fãs".

 

E assim, o 1º álbum de estúdio dos RAMONES termina com a promessa de querer lutar pela pátria do rock fortalecidos pelo amor dos fãs. Ao longo dos anos, quando os fãs assistiam aos RAMONES tocando, nós sempre soubemos que a banda fazia isso por nós. Eles nunca vacilaram..., e eles nunca traíram a nossa fé.

 

E a sua influência tem sido de longo alcance! Com o seu visual despojado de garotos de rua, combinado com a agressão crua de um rock tocado muito rápido com letras também regadas no humor negro, os RAMONES informaram e deram base aos novos e incondicionais gêneros musicais que surgiram depois deles, como a “new wave”, o “speed metal” e o “trash metal”. Eles inspiraram também o “grunge”, o movimento social das meninas de Seattle e região que criaram o fanzine chamado “riot grrrl” no começo dos anos 90, assim como o hardcore e os seus filhotes que foram gerados criando uma centena de novos gêneros musicais e tudo mais além.

 

No decorrer dos anos, das ruas do Vietnã até a Berlim Oriental, você poderia ver crianças vestidas em jaquetas da Harley de couro preta, calças jeans rasgadas na altura dos joelhos e tênis e camisetas incorporando o espírito de comando do “faça por conta própria”. Há 25 anos atrás, os RAMONES haviam sido lançados pela 1ª vez no mercado, sendo que ainda “as crianças estão se acumulando no banco de trás, gerando vapor de calor, todos acelerando e prontos para ir” (este é um trecho da música “Blitzkrieg Bop” que a autora usou aqui no texto também).

 

por: Donna Gaines (socióloga, jornalista e assistente social dos EUA).

 

ps: esta resenha é dedicada a todos os Ramones do passado e presente, as suas famílias, amigos e acima de tudo, para os seus fãs!

 

Foto original que veio a ser a capa do 1º álbum de estúdio dos RAMONES.

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