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  • by Brunelson

Ramones: quando o guitarrista Johnny Ramone quase foi morto numa briga de rua


A história do punk rock está repleta de vômitos, cuspe e manchas de sangue seco.

A própria natureza visceral do gênero não apenas acumulou tal excreção corporal, mas muito bem o encorajou. Era uma faceta do estilo e a maneira revolucionária de pensar, que cativaria uma geração de adolescentes dominados pela angústia a adotar tudo o que a subcultura tinha a oferecer.

Então, faz sentido que grande parte da história do punk rock seja carimbada infelizmente com brigas estranhas ou confrontos feios de se ver.

Um desses momentos aconteceu na madrugada de um show dos RAMONES. Embora os seus contemporâneos das outras bandas possam apresentar histórias mais marcantes de todos os tempos, o guitarrista dos RAMONES, Johnny Ramone, quase acabou precocemente num caixão, depois que uma briga de rua o deixou à beira da morte.

Sempre houve um certo grau de tensão nos RAMONES...


Enquanto o baixista Dee Dee Ramone era uma equipe de demolição de um homem só, o resto do grupo oferecia uma variedade igualmente desorientadora de personalidades desajeitadas, e eles provavelmente teriam fracassado como uma banda sem as palavras severas e o punho de ferro de Johnny Ramone.


Sendo o mais velho da banda, Johnny era um conhecido republicano e um autoritário implacável, considerando a sua posição como um dos fundadores do punk rock. Ele exerceria o seu domínio sobre a maior parte do grupo, mais especialmente sobre o vocalista Joey Ramone.

Um frontman notavelmente tímido, Joey e Johnny passaram a maior parte do tempo na banda em lados opostos de todos os espectros que podiam: musical, político e romântico. Isso culminaria com Johnny "roubando" a namorada de Joey, Linda, que se tornaria a esposa de Johnny e seria o tema da música dos RAMONES, "The KKK Took My Baby Away" (6º disco, "Pleasant Dreams", 1981).

No entanto, quando Johnny fraturou o crânio em 1983 e quase foi morto após uma briga por causa de uma mulher, nem Joey nem Linda estavam envolvidos.

Em 1983, os RAMONES estavam em turnê com o seu novo álbum na época, "Subterranean Jungle" (7º disco, 1983), quando fizeram um show em sua cidade natal, New York, no bairro do Queens.


Como sempre, o grupo chegou bem tarde e deixou o local ainda mais tarde, com Johnny Ramone voltando para o seu apartamento em Manhattan nas primeiras horas da manhã.


Aproximando-se de sua porta, ele notaria uma pessoa que havia sido a sua namorada no passado e de longa data - embora eles “não estivessem juntos” naquele momento. Essa mulher depois se tornaria na autora do livro, "Too Tough to Love: My Life with Johnny Ramone", Cynthia Whitney.


Ela estava sentada no chão nos degraus de uma varanda em frente ao seu apartamento "toda bombardeada de agressões físicas" junto com um jovem punk chamado Seth Macklin.

Macklin era o vocalista do grupo punk, SUB-ZERO, e tinha, até onde Johnny sabia, um relacionamento exclusivo com Whitney.


No boletim de ocorrência da polícia, Johnny disse que se sentiu preocupado com o estado de Whitney e a chamou para entrar em seu apartamento para protegê-la de Macklin. Naturalmente, o vocalista do SUB-ZERO ficou irritado com essa sugestão e uma briga começou quase instantaneamente. Enquanto Macklin afirmou à polícia que Johnny foi a primeira pessoa a atacar, supostamente balançando a bolsa de Whitney pra cima dele, o fato de que Johnny passou os próximos dias no hospital com o crânio fraturado entre a vida e a morte, provavelmente sugere o contrário.

Macklin, com 22 anos de idade, disse que bateu em Johnny "duas ou três vezes", mas apenas em legítima defesa, antes que o conhecido guitarrista dos RAMONES caísse no chão, batendo a cabeça na porta de um carro e depois batendo a cabeça no chão de concreto da calçada.

Johnny afirmou uma vez em entrevista ao jornal The New York Times, que foi nesse ponto que Macklin chutou a sua cabeça, deixando-o inconsciente e fraturando o seu crânio.

O guitarrista raramente falava sobre este incidente nas suas entrevistas, exceto em passagens biográficas, como de forma bombástica ele deixou escrito no seu livro chamado "Commando": “Fiquei com muita raiva e queria que Macklin fosse morto. Comecei a fantasiar em adquirir um revólver, tipo, fazer que nem o ator Charles Bronson em seus filmes. Porém, na vida real eu nunca tive uma arma... Era apenas uma fantasia e eu não era nenhum Charles Bronson".


Nada justifica tal atitude fantasiosa do guitarrista dos RAMONES e depois de um tempo internado no hospital - que até foi notícia no jornal local (foto) - Johnny melhoraria a sua saúde e voltaria à caravana dos RAMONES, onde iriam percorrer toda a década de 80 para que no final da mesma, concretizassem a árdua busca do seu merecido sucesso ao mainstream.

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