• by Brunelson

Jerry Cantrell: "se a minha música lhe trazer uma resposta ou sentimento, eu fiz o meu trabalho"


O guitarrista e compositor desde sempre do ALICE IN CHAINS, Jerry Cantrell, foi entrevistado pela Revolver Magazine e em divulgação ao seu novo disco solo, ele também falou sobre o clássico álbum "Dirt" de sua banda (3º trabalho de estúdio, 1992), a explosão do grunge, influências musicais, o significado de suas letras e muito mais... Seguem alguns trechos dessa entrevista: Jornalista: Qual a música que lhe inspirou primeiro na infância? Jerry Cantrell: Eu nasci nos anos 70 e era uma criança nos anos 70. Elton John era maior do que a vida, sabe? Naquela época, era ele, o KISS, AC/DC e FLEETWOOD MAC. Somos todos uma coleção de tudo o que derramamos em nossos ouvidos e sai pela ponta dos dedos, e é legal fazer parte deste ciclo.

Jornalista: Qual o momento em sua vida que percebeu que queria tocar música? Cantrell: Eu me lembro de ser uma criança e como a música era mágica para mim e a conexão que fazia com os artistas. Eu simplesmente me apaixonei por isso e achava muito legal, tipo: "Você pode escrever músicas e tocá-las para as pessoas e ainda assim é um trabalho! Sério, mesmo?" Foi quando resolvi fazer isso.

Jornalista: Qual a música que você estava curtindo pouco antes da explosão do grunge em Seattle? Cantrell: Fizemos parte de uma onda mundial muito maior de coisas que começou a acontecer no final dos anos 80. Havia muitas bandas que eram legais pra caralho, como JANE'S ADDICTION, MINISTRY, DEPECHE MODE, BAUHAUS, RED HOT CHILI PEPPERS, METALLICA e muitos outros grupos realmente bons que começaram a se infiltrar no meio... Você podia sentir que uma mudança estava no horizonte.

Jornalista: Qual o sentimento em Seattle quando bandas como o ALICE IN CHAINS, NIRVANA e SOUNDGARDEN chegaram ao mainstream? Cantrell: Foi algum tipo de movimento, mas não foi realmente planejado. Simplesmente aconteceu e você sabia que era real. Você sabia que fazia parte dele e todos nós tínhamos as nossas pequenas gangues: a gangue SOUNDGARDEN, a MOTHER LOVE BONE, a ALICE IN CHAINS e todos nós nos dávamos muito bem. Há um pouco mais de orgulho nisso porque aconteceu em nossa cidade.

Jornalista: Fale sobre o marco que foi o álbum multiplatinado "Dirt" do ALICE IN CHAINS? Cantrell: Todos nós saímos daquele álbum pensando que fizemos o melhor disco que podíamos fazer. Sempre fizemos assim na maioria das vezes e estávamos nos divertindo, fazendo o que sempre queríamos fazer, conseguimos a porra de um contrato de gravação, estávamos gravando discos, em turnê, abrindo os shows para os nossos heróis da infância e coisas assim. Foi do caralho e tivemos um grande sucesso inicial.

Jornalista: Como é ser um artista introvertido tocando para grandes multidões? Cantrell: A maioria dos artistas são pessoas realmente introvertidas e eles sobem ao palco e olham para 20 mil pessoas... É uma dicotomia estranha, mas há algo realmente triunfante nisso. Não existe nada parecido com este sentimento, cara, e isso acontece toda vez que subo ao palco.

Jornalista: Quando você resolve entregar um grande solo de guitarra em uma nova música? Cantrell: Muitas coisas não precisam de um grande solo. Eu estou sempre mais interessado na música e solos pra mim, de certa maneira, sempre foram como uma parte vocal do processo.

Jornalista: Como é ainda estar gravando discos com décadas de experiência? Cantrell: É uma mistura de confiança e a experiência do que você fez. Também existe esta incerteza e esse é o perigo do rock and roll. É o perigo de um desastre de trem ou de carro que pode acontecer a qualquer momento.

Jornalista: Por que a preferência de compor primeiro no violão, antes de passar para a guitarra? Cantrell: Para a estrutura da música, tocar acusticamente é um bom indicador se você tem uma boa ideia ou não. Fizemos algumas turnês com sessões acústicas do jeito que foi o acústico da MTV em 1996, onde você não pode se esconder e realmente revela a estrutura de uma música. Se funcionar nesse nível, vai funcionar em escala maior.

Cantrell: O violão tem uma textura ótima. É percussivo e me lembro de ouvir algumas entrevistas com Keith Richards sobre como o acústico é importante por baixo da guitarra rock no ROLLING STONES. Para muitas das músicas que eu cresci ouvindo, foi a verdadeira espinha dorsal do negócio.

Jornalista: Qual o significado das suas letras? Cantrell: Eu sempre luto para explicar algo depois do fato... Quero dizer, eu coloco melhor nas letras e na música. Eu adoro escrever, adoro filmes, livros, arte... Às vezes você não sabe o que está acontecendo, mas é onde você faz a sua conexão pessoal com isso. Jornalista: Para finalizar, fale sobre a importância de passar o seu tempo escrevendo palavras para as suas canções... Cantrell: Essa é a parte que me leva mais tempo, a parte lírica. Você pode estragar uma melodia realmente boa não combinando a intensidade e a emoção da letra com a música. Você quer que a letra acompanhe aquela música... Cantrell: E eu sou muito persistente em ficar nisso até conseguir algo. Na maioria das vezes estou bastante satisfeito com isso e deixo aberto o suficiente para ser interpretado, deixando algumas coisas em aberto para serem questionadas e se você evocar uma resposta, se fizer você pensar ou se fizer você sentir, então, eu fiz o meu trabalho.

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