• by Brunelson

Alice in Chains: guia para iniciantes; 06 músicas definitivas da banda


Se alguém fosse ouvir o ALICE IN CHAINS em seu famoso local de ensaio por volta de 1985/86, chamado Music Bank, seria difícil prever que se tornaria num dos pioneiros da música grunge, com o seu som na época sendo influenciado por bandas como VAN HALEN e outros afins - um contraste significativo do rock alternativo que iria surgir.


No momento em que o ALICE IN CHAINS lançou o seu álbum de estreia em 1990, "Facelift", eles desenvolveram o seu som de forma mais pesada.

Nesta época, o atormentado vocalista com a voz de um anjo, Layne Staley, disse que eles eram apenas uma banda de “blues mais pesado”. Os principais compositores do grupo sempre foram Staley (com algumas letras) e o guitarrista Jerry Cantrell (músicas e maioria das letras), o qual também apareceu fazendo belos duetos vocais com Staley.

ALICE IN CHAINS foi abençoado com a capacidade primitiva de escrever canções incrivelmente cativantes com refrões elevados. Eles se encaixam em algum lugar entre o heavy metal e o hard rock, contendo os melhores elementos de ambos os gêneros.

Em 1991, ALICE IN CHAINS embarcou na turnê Clash of The Titans, durante a qual eles abriram para os co-headliners, ANTHRAX, SLAYER e MEGADETH. Embora o ALICE IN CHAINS fosse certamente uma banda com um som pesado, eles não eram os rebatedores de peso e fama como essas outras bandas.

Sobre o assunto, Cantrell relembrou o tempo que passaram nessa turnê: “Não foi fácil, mas foi divertido. Os caras das bandas deram muito apoio a nós e passamos muitas noites nos apresentando com objetos estranhos voando em nossas cabeças e às vezes o negócio ficava muito brutal, mas não parávamos de tocar... Nós jogávamos as coisas de volta para a plateia e ganhamos muito respeito porque não fraquejamos”.

O álbum "Facelift" se espalhou como um incêndio: eles venderam mais de 40 mil cópias nas primeiras 06 semanas de lançamento e alcançou o nº 42 no ranking da Billboard. Eles se estabeleceram com sucesso como os precursores do grunge, sendo que só depois o PEARL JAM, SOUNDGARDEN e o NIRVANA iriam ter os seus momentos no mainstream.

Parecia que a paisagem musical e cultural da música grunge estava madura e pronta para todas essas bandas que simbioticamente alimentavam umas às outras dentro da cena de Seattle, enquanto desenvolviam as suas próprias versões únicas do grunge ao mesmo tempo. Se uma banda precisasse de dinheiro ou de uma van para uma turnê, outra banda ajudaria.

A cena de Seattle era muito favorável e existia como a meca cultural dos desajustados que rejeitavam as expectativas da sociedade. Não era completamente diferente da cena punk dos anos 70, que inspirou (junto com o heavy metal) muito dessas bandas grunge. Com a mistura dessas duas ramificações do rock 'n' roll, veio o grunge: roupas desleixadas, cabelos desarrumados, guitarras barulhentas e ao contrário da música punk, os músicos do grunge eram mais aptos tecnicamente falando.

ALICE IN CHAINS também fazia parte dessa turma, que foi capaz de sobreviver à morte do seu vocalista original, Layne Staley. O carismático vocalista - e na medíocre opinião do autor dessa matéria, o timbre de vocal mais louco de escutar das bandas grunge - faleceu devido a uma overdose de heroína e cocaína em 2002.

O restante da banda decidiu continuar, sendo que tudo o que eles precisavam era de outro vocalista para substituir Staley. Eles recrutaram oficialmente William Duvall em 2006 e imprevisivelmente, eles lançariam mais 03 ótimos álbuns de estúdio até o momento: "Black Gives Way to Blue" (6º trabalho de estúdio, 2009), "The Devil Put Dinosaurs Here" (7º trabalho de estúdio, 2013) e "Rainier Fog" (8º trabalho de estúdio, 2018).

Ao desenvolvermos uma lista das 06 canções definitivas do ALICE IN CHAINS para iniciantes - novamente, sempre que postamos uma matéria com esse título, não quer dizer que sejam as melhores canções, mas as que procuram mostrar todo o leque de musicalidade e diversidade do grupo - levamos esses últimos álbuns da nova etapa do ALICE IN CHANS em igual consideração.

Mas se tratando do ALICE IN CHAINS, uma lista das melhores músicas teria com certeza todas as canções que separamos abaixo.

Em ordem cronológica, confira o guia para iniciantes que preparamos para você com 06 músicas definitivas do ALICE IN CHAINS.

Música: "Man in The Box"

Álbum: "Facelift" (1º disco, 1990)

Este foi o 1º single do ALICE IN CHAINS e que fez a banda ficar conhecida no mundo inteiro.

Esta canção mudou tudo para eles que, antes deste lançamento, estavam literalmente morando no local de ensaio da banda e na miséria do rock ‘n’ roll.

Me desculpem, mas o ALICE IN CHAINS havia escrito o hino grunge bem antes do NIRVANA.

Lançado 01 ano antes do NIRVANA apresentar ao mundo a música "Smells Like Teen Spirit", assim como o álbum de estreia do PEARL JAM, "Ten" (1991), ALICE IN CHAINS realmente ganhou o 1º título de "Reis do Grunge". Naturalmente, o videoclipe da canção "Man in The Box" também foi o primeiro clipe grunge na rotação da MTV, embora tenha sido realmente alavancado quando o grunge começou a ganhar atenção em nível nacional e as pessoas começaram a perceber este incrível single.

A música também mostra a dinâmica histórica entre os vocais de Layne Staley e Jerry Cantrell compartilhando as suas funções. Cantrell assume a primeira parte do refrão e em seguida, Layne Staley sobe a alturas inimagináveis quando a sua voz, que saía diretamente do seu peito, atinge as notas mais altas no refrão.

Tragicamente, essa música foi escolhida para encerrar o último show da banda com Layne Staley nos vocais em julho de 1996. A banda não havia se separado oficialmente após este show, mas devido ao aumento da ingestão de drogas de Staley, ele não seria capaz de manter uma presença consistente na banda e nos palcos...


Música: "Would"

Álbum: "Dirt" (3º trabalho de estúdio, 1992)

Apesar de ser o 3º registro da banda, foi o 2º álbum de canções hard rock do ALICE IN CHAINS.


Seguindo um caminho não convencional para uma banda de rock - especialmente naqueles dias em que os discos ainda significavam algo - o 2º trabalho de estúdio, o EP "Sap" (1992), apresentou um lado mais suave e ousadia da banda em gravar um álbum quase acústico.

Voltando ao álbum "Dirt", a canção "Would" faria a sua estreia na trilha sonora do filme de Cameron Crowe, Singles (1992), que se passa em Seattle durante a explosão do grunge. ALICE IN CHAINS e SOUNDGARDEN (além dos músicos do PEARL JAM interpretando alguns papéis no filme) também participaram das filmagens como bandas de bar.

A música "Would" foi composta por Jerry Cantrell sobre um dos roqueiros grunge originais de Seattle e que desempenhou um papel fundamental em influenciar todas as principais bandas desta cena. Andrew Wood, que era o vocalista da banda pré-PEARL JAM, o MOTHER LOVE BONE, havia falecido por overdose de heroína em 1990.


Música: "Rooster"

Álbum: "Dirt" (3º trabalho de estúdio, 1992)

Indiscutivelmente uma de suas melhores músicas, se não a mais cativante, "Rooster" foi um dos singles do álbum "Dirt", assim como a canção "Would".

Jerry Cantrell também compôs esta música e o título da mesma veio do apelido que o seu pai tinha quando ainda era criança. O pai de Cantrell lutou na Guerra do Vietnã, sobreviveu e voltou para os EUA de uma forma muito abalada psicologicamente (não seria pra menos). A música é sobre isso e seu senso de resiliência, com as letras: "Eles vêm para matar o galo / Mas ele não vai morrer".

Jerry Cantrell relembrou dos seus sentimentos em relação à música numa entrevista passada: “O meu pai só nos viu tocar uma vez a canção 'Rooster' e a tocamos para ele quando estávamos num clube noturno abrindo para Iggy Pop... Eu nunca esquecerei disso, sabe? Ele estava parado lá nos fundos do clube e ouviu todas as nossas palavras e música. Claro, eu nunca estive no Vietnã e ele não vai falar sobre isso, mas quando eu escrevi as letras, parecia uma coisa certa a fazer, como se fossem coisas que ele pudesse ter sentido ou pensado".

"Ele estava lá parado com as suas botas e chapéu de cowboy e no final da canção, ele tirou o chapéu e apenas o segurou no ar acenando para nós. Percebi que ele estava chorando e essa música significa muito pra mim".


Música: "No Excuses"

Álbum: "Jar of Flies" (4º trabalho de estúdio, 1994)

Este 2º EP da banda simplesmente foi o primeiro EP na história do rock que ficou em 1º lugar no ranking de álbuns da Billboard.

Também apresentando músicas mais brandas e quase acústicas - assim como no EP "Sap" - a banda lançou o disco "Jar of Flies" como parte de sua fórmula então estabelecida de lançar um álbum de músicas rock pesadas seguido por um EP mais calmo.

Há muita especulação de que as músicas do EP "Jar of Flies" explora a relação em drogas de Jerry Cantrell e Layne Staley e como o vício afetou drasticamente o vocalista da banda. Em uma rara entrevista que Staley concedeu alguns anos antes de sua morte, ele foi muito franco em sua descrição de suas batalhas contra o vício: “Essa porra de uso de drogas é como a insulina que um diabético precisa para sobreviver”.


“Não estou usando drogas para ficar chapado como muitas pessoas pensam. Eu sei que cometi um grande erro quando comecei a usar essa merda e é uma coisa muito difícil de explicar. O meu fígado não está funcionando bem, estou vomitando o tempo todo e cagando nas calças. A dor é maior do que você pode suportar, tipo, é a pior dor do mundo... O meu enjoo fere todo o meu corpo”.

"No Excuses" é uma canção exemplar e uma obra de arte combinada com letras honestas, sombrias e confessionais.


Música: "Check My Brain"

Álbum: "Black Gives Way to Blue (6º trabalho de estúdio, 2009)

Esse disco é o primeiro com o vocalista/guitarrista, William Duvall, que substituiu nobremente Layne Staley.

E para os mais desconfiados, foi literalmente um sucesso comercial provando mais uma vez que uma banda pode de fato sobreviver à morte de um frontman icônico. O álbum estreou em 5º lugar no ranking da Billboard, foi um dos singles do disco e virou figurinha carimbada nos shows da banda ao lado das clássicas músicas.


De acordo com o compositor da música, Jerry Cantrell, ele escreveu a canção sobre a sua mudança de moradia de Seattle para Los Angeles, logo depois de largar o seu próprio vício em drogas. Havia uma certa ironia nisso, já que Los Angeles era, como ele a descreve, “a barriga da besta”, em termos de atividade com drogas.

Cantrell refletiu sobre essa questão: “Há um certo aspecto do sarcasmo, eu acho, ser um cara de Seattle que vai morar em Los Angeles, tipo, um ex-viciado em drogas que vive na barriga da besta e não participa das coisas, onde eu ficava totalmente de boa com isso”, disse ele certa vez em entrevista. “É como ser um mau jogador e morar em Las Vegas, você me entende? É apenas a ironia disso e um pouco de sarcasmo, mas não estou desmerecendo nenhuma cidade e nem outra, é apenas, tipo: 'Nossa, dê uma conferida no meu cérebro se está tudo ok'".


Música: "Hollow"

Álbum: "The Devil Put Dinosaurs Here (7º trabalho de estúdio, 2013)

Quando Layne Staley morreu e a banda recrutou William Duvall, o som da banda continuou fiel às suas origens e procuraram manter a simbiose vocal característica que existia entre Staley e Cantrell.

ALICE IN CHAINS manteve o seu som característico pesado e arrastado, tingido como sempre com o toque do heavy metal - sendo que uma das partes mais atraentes e únicas do seu som em geral é o dueto vocal do grupo.

E realmente também se mantiveram fiel a isso e para o ouvido destreinado de alguém, pode-se até pensar que Layne Staley está vivo e fazendo os back-vocais sentadinho no canto do palco ou no estúdio, lá no fundo, somente com a sua silhueta exposta.

Dito isso, Duvall não tenta fingir ser Layne Staley em nenhum momento e toda a explanação acima foi regida no mais alto grau de respeito e merecimento a Duvall, mas certamente há uma inflexão em sua voz que ecoa os maneirismos vocais de Staley e que Cantrell já disse em entrevista que a banda queria manter a mesma vibe de como era nas antiga.

De qualquer forma, isso não prejudicou a autenticidade de suas canções.

A música "Hollow" é um retorno à forma da qual eles nunca realmente divergiram. O som da banda apresentado aqui e que abre este pesado álbum, é perfeitamente refletido e imaculadamente executado na sua pureza. A canção contém os melhores elementos do que conhecemos como o som do ALICE IN CHAINS, mostrando que Jerry Cantrell é e sempre foi a força motriz por trás da banda.


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