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Albert King: guia para iniciantes; 06 canções definitivas de sua carreira


O gênero blues criou mais do que alguns músicos afro-americanos lendários no auge de suas carreiras e a contribuição de alguns músicos extremamente talentosos ajudou o gênero a atingir tais níveis de aclamação.

Entre os protagonistas estava Albert Nelson, um músico cujo nome artístico de Albert King é o título mais adequado para descrever a sua personalidade e estilo.

Albert King começou a usar o nome artístico na segunda metade da década de 50 e sendo um grande admirador de B.B. King (diga-se de passagem, um dos guitarristas preferidos de Jimi Hendrix), ele estava ansioso para usar o mesmo apelido para que pudesse se sentir próximo de sua inspiração.


Na verdade, ele também afirmou por algum tempo que B.B. King era na verdade o seu meio-irmão.

A obsessão não parava aqui e ele preferia que o seu apelido fosse B.B. King, onde B.B. significava "Blues Boy" e batizou a sua guitarra de Lucy, semelhante a guitarra de B.B. King, chamada Lucille.

A lenda B.B. King considerou o assunto levianamente e disse ao responder esses rumores: "Ele chamou a sua guitarra de ‘Lucy’ e por um tempo ficou dizendo por aí que era meu irmão. Isso me incomodou até que eu o conheci pessoalmente e percebi que ele estava certo. Ele não era meu irmão de sangue, mas com certeza era meu irmão no blues".

No entanto, Albert King não permitiu que essa forte influência obscurecesse as suas próprias sensibilidades musicais. Desde muito jovem sentiu-se atraído por experiências sonoras que o levaram a tocar guitarra com a sua caixa de charutos na bagagem.

Quem diria que um dia esse mesmo menino iria superar o seu sonho de infância e se tornar uma inspiração para outros - sendo também escolhido por Jimi Hendrix como um dos seus guitarristas preferidos.


* Jimi Hendrix: nomeando os seus 09 guitarristas preferidos

Sua carreira não foi inteiramente um mar de rosas, entretanto, houve contratempos sem os quais ele definitivamente poderia ter brilhado mais. Dito isso, a maneira como ele superou esses obstáculos e manteve o ímpeto é louvável.

Então, vamos revisitar a sua jornada e nos intoxicar com o blues encharcado de uísque de Albert King.

Confira as 06 canções definitivas de Albert King para iniciantes:

"Don’t Throw Your Love on Me So Strong"

Após um período mal sucedido nas décadas de 40 e 50, os anos 60 provaram ser uma década abençoada para Albert King. Com a má recepção do seu primeiro single de 1953, "Bad Luck Blues", King mudou-se para o Brooklyn, Illinois, em 1956, para formar uma nova banda e começar do zero. Ele se tornou popular nos clubes que levaram a King Records a contratá-lo em 1961 (e único disco lançado por esta gravadora).

A música foi lançada inicialmente em 1959, mas a versão da King Records se tornou muito mais popular no álbum de estreia de Albert King, "The Big Blues" (1962), concedendo a ele o seu primeiro hit que subiu para o nº 14 no ranking da Billboard.


Complementada por habilidades hábeis na guitarra, a música certamente conquistará alguém que ainda não conhece Albert King.


"Born Under a Bad Sign"

Como mencionado anteriormente, Albert King estava em alta durante esse tempo e somente depois de 05 anos desde o seu 1º álbum e sucesso, ele nos deu um disco que passou a defini-lo.


"Born Under a Bad Sign" (1967) foi o seu 2º álbum, que incluiu 11 blues elétricos gravados entre 1966/67. Este álbum provou que o sucesso comercial não era o parâmetro para medir o talento, pois mesmo assim ganhou aclamação da crítica por ser o melhor álbum de blues já feito.

A faixa-título, no entanto, tornou-se um campeão de vendas.


O artista William Bell, que escreveu a música, relembrou numa entrevista: “Precisávamos de uma música blues para Albert King... Eu tinha essa ideia no fundo da minha mente que eu faria sozinho e colocaria astrologia e todas essas coisas que eram bastante comentadas naquela época, com isso, tive a ideia de que poderia funcionar”.


"Hound Dog"

Após a sua performance colaborativa com a St. Louis Symphony Orchestra em 1969, Albert King lançou o seu 5º álbum de estúdio que foi na verdade um disco tributo.


O álbum, "Blues For Elvis - King Does The King’s Things" (1970), contêm uma coleção de sucessos dos anos 50 de Elvis Presley. A especialidade do álbum residia no fato de Albert King reestruturar as canções infundindo o seu próprio estilo.

Esta canção de blues de 12 compassos e que foi originalmente lançada por Big Mama Thornton em 1952, foi popularizada por Presley em grande medida. Albert King deve ser creditado por sua bravura na escolha de uma música que já foi executada por alguns cantores poderosos, sendo que a sua capacidade de combinar as influências dominantes com o seu estilo único é digna de elogio.


"Honky Tonk Woman"

O álbum "Lovejoy" (6º disco, 1971) apresenta o famoso cover do ROLLING STONES, a canção "Honky Tonk Woman", entre vários outros. A música original foi lançada como single em 1969.

Escrita em conjunto por Keith Richards e Mick Jagger, a canção foi inspirada nos "caipiras do Brasil". É sobre uma dançarina que trabalha como prostituta num bar...

O cover de Albert King o viu abraçar uma nova forma, o funk rock. A inclusão desta nova paisagem sonora elevou a música de King dos seus territórios conhecidos e a colocou em uma lousa limpa, de onde ele poderia progredir em uma nova direção que o funk rock lhe mostrava ou recuar quando fosse necessário para a sua zona de conforto.


"Angel of Mercy"

De 1975 em diante, a carreira de Albert King decaiu com a falência da Stax Records. King recorreu ao selo Utopia, de onde lançou 02 álbuns dignos por excelência. Nenhum desses discos ou músicas chamou muita atenção do mainstream, o que deixou Albert King vivendo "em outra sintonia interna" por algum tempo.


Mas antes, ainda em 1972, Albert King havia lançado o seu 7º álbum de estúdio, "I'll Play The Blues For You", e aqui consta uma bela canção.

Como ironia do destino e sem dúvida nenhuma, esta música é uma das melhores de Albert King. Um blues elétrico clássico, que descreve a vida monótona de um trabalhador. De propósito, o trabalho da guitarra não é virtuosista como tantos outros, apoiando somente a essência da música aqui.

A entrega de Albert King canaliza uma série de emoções onde a agonia é tingida de sarcasmo.


"The Sky is Crying"

Decepcionado com as vendas fracas dos seus álbuns no final dos anos 70, Albert King fez uma pausa de quatro anos. Ele usou esse tempo para refletir sobre a sua música, jornada e como resultado, decidiu rastrear as suas raízes no blues e interromper qualquer tipo de experimentação com arranjos musicais.


Manter o formato tradicional provou ser benéfico, pois conquistou duas indicações consecutivas ao Grammy em 1983 e 1984.

A música "The Sky is Crying" faz parte do 14º e último álbum de Albert King - e indicado ao Grammy - "I’m in a Phone Booth, Baby" (1984). Esta canção foi composta e gravada originalmente por Elmore James em 1959 (também um dos guitarristas preferidos de Jimi Hendrix).

Embora Albert King a tenha gravado pela primeira vez em 1969 - para o seu álbum "Years Gone By" (3º disco) - a canção não circulou tanto quanto deveria devido as baixas vendas do álbum. A música chamou a atenção do público muito mais tarde em 1984 com o sucesso do seu novo e último disco.


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