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Perry Farrell: "divulgue algo que você sabe que é ótimo no seu coração"


“Estou entrando em meu 3º ato na vida e vou apenas dar o meu melhor”, disse Perry Farrell, vocalista fundador do JANE'S ADDICTION e do Lollapalooza Festival.


Perry Farrell pode ser reconhecido como o rosto da cultura alternativa dos anos 90, mas a sua relevância não diminuiu 03 décadas depois. Em uma nova entrevista para a revista Spin, Farrell exclamou frases empolgantes em tempos pandêmicos, como: "Se vamos fazer um movimento, agora é a hora”, com o seu otimismo sempre contagiante.


Seja discutindo a eleição presidencial ou a pandemia global, ele não pode deixar de permanecer esperançoso - e ele quer que todos se sintam assim.


“Eu sei que há muita tristeza... Pessoas morreram, pessoas estão doentes, pessoas perderam empregos, mas também é um momento em que podemos regenerar este mundo e trazer novas ideias”, diz ele. “O mundo foi devastado, então, vamos entrar lá enquanto temos esta chance”.


Ele certamente está tentando fazer a sua parte. Embora a música ao vivo ultimamente tenha sido mais ou menos reduzida a streams das redes sociais e experimentos de distanciamento social, Farrell ainda encontrou uma maneira de trazer o seu lendário festival para as massas. Em parceria com o YouTube, ele hospedou uma variedade de performances de artistas e discussões inspiradoras na versão do Lollapalooza Festival 2020. Ele até reuniu as suas próprias bandas, JANE'S ADDICTION e PORNO FOR PYROS - esta última da qual não tocava publicamente desde 1997.


Farrell também está lançando um box set retrospectivo, chamado "The Glitz: The Glamour" (será lançado em 06 de novembro de 2020), colecionando a sua música e arte fora dessas duas bandas citadas.


Dentre várias perguntas que foram feitas sobre o seu trabalho solo, política e pandemia, seguem somente as questões sobre a banda JANE'S ADDICTION:


Jornalista: Este ano marca o 30º aniversário do álbum "Ritual de lo Habitual" do JANE'S ADDICTION (2º disco, 1990). Após o lançamento desse clássico álbum, você havia dito para a revista Rolling Stone: “Eu não acho que vou melhorar depois desse disco". Você ainda se sente daquele jeito?


Perry Farrell: Não, não... Acho que continuo melhorando como vocalista e colaborador. Acho que cada vez que entro em um projeto, gosto mais e mais e mais. É como a engenharia automotiva. Não vou dizer que um Chevy Nova 1962 é o meu melhor trabalho, mas é um carro clássico que é lindo e definitivamente vale a pena ter na garagem. Porém, eu quero ter um carro elétrico agora que eu possa andar ao longo da avenida Sunset Boulevard.



Jornalista: Tanto esse disco, quanto o álbum de estréia, "Nothing’s Shocking" (1988), foram censurados por mostrarem nudez nas capas. Eles foram exemplos bem conhecidos da determinação daquela época em bloquear a liberdade artística. Quão prejudicial foi para você como artista?


Farrell: Pense em todas as belas pinturas ao longo dos séculos, mostrando mulheres com os seus lindos seios leitosos e bumbum grande. Na década de 90, eles estavam tentando varrer toda a nudez das ruas, o que era uma ideia ridícula. Aprendi com a experiência que a coisa mais importante que você pode fazer é divulgar algo que você sabe que é ótimo no seu coração. É por isso que eu estava bem com aquela situação, tipo, a nossa gravadora pode ter ficado chateada, mas eu falei para eles: “Posso fornecer uma capa secundária para o disco, mas não vou mudar isso daí. É uma bela obra de arte, trabalhei muito nela e gostei bastante”.



Jornalista: Eu fui num show do JANE'S ADDICTION e foi uma experiência muito cativante e transcendente. Obviamente, a música ao vivo está lutando para existir durante a pandemia. Como você acha que as bandas podem sobreviver a isso?


Farrell: Eu me sinto mal pelas bandas lá fora, mas elas deveriam continuar praticando e gravando. Você pode fazer isso remotamente ou em pequenos grupos. A minha equipe fica em quarentena e em distâncias sociais, então, quando nos reunimos em grupos de 05 ou 06 pessoas para fazer música, não somos tolos, pois temos famílias e estamos sendo muito cuidadosos.



Jornalista: Foi ótimo ver o JANE'S ADDICTION de volta no Lollapalooza!


Farrell: JANE'S ADDICTION foi ótimo e tenho muitas lembranças da turnê com Mike Watt (vocalista/baixista do MINUTEMEN), lembranças divertidas e ótimas, mas também horríveis e catastróficas também. Nos perdemos no mar uma vez, aconteceu um homicídio perto de onde estávamos e fomos para a cadeia. Mas ainda assim, eu não trocaria nada disso... Bom, talvez eu trocaria uma ou duas coisas, mas na maior parte foi uma pesquisa para um artista. Um artista só pode refletir a sua vida, então, você precisa ter certeza de que quer uma vida ótima. Isso era o que estava acontecendo naquela época.



Jornalista: O rock de hoje realmente carece do poder de estrela que vimos em muitas bandas há décadas atrás. Você vê o espírito e a energia que o JANE'S ADDICTION tinha nos anos 90 em alguma banda agora?


Farrell: Sim, tem essa banda STARCRAWLER. Ele são como nós, sabe? Somos de Los Angeles e eles possuem esse legado de xamãs, como Jim Morrison fazia (THE DOORS). Gosto de me considerar como portador dessa tocha, mas também gostaria de passar essa tocha adiante. Eu definitivamente sinto que STARCRAWLER é um desses grupos.



Jornalista: Para encerrar, você vê os seus filhos seguindo os passos do pai?


Farrell: Somente o meu filho está em uma banda que soa como uma mistura de JANE'S ADDICTION com JOY DIVISION, mas ele também tem uma banda de rap. Um tempo atrás eu tinha escutado a turma dele de rap e foi realmente horrível, cara...



Confira outra recente entrevista que Perry Farrell concedeu ao jornal The Guardian e que o site rockinthehead traduziu para você:





* Perry Farrell: "você não pode ser pai e ficar drogado o tempo todo", diz o vocalista do Jane's Addiction

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