• by Brunelson

Sonic Youth: "queria combinar guitarra irregular e dissonante com uma espécie de canto brasilei


A eterna vocalista/baixista do SONIC YOUTH, Kim Gordon, fez a sua estréia solo em um disco verdadeiramente selvagem, "No Home Record", lançado em outubro de 2019.


Graças ao seu mandato de 30 anos como baixista e co-vocalista da banda pioneira do rock alternativo e noise, Kim Gordon foi aclamada como uma ícone, lenda e a garota da geração pós-punk.


Perguntado recentemente pela revista Guitar World se tais elogios já pareciam um pouco generosos demais - ou até merecidos - Gordon ri e diz: "Eu realmente não sei o que pensar quando as pessoas usam esse tipo de termos em relação a mim ou ao SONIC YOUTH. Eles parecem tão exagerados, sabe?"


No entanto, sem qualquer tipo de estímulo, ela observa que tem percebido um certo aspecto da influência de sua ex-banda cada vez mais.


"Atualmente estou ouvindo bastante música dissonante. Se isso foi algo que adicionamos ao vocabulário do rock independente, tipo um legado, eu acho uma coisa bem legal. Não que tenhamos sido os primeiros a fazê-lo, pois Syd Barrett com o PINK FLOYD já estavam colocando dissonância em suas músicas lá em 1968. Acho que você também pode chamá-los de rock independente”.


A separação do SONIC YOUTH em 2011 coincidiu com o divórcio confuso de Gordon com o seu colega de banda, o vocalista/guitarrista Thurston Moore, fato que ela detalhadamente relatou em seu livro autobiográfico de 2015, chamado Girl in a Band.


Após a dissolução do grupo, Gordon considerou brevemente desistir da música para se concentrar no seu primeiro amor, as artes visuais: "Mas havia algo sobre música e performance ao vivo que me puxava para trás", diz ela rindo, "era difícil me afastar, então, decidi não tentar mais".


Com o guitarrista e surfista Alex Knost, ela participou de um projeto único chamado GLITTERBUST, mas a sua colaboração com o guitarrista experimental Bill Nace na dupla BODY/HEAD pode ser um projeto em andamento - os dois já lançaram uma série de álbuns e EPs.


"Tocar música com Bill foi muito libertador", observa Gordon. "Ele gosta de improvisar e como não sou formada em música, essa é a maneira mais natural de fazer música".


Ela alega que a idéia de gravar um álbum solo de boa-fé nunca esteve remotamente em seu radar, mas depois de trabalhar com o produtor Justin Raisen, que pediu que ela contribuísse os vocais para o disco de estréia do cantor e compositor Lawrence Rothman, Gordon estava entusiasmada.


"Justin pegou alguns dos meus vocais, colocou uma linha de baixo e ritmo para eles e então, ele enviou o arquivo para mim", diz ela. “Eu pensei: 'Nossa, ele entende as minhas sensibilidades. Poderíamos ter um bom retorno com isso'".


É mais ou menos assim que ela e Raisen gravaram o disco de estreia de Kim Gordon, "No Home Record", um álbum com 09 canções que se revezam em rock de garagem ("Hungry Baby"), poemas de meditação inquietantes ("Paprika Pony") e peças de guitarra selvagens e hipnóticas ("Cookie Butter").


"O que eu amei em trabalhar com Justin é como tudo era espontâneo e fresco", diz Gordon. "Eu queria que o disco fosse orientado para músicas de uma maneira convencional, mas ao mesmo tempo não podíamos ficar presos a sons e formas. A maneira como uma música começou geralmente não era nada parecida com a forma como ela terminou e foi isso que eu realmente gostei, esse sentimento de surpresa".


Baseando-se principalmente em uma guitarra Fender Jazzmaster, Gordon chuta nuvens sonoras com arranhões irregulares de 06 cordas ao longo do álbum. Ela considera a música "Air BnB" a sua homenagem ao colega experimentalista de guitarra, Arto Lindsay.


“O DNA da banda dele exerceu uma enorme influência sobre mim”, diz ela, “e eu sempre gostei da maneira como Arto combinava guitarra irregular e dissonante com uma espécie de canto brasileiro melódico. A maneira como essas duas abordagens convergem era algo que eu estava buscando nesse disco”.


A trilha angustiante de "Murdered Out" transborda com riffs de metal machucados e feedback de amplificadores para fritar o cabelo. Quanto à forma como ela reproduzirá a música ao vivo, Gordon ainda não faz ideia.


"O que está gravado é uma apresentação única e acho que nunca conseguiria que soasse da mesma maneira novamente", diz ela. "Vou ter que resolver isso de alguma forma. Talvez eu acabe usando alguns dos arquivos".


Ela não terá problemas para recriar a mini-obra-prima elegíaca chamada "Earthquake", no entanto, a maior parte é composta pelos dedilhados elegantes e sem adornos de Gordon e um eco envolvente da sala que parece uma igreja.


"Essa é a música mais direta do álbum, então, não precisava de muita produção", diz ela. "É bastante indicativo da maneira como toco guitarra na minha casa. Eu tenho um bom som acústico no meu lar e gosto de sentar e tocar meio acordes em uma afinação aberta".


Gordon finaliza: "Mas eu não chamaria isso de 'treinamento'. Nunca se trata de ser uma musicista tecnicamente competente, porque ainda é pós-punk para mim, apenas usando um instrumento como meio de transmitir emoções".


Confira o videoclipe da canção "Earthquake", lançada no disco de estreia de Kim Gordon, "No Home Record":

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