• by Brunelson

Rage Against The Machine: relembrando quando Zack de la Rocha saiu da banda em 2000


Desde 1991, RAGE AGAINST THE MACHINE nunca desistiu de uma luta.

O problema é que essas lutas geralmente envolviam dois ou mais membros da mesma banda em confronto direto.

Depois de 09 anos chegando em 2000, quando indiscutivelmente a banda estava atingindo o seu pico artístico, o vocalista Zack de la Rocha saiu do grupo aparentemente para nunca mais voltar.

Com tudo mais que o cantor já fez, foi uma decisão profundamente envolvida em sua personalidade e recusa em se conformar. Ainda assim, quando a banda subiu ao palco em Los Angeles em setembro daquele ano para o seu último show, a sala fervilhava de expectativa em ver uma das maiores bandas de rock do mundo.


Mal sabiam os presentes que apenas 06 semanas depois, eles estariam de luto pela separação daquela mesma banda.

A saída de Zack de la Rocha do grupo não foi totalmente inesperada. A banda, que era composta também pelo guitarrista Tom Morello, o baixista Tim Commerford e o baterista Brad Wilk, passou grande parte do seu tempo livre discutindo e brigando. Não é realmente um choque também, considerando os tipos de cérebros pesados em jogo dentro do paradigma de uma banda de rock.

Zack não é o único membro do grupo com algumas ideias sérias, com Morello sendo formado em Ciências Políticas na faculdade de Harvard e Commerford também conhecido como um artista fortemente politizado, o que levou a uma luta interna quase constante.

“Eu sinto que agora é necessário deixar o RAGE AGAINST THE MACHINE, porque o nosso processo de tomada de decisão falhou completamente”, disse Zack de la Rocha em seu comunicado oficial de despedida na época. “Não está mais atendendo às aspirações de todos nós 04 coletivamente como uma banda e na minha perspectiva, isso minou o nosso ideal artístico e político".

“Estou extremamente orgulhoso do nosso trabalho”, a sua declaração continuou. “Tanto como ativistas e músicos, como também agradecidos e gratos a todas as pessoas que expressaram solidariedade e compartilharam conosco essa experiência incrível”.

A saída do vocalista da banda, embora não inesperada, foi muito mal programada.


Apenas algumas semanas depois, o grupo lançaria um dos maiores álbuns de covers de todos os tempos, "Renegades" (4º disco, 2000), um álbum no qual eles fizeram covers de bandas como ROLLING STONES ao CYPRESS HILL. O álbum soa como uma banda em ascensão, mas a verdade é que o grupo estava quase se deteriorando durante o processo de gravação.


* Rage Against The Machine: resenha do álbum de covers, "Renegades"


* Rage Against The Machine: o poema no encarte do álbum "Renegades"

“Zack me telefonou na manhã em que o comunicado à imprensa havia sido divulgado”, explicou Morello mais tarde ao comentar sobre a saída do vocalista. “Uma coisa que pode não ficar bem clara é que estávamos num período em que ele planejava tirar 18 meses a 02 anos de folga. Ele não planejava escrever outra música do RAGE AGAINST THE MACHINE ou tocar em outro show do RAGE AGAINST THE MACHINE até 2003, então, fiquei desapontado, porque, até 2003 não estaríamos agendando uma turnê mundial ou compromissos, mas Tim, Brad e eu estávamos planejando continuar a trabalhar juntos e fazer novas músicas... Os nossos planos iriam continuar”.

E com isso, todos nós sabemos que o AUDIOSLAVE viria a se formar.


Mas por que Zack de la Rocha deixou a banda?

A verdade provavelmente está espalhada por alguns motivos diferentes. Um motivo citado na época foi o comportamento de Tim Commerford no MTV Awards daquele ano.


Depois que o LIMP BIZKIT ganhou a tal premiação, Commerford escalou um adereço de palco de quase 05 metros de altura e se recusou a descer, tudo ao vivo em rede mundial - me lembro de ter visto isso ao vivo na TV. Segundo boatos, Zack teria ficado “chateado” com as travessuras e saiu cedo do evento. No entanto, a realidade é que a banda sempre esteve destinada a comportamentos assim - o programa de TV, Saturday Night Live, manda um abraço!

“Não é único entre as bandas de rock encontrar a dissensão ocasional”, disse ainda o vocalista em seu comunicado, “mas em comparação com a música que fazemos e as causas que perseguimos, não está tão interessante”.

De acordo com Tom Morello, era tudo muito simples: “Digamos que as forças do RAGE AGAINST THE MACHINE nos fizeram queimar intensamente e rapidamente. Tem havido uma tensão constante que tem sido um enorme desafio para nós ao longo dos anos... Zack fez o que tinha que fazer".

Sem pontes permanentemente queimadas, a banda se reuniu em 2007 antes de seguir caminhos separados mais uma vez em 2011 - sem terem lançado nenhum material inédito e apenas para ser programada para se reunir novamente no Coachella Festival em 2020.

Claro, esse evento nunca veio à tona devido a pandemia e o mesmo foi prorrogado para 2022 junto com uma turnê gigante do RAGE AGAINST THE MACHINE pelos EUA.

Embora existam muitos motivos pelos quais as bandas se separam, o fato de Zack de la Rocha e o RAGE AGAINST THE MACHINE se separarem por motivos políticos e pessoais parece o tributo mais adequado ao seu tempo como banda.

RAGE AGAINST THE MACHINE ainda é considerada uma das bandas políticas e de rock mais potentes de todos os tempos.


Confira esta última performance do RAGE AGAINST THE MACHINE em 2000 citada aqui nessa matéria, apresentando a música "Born of a Broken Man" (3º disco, "The Battle of Los Angeles, 1999):


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